Reunião na Escola Galdino debate medidas para combater a LGBTfobia
Nova reunião realizada na Escola Estadual Galdino Pinheiro Franco, em Mogi das Cruzes, na tarde desta segunda-feira (14), discutiu o episódio de agressão a uma aluna transexual, ocorrida na semana anterior. Com presença da diretoria da escola e também da vítima e familiares, representantes buscaram entender as circunstancias do caso, que tem gerado muito debate país […]
14/02/2022 16h48, Atualizado há 54 meses
Nova reunião realizada na Escola Estadual Galdino Pinheiro Franco, em Mogi das Cruzes, na tarde desta segunda-feira (14), discutiu o episódio de agressão a uma aluna transexual, ocorrida na semana anterior. Com presença da diretoria da escola e também da vítima e familiares, representantes buscaram entender as circunstancias do caso, que tem gerado muito debate país afora e saber quais medidas seriam adotadas para o acolhimento da vítima e ações que poderiam ser adotadas para evitar episódios similares.
A reportagem de O Diário buscou contato com a Secretaria de Estado de Educação sobre possíveis medidas e decisões surgidas a partir da conversa desta tarde e aguarda retorno.
A vice-presidente do Fórum Mogiano LGBT, Alexandra Braga, avaliou a reunião como produtiva. “Hoje teve um debate aberto, franco, com movimentos sociais e a dirigente de ensino, diretora da escola e secretaria de Educação. Fizemos uma cobrança ao governo do Estado para que haja trabalho de combate à discriminação dentro das escolas, onde todos que trabalham com funcionalismo público tenham capacitação para tratar a diversidade”, comentou ela.
Segundo Alexandra, os representantes da Educação deram respostas. “Dentro da escola pretendem começar a fazer um trabalho de conversa sobre esta questão de diversidades e o direito que as alunas transexuais tem. Vão ter que discutir sobre o assunto e firmar novas políticas publicas”, afirmou a O Diário.
“Queremos acima de tudo, na figura da vítima, que outras alunas e alunos tenham a proteção do Estado para estudar”, frisa a representante. “Queremos também levantamento de dados sobre agressões a alunas transexuais. Sabemos que essa violência muitas vezes é mascarada”, comenta, ao apontar caminhos que deverão ser seguidos para evitar episódios similares.
Também esteve presente a mãe da vítima, acompanhada de um advogado, e a deputada estadual Erica Malunguinho (PSOL), cujas áreas de atuação são a luta antirracista, educação, saúde, cultura, povos tradicionais, comunidades de terreiro, mulheres, população LGBTQIA+ e população carcerária.
No Twitter, antes do encontro, ela se manifestou sobre o ocorrido, que considera como cenas “de um linchamento dentro de uma instituição que deveria promover uma formação pedagógica e não-violenta”.
Para Erica, “a escola, por ser nosso espaço essencial de formação, não pode, em instância alguma, ser celeiro de intolerância, mas sim território de construção de cidadanias”. Ela também lamenta que “a violência sofrida pela adolescente de 16 anos é recorrente para as pessoas trans e travestis nos espaços de educação”. E pede para que o caso seja “discutido também numa esfera mais ampla”.
Justamente para completar esta última etapa estiveram presentes na reunião desta segunda-feira (14) representantes do Programa de Melhoria da Convivência e Proteção Escolar (Convida), da Associação Sócio-Cultural Afrontarte, do Fórum Mogiano LGBT e do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp).
Quem representou esta última categoria, aliás, foi a coordenadora da subsede mogiana da Apeoesp e também vereadora, Inês Paz. Ela esteve na Escola Galdino Pinheiro Franco na última quinta-feira (10), mas foi impedida de entrar para dialogar com os professores.
Sobre o encontro, Inês fez um balanço a O Diário. “Colocamos que era importante tirar ações de como essa escola vai trabalhar toda essa problemática contra a violência, contra a discriminação”.
O primeiro passo “é a escola conversar com a mãe, com o advogado, com a aluna. Que ela tenha seu tempo de tomar a decisão se quer ou não voltar. Não tem que ter pressão sobre isso. Se ela quiser voltar, a escola tem que garantir todo o amparo para que continue seus estudos. Se não quiser voltar, ver para qual escola quer ir e a garantia de que ela estude com tranquilidade”.
Inês pontua ainda outras questões que foram tratadas, como a situação “dos alunos que praticaram a agressão”. Assim como a vítima, que já teve atendimento psicológico garantido pelo Estado, ela defende que os agressores tenham o mesmo acesso e que “se envolvam no processo de consientização”.
A reunião também tratou do tema em um escopo maior. “A escola precisa trabalhar com os alunos, professores, gestor, com os trabalhadores de forma geral da educação, para que de fato seja enfrentado todo o tipo de discriminação. O que apareceu neste momento foi a transfobia. Mas a gente sabe que o racismo está presente, que o machismo está presente, então precisa ser combatido tudo isso”, crava a vereadora, que lamenta a ausência do Executivo municipal neste encontro.
Por fim, Inês Paz mostra que foi solicitado um “mapeamento” sobre os mais de mil alunos “que são mulheres ou homens trans”, e diz que houve cobranças ao Estado, principalmente ” com relação a ter política pública para cabar com toda prática discriminatória”. Pode ser “um projeto de lei, um decreto, para que todo servidor público tenha essa formação sobre como atuar”.
“A gente quer o compromisso de acompanhar, de fazer com todas as escolas. Mas o Galdino pode ser de fato essa escola protagonista”.
Protesto
Na última sexta-feira (12) coletivos mogianos já haviam realizado um protesto em frente à sede da Diretoria Regional de Ensino de Mogi. Na ocasião, eles foram atendidos pela dirigente regional de ensino, Estela Vanessa de Menezes.
Conforme noticiado por O Diário, as agressões iniciaram depois de a aluna de 16 anos ter sido chamada pelo pronome masculino. Ela teria se irritado, reagido e na sequência começa a ser agredida. Imagens mostram o momento da confusão generalizada, quando a jovem é agredida com socos e xingamentos.