Rio Balainho, em Suzano, melhora neste Dia da Água; em Mogi, Tietê segue poluído
Um dos pontos de muito sujeira acumulado no rio Tietê, na ponte do Jardim Rodeio, em Mogi das Cruzes, concretiza aquilo que o mogiano observa todos os dias – a situação do principal manancial do estado no Alto Tietê segue sem mudanças quando se compara com o 22 de Março de anos recentes. Nesta data, […]
22/03/2023 11h27, Atualizado há 39 meses
Um dos pontos de muito sujeira acumulado no rio Tietê, na ponte do Jardim Rodeio, em Mogi das Cruzes, concretiza aquilo que o mogiano observa todos os dias – a situação do principal manancial do estado no Alto Tietê segue sem mudanças quando se compara com o 22 de Março de anos recentes. Nesta data, a comemoração do Dia Mundial da Água sustenta debate e pressão sobre o combate à despoluição e a melhoria das condições hídricas em pauta.
Um estudo da Fundação SOS Mata Atlântica confirma que, em 2022, não houve melhora significativa na qualidade da água dos rios da Mata Atlântica monitorados por voluntários da organização em 16 estados brasileiros. No entanto, aparece uma boa surpresa na nossa vizinhança – o rio Balainho, em Suzano, saiu da condição de regular para boa, sendo um dos poucos cursos d’água a apresentar melhora no levantamento feito por organizações parceiras no ano passado.
No geral, no entanto, no bioma onde vivem mais de 70% da população brasileira, apenas 6,9% dos pontos analisados apresentaram água de boa qualidade, segundo destaca o estudo.
No geral, a qualidade regular está em 75% dos casos, ruim em 16,2% e péssima em 1,9% – não houve amostar consideradas ótimas. Em seu relatório final, disponível para dowload no site da SOS Mata Atlântica (acesse aqui), a organização afirma que “quase 20% dos pontos analisados, portanto, não têm condições mínimas para os usos múltiplos da água – como agricultura, indústria, abastecimento humano, consumo animal, lazer ou prática de esportes”.
A edição de 2023 do “O Retrato da Qualidade da Água nas Bacias Hidrográficas da Mata Atlântica”foi realizada pelo programa Observando os Rios e tem patrocínio da Ypê.
Hoje, em Nova York, nos Estados Unidos, pela primeira vez, os resultados serão apresentados na Conferência da ONU sobre a Água.
Na avaliação sobre os resultados, técnicos da SOS “ressaltam a condição frágil dos recursos hídricos brasileiros neste momento de emergência climática, demandando atenção imediata dos gestores públicos e da sociedade”.
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Para o coordenador Gustavo Veronesi, a situação precária do saneamento básico no Brasil, onde menos da metade da população tem acesso ao serviço, e a degradação dos solos e das matas nativas em suas bacias hidrográficas constróem o cenário que o mogiano constada ao passar pelo rio Tietê e os córregos que o compõem, como o Lavapés, Rio Negro e Ipiranga.
“Ainda estamos distantes das metas do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável Água Potável e Saneamento (ODS 6), preconizado para 2030, e da universalização do saneamento básico, previsto para 2033. Os rios monitorados refletem a urgência de ações voltadas à restauração florestal, ao saneamento básico, aos compromissos do Brasil com o clima e à governança de forma inclusiva e participativa”, afirma.
O relatório apresenta o retrato da qualidade da água em bacias hidrográficas do bioma por meio de dados do Índice de Qualidade da Água (IQA), levantados pela rede de 2.700 voluntários que integram o Observando os Rios.
A partir de coletas mensais entre janeiro e dezembro de 2022, foram realizadas 990 análises em 160 pontos de 120 rios e corpos d’água em 74 municípios de 16 estados da Mata Atlântica.
Em comparação aos 106 pontos também analisados em 2021, quando houve uma redução nas coletas devido à pandemia de Covid-19, a qualidade média da água se estabilizou, com indicativo de pequena melhora: os pontos com qualidade boa passaram de 7 para 8; os com regular, de 75 para 80; e os com ruim, caíram de 21 para 15. Assim como no ano anterior, houve três pontos com qualidade péssima – todos, mais uma vez, no rio Pinheiros, em São Paulo.
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Destaques
Rios ganharam atenção positivamente, Um deles foi o córrego do Sapateiro, na capital paulista, que teve uma melhora em sua nascente devido a ações da prefeitura em parceria com entidades e movimentos da sociedade civil. Porém, em outro ponto, teve ligeira piora no ponto do Lago do Ibirapuera, que vinha apresentando um aumento crescente de qualidade em 2021.
O rio Balainho, no município de Suzano, que passou por obras estruturantes de coleta e tratamento de esgoto, também está entre os que mostraram melhora, ressaltando a relação causa-efeito de ações dessa natureza – ele saiu da categoria regular para boa.
Esse manancial, em Suzano, foi alvo de uma projeto de preservação no passado recente com recursos do Fehidro, em uma parceria que também contou com o governo do Estado e a Prefeitura.
Diretora de Políticas Públicas da Fundação SOS Mata Atlântica, Malu Ribeiro explica que um dos objetivos da organização é que o acesso à água limpa seja reconhecido como um direito fundamental de brasileiros e brasileiras. “Para isso estamos mobilizados, com a nossa rede de voluntariado do Observando os Rios e parceiros, para a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC nº 06/2021) na Câmara dos Deputados. O alcance do direito fundamental à água limpa para todos será resultado de um processo de longo prazo de políticas públicas consistentes e de projetos de saneamento ambiental e conservação das bacias hidrográficas do país”, completa.
A pesquisa
Foram realizadas 990 análises em 160 pontos de coleta de 120 rios e corpos d’água, em 74 municípios de 16 estados da Mata Atlântica, por 116 grupos voluntários.
Houve um incremento de 62% no total das coletas realizadas em 2021 (615 análises), aproximando os dados do período pré-pandemia de Covid-19.
No resultado, 11 pontos (6,9%) estão com qualidade boa; 120 (75%) apresentaram qualidade da água regular; 26 (16,2%), ruim e três (1,9%), péssima. Não houve nenhum ponto com qualidade de água ótima. Portanto, pouco menos de 20% dos pontos de rios.
Foram feitas em 160 pontos de análise de 120 rios e corpos d’água, em 74 municípios de 16 estados da Mata Atlântica, mobilizando 116 grupos voluntários do Observando os Rios.
Apenas 11 pontos (6,9%) estão com média de qualidade boa; 120 (75%) apresentaram qualidade da água regular; 26 (16,2%), ruim, e três (1,9%), péssima.
Na região
Nos pontos de coleta da região, Mogi das Cruzes, no rio Tietê apresentou stuação regular; Itaquaquecetuba, ruim; e, em Suzano, foram três locais monitorados – no rio Tietê, a qualidade é ruim, já no rio Balainho as análises surgem com a classificação boa.
Na comparação feita entre 2021 e 2022, nas três cidades, só houve melhora no rio Balainho, nos demais pontos as condições da água não foram alteradas.