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Secretária observa aumento na dependência química entre as pessoas em situação de rua de Mogi

Um número difícil de ser calculado com exatidão, a população em situação de rua de Mogi das Cruzes gira em torno de 300 pessoas e, nos últimos meses, o perfil desse grupo que mostrado uma dependência maior de substâncias ilícitas do que o álcool. Políticas para atender as necessidades dessa parcela da população têm sido […]

Por O Diário
16/09/2022 17h20, Atualizado há 47 meses

Um número difícil de ser calculado com exatidão, a população em situação de rua de Mogi das Cruzes gira em torno de 300 pessoas e, nos últimos meses, o perfil desse grupo que mostrado uma dependência maior de substâncias ilícitas do que o álcool. Políticas para atender as necessidades dessa parcela da população têm sido estudadas e implementadas na cidade, com a instalação de novos serviços de acolhimento.

De acordo com a secretária municipal de Assistência Social, Celeste Xavier Gomes, elas se dividem entre cerca de 150 que estão institucionalizadas nos abrigos da cidade e outras 150 que vivem, de fato, nas ruas. Mas, o dado é bastante flutuante, levando em consideração que muitas pessoas passam apenas uma ou pouco mais de uma noite no município.

“Nós acabamos recebendo pessoas que estão aqui, mas só de passagem para irem para outras cidades. Algumas vão para o Rio de Janeiro, por exemplo. Então, elas vêm de São Paulo, ficam um ou dois dias em Mogi, se alimentam, tomam banho e vão sentido Jacareí, São José dos Campos e parando em outras cidades. Hoje, não dizemos que a população em situação de rua aumenta ou diminui, é realmente muito flutuante”, afirma Celeste.

Este ano, por conta do frio intenso que chegou antes mesmo da estação, a Operação Inverno foi antecipada para maio. Desde então, Mogi passou a contar com 20 vagas a mais no acolhimento, que já tinha outras 156 vagas fixas. Além disso, passou a receber a população no Ginásio Municipal Professor Hugo Ramos (leia mais nesta reportagem), onde foram instaladas 40 vagas para o acolhimento.
Então, o município conta hoje com 216 vagas direcionadas à população em situação de rua, mas que nunca estão 100% preenchidas. Muitas pessoas optam por permanecer nas ruas mesmo nos dias mais frios e muito disso por conta das regras impostas nos abrigos, que se fazem necessárias para manter a organização.

Atualmente, de acordo com a secretária, a maioria da população em situação de rua é composta por homens, na faixa etária de 18 a 59 anos. Nos últimos meses, a pasta vem observando ainda um aumento no número de pessoas que fazem uso abusivo de substâncias ilícitas, enquanto a quantidade de usuários de álcool tem diminuído, em função, principalmente, de óbitos.

Estima-se que 80% da população em situação de rua seja usuária de substâncias psicoativas, 15% tem demanda psiquiátrica grave e 5% está nas ruas por questões socioeconômicas, como falta de emprego e moradia.

“Pensando nesse aumento dos usuários de substâncias ilícitas, nós estamos criando uma câmara técnica para que possamos identificar, junto à Secretaria Municipal de Saúde, quais são as demandas da cidade. Desta forma, o prefeito Caio Cunha pode criar uma portaria para que a gente tenha na cidade políticas públicas que sejam idealizadas de acordo com as necessidades”, explica a secretária.

Para aqueles que já estão institucionalizados e não fazem o uso de álcool e drogas a ressocialização é incentivada pela Secretaria, que mantém o programa Dons da Rua, que ensina artesanato e pintura, além de uma parceria com postos de gasolina, que oferecem vagas de frentistas. 

Onde encaminhar

A Prefeitura de Mogi e entidades sociais mantêm serviços de atenção à população em situação de rua. Uma das unidades mais conhecidas é o Centro Pop, localizado no bairro do Mogilar (telefone 4796-3862). Além de abordagens sociais feitas por agentes municipais nas ruas e praças, um outro telefone de contato da pasta de Assistência Social é 97096-0923.

Mogi terá novos serviços de acolhimento 

Por mais que os termômetros marquem baixas temperaturas em Mogi das Cruzes, muitas pessoas optam por permanecer nas ruas, onde enfrentam noites frias a céu aberto. Muito disso por conta das regras impostas pelos serviços de acolhimento ofertados pela Secretaria Municipal de Assistência Social, como a proibição de animais e do uso de álcool e drogas.

E foi pensando na saúde dessas pessoas, que a pasta passou a oferecer vagas no Ginásio Municipal Professor Hugo Ramos, que tem funcionado nas noites em que a temperatura fica abaixo dos 12ºC. Por lá, a acolhida começa às 19h e se estende até as 7h do dia seguinte. No local, os acolhidos podem passar a noite na companhia de seus cachorros, o que faz muita diferença para grande parte deles.

Levando em conta esta demanda, a cidade passará a contar ainda este ano com um serviço fixo que se assemelha ao que é ofertado no Ginásio. O equipamento será um centro de acolhida que terá regras semelhantes às que existem hoje no serviço que, até então, é oferecido somente durante os dias mais frios. A Secretaria identificou que é necessário que ele seja permanente para que, de fato, possa atender as necessidades da população. No acolhimento pernoite, serão 30 vagas oferecidas, além de acompanhamento com assistente social e psicólogo.
Outra parcela que também será contemplada com um novo serviço em Mogi, que também deverá começar a funcionar até o final deste ano, são os idosos que viviam nas ruas e hoje em dia não conseguem mais sobreviver desta forma. Então, eles precisam de acolhimento.
Dentro das 156 vagas fixas do acolhimento mogiano, são cerca de 20 idosos que estão institucionalizados e não conseguem mais viver sozinhos nas ruas. Muito disso porque têm problemas de saúde ou sofreram acidentes, como atropelamentos e quedas, e se movimentam com muita dificuldade agora.

“Nós precisamos ter um local que atenda só idosos e vamos abrir 20 vagas fixas nesse novo serviço. Elas são destinadas para pessoas em situação de rua que envelheceram e não conseguem mais retornar para o convívio familiar e não conseguem ficar em outras instituições para idosos, porque alguns ainda fazem o uso de álcool, eles costumam falar muito palavrão. Então, precisa ser um atendimento diferenciado”, explica a secretária municipal de Assistência Social, Celeste Xavier Gomes.

Entre os idosos que estão institucionalizados hoje, todos são homens. Muitos deles fazem uso de medicação e precisam de cuidados que não conseguem mais que sejam vindos de amigos e familiares e, por isso, precisam do serviço municipal. 

35,8 mil recebem o Auxílio Brasil 

O número de famílias beneficiadas pelo Auxílio Brasil aumentou 10,72% em Mogi das Cruzes nos últimos três meses. Enquanto em maio eram 32.411 beneficiadas, o número saltou para 35.888. O crescimento se deu por conta de uma liberação do Governo Federal, que contemplou 3.477 famílias que estavam na fila para receber o benefício na cidade.

“Hoje, todo mundo que está cadastrado recebe o Auxílio, mas algumas pessoas estão com o cadastro inativo ou não fizeram a atualização cadastral, porque temos os casos de pessoas que recebiam e deixaram de receber porque arrumaram um emprego. Depois, ficaram desempregadas de novo, recentemente, e ainda está em análise na base de dados. Em julho, cerca de 1.800 famílias se inscreveram no Cadastro Único e agora precisam esperar pela liberação”, explica a secretária de Assistência Social, Celeste Xavier Gomes. Com base nos dados de agosto, cada família recebe hoje em Mogi uma média de R$ 611,95. O valor ainda é baixo para aqueles que precisam sustentar uma família, tendo em vista a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, divulgada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), em maio, que apontou que o salário mínimo necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas deveria ser de R$ 6.527,67, ou 5,39 vezes o mínimo de R$ 1.212,00. Além disso, de acordo com a pesquisa, uma cesta básica custa, em média, R$ 777,01 na capital paulista, ficando apenas um pouco mais barata em Mogi. 

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