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Secretário admite demora na liberação de vaga para garoto picado por cobra

O secretário de Saúde de Mogi das Cruzes, Zeno Morrone Júnior, admite que houve demora na liberação de vaga pela Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross), do Governo do Estado, para remoção do garoto João Victor Delfino Laurentino, 11 anos, da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Rodeio ao Hospital Luzia de […]

Por O Diário
17/10/2022 16h49, Atualizado há 46 meses

O secretário de Saúde de Mogi das Cruzes, Zeno Morrone Júnior, admite que houve demora na liberação de vaga pela Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross), do Governo do Estado, para remoção do garoto João Victor Delfino Laurentino, 11 anos, da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Rodeio ao Hospital Luzia de Pinho Melo, em Mogi das Cruzes. O menino foi vítima de mordida de cobra no último dia 6 de outubro e morreu nesta segunda-feira (17), após 11 dias de internação na unidade hospitalar.

Desde o fechamento do Pronto-Socorro do hospital, que a partir de 1 de fevereiro de 2021 deixou de funcionar no sistema portas-abertas, a Prefeitura vem chamando atenção para a necessidade para reabertura do serviço, o que também vem cobrado dos candidatos ao Governo do Estado por este jornal.

Segundo o secretário, o Hospital Luzia apenas recebe pacientes transportados ao local por ambulância. “Se a pessoa for para lá levada com veículo comum, não entra. Então, a recomendação é que, em casos como este em que o garoto foi picado por uma cobra, a ambulância seja chamada para fazer a locomoção direto para o hospital, que é referência na região para este tipo de atendimento. Não é para mexer na ferida em casa. Muita gente acha que tem que fazer garrote ou torniquete, mas isso não deve ser feito, proque pode levar até a perda de um membro, já que o veneno é muito tóxico”, orienta.

Morrone também enfatiza que, de acordo com a cronologia de atendimento, o paciente chegou à UPA do Rodeio às 19h38 e, 12 minutos depois, ou seja, às 19h50, passou pela médica, sendo inserido no Cross às 20h03. “Neste momento, foi levado à sala de medicação para tomar analgésico, enquanto esperava a liberação de vaga no hospital, o que demorou e ocorreu apenas 1h20 depois, às 21h26. A viatura foi chamada às 21h36, chegou às 22h05 na unidade, saiu às 22h16 da UPA e chegou ao Luzia às 22h23. Logicamente que a situação da criança vai ficando gradativamente mais complicada por causa do veneno. Quanto maior a demora, mais complicado”, detalha, enfatizando que a pasta “lamenta profundamente” o ocorrido.

Familiares do garoto também reclamam da demora na transferência entre a UPA do Rodeio e o Hospital Luzia, onde o soro contra o veneno da cobra teria sido aplicado às 3h30 do dia seguinte à picada.

Na tarde desta segunda-feira (17), o secretário disse a O Diário que acertou uma mudança no sistema de remoção em conversa com a direção do Luzia de Pinho Melo. “Quando a pessoa vai para uma UPA é necessário colocar a demanda no Cross, mas independentemente da liberação, a partir de agora, já vamos chamar imediatamente a ambulância e fazer o deslocamento ao hospital”, anuncia.

 

Procurada por O Diário, a Secretaria de Estado da Saúde lamentou o ocorrido e informou que o paciente deu entrada no Hospital Luzia de Pinho Melo, transferido de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e, de imediato, começou a receber toda a assistência. “A unidade, que é referência na região para este tipo de atendimento, tinha o soro antiofídico disponível. Desta forma, a criança recebeu o soro de forma adequada e passou por hemodiálise”, trouxe a nota encaminhada nesta segunda-feira (17).

Orientações

Morrone considera que a morte de João Victor acende o alerta para os riscos de casos envolvendo animais peçonhentos, principalmente escorpiões e cobras, durante as estações mais quentes e chuvosas. “Esta é uma época de acasalamento e os animais acabam saindo mais em busca de alimentos então deve-se evitar áreas com mato”, orienta.

Como medidas importantes de proteção para evitar acidentes, a Secretaria de Saúde aponta o uso de calçados fechados, de preferência de cano alto, ao andar ou trabalhar em áreas rurais, de mata ou ambientes próximos, bem como o uso de luvas grossas para manipular folhas secas, lixo, lenha, palhas, etc. Não não se deve colocar as mãos em buracos e é preciso tomar cuidado ao revirar cupinzeiros, além de não acumular lixo e entulho. 

A pasta alerta, ainda, que em caso de acidente, quanto mais tempo o paciente passar sem atendimento, mais graves serão as consequências dos efeitos do veneno no organismo, por isso a importância de um auxílio médico rápido e eficiente. Até o atendimento médico, a recomendação é manter o acidentado preferencialmente deitado com o membro picado elevado; manter a calma e lavar o local com água e sabão. Nunca se deve fazer o uso de torniquetes (garrotes), incisões ou passar substâncias (folhas, pó de café, couro da cobra etc.) no local da picada. Essas medidas aumentam a chance de complicações como infecções, necrose e amputação de um membro.

O auxílio médico mais próximo deve ser procurado imediatamente para que o acidentado receba o soro antiofídico, que é o único tratamento eficaz para o envenenamento por serpente e específico para cada tipo (gênero) de cobra. Quanto antes for iniciada a terapia com soro, menor será a chance de haver complicações, mas como a administração ocorre por via intravenosa (por meio das veias), não deve ser feita fora do ambiente hospitalar, pois pode provocar reações alérgicas graves com necessidade de tratamento imediato.

 

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