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Segunda igreja mais antiga de Mogi passa por reforma e precisa de ajuda

Com a troca de janelas e colocação de vitrais teve início a segunda etapa das obras de restauração do Santuário do Bom Jesus (Igreja de São Benedito), localizado na esquina das ruas Ricardo Vilela e Doutor Corrêa, no centro de Mogi das Cruzes. A primeira fase foi realizada, às pressas, nos dois últimos anos, depois […]

Por O Diário
06/04/2022 09h20, Atualizado há 52 meses

Com a troca de janelas e colocação de vitrais teve início a segunda etapa das obras de restauração do Santuário do Bom Jesus (Igreja de São Benedito), localizado na esquina das ruas Ricardo Vilela e Doutor Corrêa, no centro de Mogi das Cruzes. A primeira fase foi realizada, às pressas, nos dois últimos anos, depois que uma chuva muito forte se infiltrou pelo telhado, até então com muitos problemas, e transformou o interior da segunda igreja mais antiga da cidade, numa verdadeira cachoeira, molhando altares, imagens sacras, piso e até mesmo as belíssimas pinturas que ocupam a parte superior do forro daquele templo.

Num trabalho emergencial e de urgência, foi feito o restauro do telhado que suportou bem as recentes chuvas, comprovando a qualidade da obra, que custou perto de R$ 70 mil aos cofres da igreja, a qual sempre contou com a participação efetiva e apoio da comunidade mogiana, em especial de seus frequentadores.

Na fase atual, até a manhã desta terça-feira (5) já haviam sido trocadas sete janelas, faltando apenas outras três, que deveriam ser assentadas até o final da tarde daquele dia. Após as janelas, será feita a instalação de dez vitrais, sendo cinco maiores, na fachada do prédio da igreja e outros cinco menores, nas laterais. Todos esses vitrais, que seguem modelos retrôs, como os instalados na Catedral de Santana, foram doados por famílias que frequentam as missas e outras atividades no templo e estão sendo colocados por pessoal especializado da Construtora MPD e da Helbor Empreendimentos, do empresário Henrique Borenstein.

Os vitrais da fachada frontal terão os seguintes temas: Divino Espírito Santo, São José, São Benedito, Santana e o brasão da Diocese. Na fachada lateral direita,  Nossa Senhora Aparecida, Eucaristia, Ostensório e anjo em adoração. E na esquerda, Nossa Senhora de Fátima.

Segundo o padre Marcos Sulivan, reitor do Santuário do Bom Jesus, “as janelas feitas de madeira estavam podres, e os vitrôs e janelas de ferro já enferrujados e sem condições de garantir segurança para a igreja e fiéis. Por isso, foi necessária a troca”.

Terminada esta etapa da restauração, começa outra, bem mais complicada, pois vai se mexer no para-vento, uma estrutura que sustenta o coro da igreja, localizado na parte dos fundos, que vai exigir toda a perícia do pessoal especializado nesse tipo de obra, que irá trabalhar obedecendo ao projeto da arquiteta paulistana Vanessa Krami, também especialista em restauros de igrejas. Ela já teve oportunidade de demonstrar a qualidade de seu trabalho na recuperação da Igreja de Nossa Senhora D’Ajuda, outra das mais antigas da região do Alto Tietê, localizada no município de Itaquaquecetuba.

“Foi um trabalho perfeito e que nos levou a contratar seus serviços para a obra no Santuário do Bom Jesus”, diz o padre Sulivan.

Depois de resolvidos os problemas do para-vento, que receberá imagens do Sagrado Coração de Jesus e Sagrado Coração de Maria, serão realizadas as demais etapas da obra, que incluem rachaduras em paredes de taipa, o retábulo de madeira do altar, outros pontos do altar principal, como o forro sobre ele, além das pinturas sacras, que deverão merecer uma atenção muito especial dos especialistas nesse tipo de trabalho.

E é por conta de todos esses gastos que o padre Marcos Sulivan está pedindo a colaboração da comunidade mogiana e de empresas que possam colaborar, de alguma forma, com o andamento dos trabalhos.

“Construída em 1781, o Santuário é a segunda mais antiga igreja de Mogi, ficando atrás somente das Igrejas do Carmo. É, portanto, um patrimônio histórico da cidade, que merece ser restaurado e preservado”, diz o sacerdote, contando com o apoio da população da cidade, assim como de entidades, empresas e quem mais possa colaborar para a continuidade dos serviços.

O projeto de restauração do Santuário do Bom Jesus/Igreja de São Benedito foi iniciado pelo padre Sulivan em 2018. No ano seguinte, de posse do trabalho da arquiteta Vanessa Krami, o projeto foi enviado Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e ao Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat) para as devidas aprovações, o que somente aconteceu no ano de 2020. Naquele mesmo ano, aconteceu a chuvarada que acabou por detonar de vez o telhado, que já apresentava uma série de imperfeições, telhas quebradas, infiltrações, problemas com calhas e rufos, entre outros. Por isso, o trabalho teve de ser iniciado, de maneira emergencial, justamente por ali.

Como colaborar

Para quem quiser colaborar com a reforma do Santuário do Bom Jesus, está disponível uma conta no Banco do Brasil, que pode ser acessada da seguinte forma:

Agência – 6535-8

Conta Corrente – 902.082-9

Santuário do Senhor Bom Jesus

CNPJ: 52.580.453/0001-38

Chave Pix: 1193393-2183

Mitra Diocesana de Mogi das Cruzes

Uma história que começa no ano de 1781, em Mogi

Há controvérsias sobre o ano de fundação do Santuário do Bom Jesus, em Mogi. Há quem aponte o ano de 1747, mas segundo apurou a arquiteta Vanessa Krami, autora do projeto de restauro do templo, a igreja foi fundada por José de Carvalho Pinto, em 1781, por meio de uma autorização do bispo de São Paulo, frei Manoel da Ressurreição.

Construída entre o final do século XVIII e início do século XIX, com paredes de taipa, a igreja apresenta, na parte superior de sua fachada, segundo a arquiteta, “ser obra mais recente, executada em alvenaria de tijolos, assim como o edifício anexo, localizado nos fundos do terreno”.

“As janelas da fachada frontal, executadas em caixilho metálico e vidros coloridos, possuem arcos em ogiva e provavelmente foram instaladas na década de 1970, substituindo as antigas, de madeira”, descreve a profissional, lembrando que a nave, os corredores laterais , a capela do Santíssimo, secretaria e circulação do pavimento térreo possuem pisos em ladrilho hidráulico.No coro, torre, depósito, sala de reunião, altar-mor e presbitério o piso é em tréguas de madeira, aponta Krami.

Ela descreve outros aspectos do imóvel e conclui, afirmando que “o templo não é tombado, nem encontra-se em processo de tombamento, mas está situado na área envoltória do Convento e Igrejas das Ordens Primeira e Terceira do Carmo, patrimônio cultural tombado pelo Condephaat e Iphan”.

A arquiteta também detalha em seu projeto todos os cuidados especiais a serem tomados para se garantir a qualidade de restauração, buscando se aproximar ao máximo das formas e aspectos originais do imóvel.

Um exemplo disso são as regras determinadas por ela para o restauro de portas de madeira da fachada frontal, tendo como objetivo a recuperação da leitura do desenho das esquadrias e a manutenção de suas integridade física, sem modificar suas características originais:

Krami determina que “sejam executadas prospecções cromáticas nas esquadrias antes do restauro das mesmas e deixar as estratigrafias (camadas de tinta superpostas) que estiverem em melhor estado, localizadas nos batentes de algumas esquadrias, como testemunhos das várias  intervenções  que ocorreram na edificação  e como justificativa à cor escolhida para a nova pintura”.

Já no caso do altar de Nossa Senhora Aparecida, ela recomenda, por exemplo, a “remoção cuidadosa da camada de douração com purpurina, sobre a douração com folha de ouro, por meio do uso de produtos químicos solventes, definidos após testes de limpeza, como xilol, álcool etílico, aguarrás mineral, amônia ou acetona”. Em outro momento, ela recomenda  a aplicação de folha de ouro verdadeira, de 22 quilates, nas partes faltantes, por meio da técnica  de douramento tradicional europeia”.

Segundo Krami, “todo projeto de restauro ou da construção de um novo espaço para um edifício litúrgico deve atender às necessidades funcionais da atual liturgia e, tão ou mais importante, manter a beleza intrínseca das coisas de Deus”. Conforme a arquiteta, “as intervenções propostas estão em perfeito acordo com a Introdução Geral sobre o Missal Romano, documento que determina a disposição e ornamentação de igrejas” assegura. 

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