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Setores são impactados com afastamento de trabalhadores por causa da alta contaminação

A nova onda atípica de doenças respiratórias, com a explosão de novos casos de Covid-19 e um surto gripal, provocado pelo Influenza, está afetando o sistema de saúde, a indústria, comércio, varejo e serviços. São setores que enfrentam dificuldade com o grande número de trabalhadores infectados, afastados de suas funções para evitar a disseminação do […]

Por O Diário
22/01/2022 14h11, Atualizado há 55 meses

A nova onda atípica de doenças respiratórias, com a explosão de novos casos de Covid-19 e um surto gripal, provocado pelo Influenza, está afetando o sistema de saúde, a indústria, comércio, varejo e serviços. São setores que enfrentam dificuldade com o grande número de trabalhadores infectados, afastados de suas funções para evitar a disseminação do contágio dos vírus, fazendo com que as empresas tenham que arcar com pagamento de horas extras para suprir o déficit, remanejar profissionais e voltar ao home office. 

A indústria do Alto Tietê registrou aumento 62% de casos de trabalhadores com Covid-19 neste mês de janeiro. O setor constatou ainda uma elevação de 93% nos casos de gripe neste ano. Os dados são de uma pesquisa de amostragem realizada pelo Grupo de Recursos Humanos (GRH) do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), com empresas da região que atuam em diferentes segmentos da indústria de transformação nas cidades de abrangência da entidade.

De acordo com a diretoria regional do Ciesp, num universo de 3.500 trabalhadores das empresas pesquisadas, a proporção é de 2,61% afastamentos em decorrência do Influenza, o que corresponde a 90 pessoas. As infecções pelo coronavírus representam 1,40%, ou seja, 48 trabalhadores testaram positivo para a doença.

“A indústria, assim como outros setores produtivos, está sentindo os impactos desse aumento significativo dos casos de gripe e mesmo de Covid, ainda que com quadros mais leves. Ambas as situações, no entanto, são de rápida transmissão e, portanto, o afastamento acaba sendo inevitável. Com isso, há alteração em toda a rotina de produção das fábricas e em segmentos que estão com alta demanda, é preciso rapidamente cobrir as faltas”, ressalta Newton Bianchi, coordenador do GRH do Ciesp Alto Tietê.

O Sindicato do Comércio Varejista de Mogi das Cruzes e Região informa que há muitos funcionários afastados. O presidente da entidade, Valterli Martinez explica que os percentuais estão próximos a 15% dos empregados do setor com suspeita ou afastamento pelo Covid-19 ou H3n1. Isso representa aproximadamente 3 mil funcionários em todo Alto Tietê. Apesar disso, ele alega que não chega a 1% de número de estabelecimentos na Região fechados por conta do problema. 

“Estamos reiterando aos comerciantes que reforcem todos os procedimentos de higienização e os protocolos de saúde, principalmente na utilização de álcool em gel, uso máscara, distanciamento no interior da loja e evitar aglomeração até a estabilização desta nova fase de contaminação”, orienta. 

Embora não haja um levantamento de quantos funcionários foram afastados em decorrência do aumento de casos de gripe, a Associação Comercial de Mogi das Cruzes (ACMC) também identificou junto aos comerciantes da cidade que a situação tem gerado baixa no quadro de colaboradores, o que impacta negativamente as expectativas de vendas para esse início do ano. 

A entidade explica que realiza cerca de 10 ligações por dia para comerciantes de vários segmentos e bairros do município para acompanhar os casos e tem identificado que a maioria dos afastamentos é motivada por quadros de gripe.  Segundo a Associação, cerca de 45% dos comércios pesquisados afastaram colaboradores em decorrência do vírus Influenza.

“Para evitar que o cenário se agrave e os casos cresçam de maneira alarmante, a ACMC está com uma campanha de orientação aos comerciantes destacando a importância de manter e reforçar os protocolos sanitários”, diz a presidente Fádua.  A Associação, segundo ela, vem apoiando as ações da administração municipal para prevenir as doenças e acredita que “as medidas preventivas são essenciais para evitar o retorno de medidas restritivas para o comércio, especialmente, em um momento de recuperação econômica.

Em Mogi, a Prefeitura registrou o afastamento de 16 funcionários da saúde no período de 1 a 10 de janeiro, por gripe e suspeitas e casos confirmados de coronavírus. Nesta quinta-feira (20/02), a Administração confirmou que 12 servidores da Secretaria de Saúde estão afastados por Covid-19.   

 

Casos de Covid-19  triplicam nos primeiros dias deste ano

Os números de casos de Covid-19 são alarmantes e triplicaram neste mês. Mas, mesmo assim, os especialistas comentam que nada se compara aos números de 2021 e que a vacina é principal aliada nesse processo.

A Secretaria Municipal de Saúde teve, nesta semana, a confirmação de 25 casos da Ômicron de notificações registrados de janeiro e dezembro do ano passado. Somente nos primeiros 17 dias de janeiro, 1.478 novos casos. As internações têm aumentado: até quinta-feira (20), havia 51 leitos ocupados (12 UTI e 39 enfermaria). No dia 10 de janeiro,  eram 5 leitos de UTI e 11 de enfermaria ocupados. Porém, só ocorreu 1 óbito no período.

“A situação está muito melhor agora, porque as pessoas estão morrendo menos, apesar dos altos níveis de infecção porque temos um bom nível de vacinação”, pontua o médico sanitarista Sérgio Zanetta que, mesmo assim, chama atenção para a necessidade de reforçar os protocolos de segurança contra a doença.

O secretário de Saúde, Zeno Morrone, também destaca a importância da vacina e diz que Mogi mantém um esquema com agendamento online para todas as doses. 

Até o momento, já foram aplicadas 818.532 doses na cidade. Entre os dias 3 e 19 de janeiro, mais de 30 mil doses de reforço. Foram imunizadas 420 crianças no último domingo e liberadas no sistema mais de mil vagas de agendamento para o próximo final de semana.

 

Testes só para pacientes graves

Mogi das Cruzes, a exemplo de outras cidades, restringe a aplicação dos testes neste período de alta demanda de casos de Covid-19 por causa da escassez do produto. Atualmente, a Secretaria Municipal de Saúde só vem aplicando os testes em pacientes com sintomas graves, comorbidades, uma situação criticada por especialistas que defendem a realização dos exames para que o município possa ampliar as estratégias de enfrentamento da doença.

A falta de testes neste momento que a população enfrenta também um surto gripal deixa a situação ainda mais complicada, na avaliação de profissionais da área. Como os sintomas são parecidos, as pessoas lotam as unidades de saúde em busca de um diagnóstico e acabam voltando para casa sem saber se estão com a Covid-19, gripe ou com as dois, a chamada Fluona. 

“Você chega no posto sentindo mal. Eles te receitam um remédio e mandam para casa sem fazer teste nenhum”, comenta Maria do Carmo, nas redes sociais de O Diário, ao relatar que seus dois filhos foram ao posto com suspeita de Covid-19, mas por falta de teste na unidade, tiveram que fazer o exame  na rede particular e testaram positivo. “Lamentável. Se não faz testes, o risco de contaminar mais pessoas é maior” alerta. 
Os testes, como enfatiza a Secretaria de Saúde, vêm sendo realizados apenas em pacientes mais graves. 

Nesta semana, a pasta relata que aplicou uma média de 600 a 700 por dia, feitos mediante solicitação médica, utilizando o PCR – Swab nasal. A Prefeitura diz que comprou 25 mil testes e também aguarda envio de materiais por parte do Governo do Estado.

Para evitar superlotação nas unidades, que registram aumento de 40% na demanda neste inicio de ano, e as longas filas de pessoas para fazer os exames, o secretário municipal de Saúde, Zeno Morrone, orienta a população a só procurar atendimento se tiver com sintomas mais acentuados.

Ele diz que, de maneira geral, todos os pronto- atendimentos possuem espera, porém são adotadas classificação de risco para priorização dos atendimentos mais urgentes. Para fazer o atendimento, a Prefeitura instalou uma tenda no Hospital Municipal de Braz Cubas.

O biomédico Marcello Cusatis, ex-secretário de Saúde de Mogi e diretor do Hospital Santa Maria de Suzano, diz que população precisa ter acesso aos testes de Covid-19. “Enquanto outros países facilitaram, baratearam as cosias, o Brasil dificulta tudo. O país precisa testar, e continua errando nisso. Não tem sentido essa dificuldade toda. O dinheiro público é finito, mas tenho certeza que os prefeitos vão conseguir capitalizar para fazer testes baratos. Isso e também disponibilizar o autoteste, em consulta na Anvisa”, comenta.

A Prefeitura, explica, no entanto, que segue as orientações da Organização Mundial da Saúde e a Organização Pan-Americana da Saúde, que publicaram um alerta epidemiológico sobre o uso racional de testes de diagnóstico para Covid-19. “Além de nortear as indicações, o documento prevê situações em que o teste não é recomendado: indivíduos assintomáticos (inclusive contatos com eventuais casos confirmados), como requisito para sair do isolamento e para acessar espaços públicos”.

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