Sindicato dos Metalúrgicos de Mogi diz que fechamento da Ford deve afetar Região
Nesta segunda-feira (11), a Ford anunciou o fim da produção de carros da marca no Brasil. Com isso, 5 mil empregos diretos serão perdidos, principalmente, no País, mas também na Argentina. A decisão, entretanto, afeta outros municípios, como é o caso de Mogi das Cruzes. O vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da cidade, David Martins […]
12/01/2021 11h16, Atualizado há 67 meses
Nesta segunda-feira (11), a Ford anunciou o fim da produção de carros da marca no Brasil. Com isso, 5 mil empregos diretos serão perdidos, principalmente, no País, mas também na Argentina. A decisão, entretanto, afeta outros municípios, como é o caso de Mogi das Cruzes. O vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da cidade, David Martins de Carvalho, acredita que no total mais de 15 mil funcionários serão demitidos contando os cargos indiretos e explica que no município e no Alto Tietê os prejuízos chegarão à indústria de autopeças.
A montadora já havia encerrado, em 2019, a produção de caminhões em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, e agora informou que vai fechar as demais fábricas no Brasil. Uma delas fica em Camaçari (BA), onde produz EcoSport e Ka; a outra em Taubaté (SP), de motores; e Horizonte (CE), responsável pelos jipes Troller.
O grupo emprega no total 6,1 mil funcionários, mas permanecem em território nacional a sede administrativa da montadora na América do Sul, em São Paulo, o centro de desenvolvimento de produto, na Bahia, e o campo de provas de Tatuí (SP).
“De qualquer forma atinge nossa Região, porque são empresas da cadeia de fornecedores da Ford. Muitas empresas serão afetadas. É um baque muito grande não só para nós mas para todo País, porque serão muitos desempregados. O Governo Federal deixar uma empresa com mais de 100 anos no Brasil fechar é uma falta de responsabilidade. Os estados também têm culpa e não respeitaram aos trabalhadores. Com isso, é possível ver que o Governo Federal não está preocupado com emprego, só com reeleição”, ressalta Carvalho.
Ele diz ainda que o consumidor que comprou um carro da marca recentemente também fica desamparado, já que resta uma insegurança sobre a venda de peças e a manutenção dos veículos. Segundo a Ford, a marca estará ativamente presente no Brasil com a Rede de Concessionários e continuará oferecendo assistência total ao consumidor com operações de vendas, serviços, peças de reposição e garantia.
A empresa aifrmou que “está anunciando uma restruturação de suas operações na região que permitirá ter um modelo de negócios ágil e sustentável no Brasil e América do Sul, apoiado em seus pontos fortes globais em SUVs, picapes e veículos comerciais. (…) Além disso, a pandemia global do Covid-19 ampliou os desafios do negócio, com persistente capacidade ociosa da indústria e redução das vendas na América do Sul, especialmente no Brasil”.
Ciesp
A direção do CIESP Alto Tietê, antes de mais nada, lamenta o fechamento de uma planta industrial do porte da Ford, no Vale do Paraíba. Apesar do impacto principal ser na região onde a empresa funcionava há décadas, o fim das atividades reflete também em outras regiões do Estado, como o Alto Tietê, onde há empresas de autopeças que fornecem para montadoras.
“Os reflexos para a rede de fornecedores são inevitáveis. Ainda que a empresa já viesse há algum tempo sinalizando para esse fim, o encerramento das atividades afeta trabalhadores, a economia da cidade, da região e, em pequena ou grande escala, quem eventualmente ainda fornecia itens para a produção da Ford”, ressalta Renato Rissoni, vice-diretor do Ciesp Alto Tietê.
Ele pondera que o setor industrial vem reagindo e há perspectiva de uma retomada mais acelerada a partir do segundo trimestre deste ano, o que leva a avaliar o fechamento da Ford como um caso isolado.
Fiesp
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) emitiu uma nota comentando o assunto. Confira na íntegra:
“A decisão da Ford de fechar suas fábricas no Brasil, depois de mais de 100 anos de atividade, é uma triste notícia para o país e um movimento que tem de ser olhado com atenção. A Fiesp tem alertado sobre a necessidade de se implementar uma agenda que reduza o custo Brasil, melhore o ambiente de negócios e aumente a competitividade dos produtos brasileiros. Isso não é apenas discurso. É a realidade enfrentada pelas empresas.
A alta carga tributária brasileira faz diferença na hora da tomada de decisões. O custo de cada automóvel produzido aqui, por exemplo, dobra apenas por conta dos impostos – e ainda há governantes que pensam no absurdo de aumentar tributos, como no caso da inacreditável alta do ICMS em São Paulo. Precisamos urgentemente fazer as reformas estruturais, baixar impostos e melhorar a competitividade da nossa economia para atrair investimentos e gerar os empregos de que o Brasil tanto precisa.”