Cadeirinha salva vidas: ortopedista pediátrico do Imot fala sobre fraturas, sequelas e riscos de acidentes com crianças sem o uso do assento especial
Doutor Rodrigo Sbeghen Pascoalino alerta: o não uso da cadeirinha eleva drasticamente o risco de traumas graves, sequelas ortopédicas e até mortes em acidentes automobilísticos envolvendo bebês e crianças.
20/05/2025 16h35, Atualizado há 10 meses
Uso da cadeirinha reduz em até 70% o risco de morte em acidentes | FreePik

Acidentes de trânsito continuam sendo uma das principais causas de morte e lesões graves em crianças no Brasil e no mundo. Embora a legislação brasileira exija o uso de dispositivos de retenção — como bebê conforto, cadeirinha e assento de elevação —, a negligência ou o uso incorreto desses equipamentos ainda é alarmante. As consequências, infelizmente, são frequentemente trágicas.
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o uso adequado da cadeirinha pode reduzir em até 70% o risco de morte em caso de colisão. No entanto, quando esse item é ignorado, os riscos se multiplicam — e as fraturas e sequelas ortopédicas tornam-se protagonistas de um cenário evitável.
As fraturas mais comuns
Em acidentes envolvendo crianças desprotegidas, os tipos de fraturas variam conforme a idade, o porte físico da criança e a dinâmica do acidente. No entanto, há padrões clínicos frequentemente observados:
- Fraturas cranianas: Em bebês e crianças pequenas, o crânio ainda está em formação e é altamente vulnerável a impactos. A ausência de cadeirinha favorece o deslocamento abrupto do corpo, causando fraturas do osso parietal ou occipital, que podem resultar em lesões neurológicas irreversíveis;
- Fraturas de fêmur: O fêmur, por ser um osso longo e forte, geralmente fratura em traumas de alta energia, como colisões frontais sem proteção. Estas fraturas exigem imobilizações prolongadas ou até cirurgias com hastes intramedulares;
- Fraturas da coluna cervical: Em crianças menores de 2 anos, a musculatura cervical ainda não está totalmente desenvolvida, o que as torna suscetíveis a fraturas vertebrais — especialmente quando o impacto ocorre com a cabeça projetada para frente, como em freadas bruscas;
- Fraturas de úmero e rádio-ulna (braço e antebraço): Comuns em crianças que são projetadas dentro do veículo ou sofrem impacto lateral. O tratamento geralmente requer imobilização com gesso, mas em casos mais graves, cirurgia.
Sequelas ortopédicas e riscos permanentes
As fraturas em si já representam um trauma físico e emocional significativo, mas as sequelas podem ser ainda mais devastadoras. Entre as mais frequentes estão:
- Deformidades ósseas: Fraturas com desalinhamento ou consolidação inadequada podem causar encurtamento de membros ou desvios angulares permanentes;
- Limitação de movimentos: Lesões articulares ou fraturas que afetam placas de crescimento podem comprometer a mobilidade ao longo da vida;
- Déficits neurológicos associados: Fraturas cranianas ou cervicais podem gerar paralisia parcial, epilepsia ou déficit cognitivo;
- Crescimento assimétrico: Quando a placa de crescimento é lesionada, o membro afetado pode se desenvolver de forma desigual em relação ao outro lado.
Condutas ortopédicas frente ao trauma
O atendimento ortopédico em casos de trauma infantil exige agilidade e conhecimento especializado. O protocolo geralmente inclui:
1. Avaliação emergencial com radiografia e tomografia, especialmente em suspeita de fratura vertebral ou craniana;
2. Imobilização imediata com talas ou gesso, conforme o tipo e localização da fratura;
3. Intervenções cirúrgicas em fraturas instáveis, desalinhadas ou com comprometimento vascular/neurológico;
4. Acompanhamento fisioterapêutico e ortopédico contínuo, com foco na reabilitação e na prevenção de sequelas;
5. Monitoramento do crescimento ósseo, principalmente em crianças menores, para detectar eventuais deformidades de desenvolvimento.
A importância da prevenção
Cadeirinha não é opcional!
A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (ABRAMET) reforçam: o uso da cadeirinha, de acordo com a faixa etária e peso da criança, é essencial e obrigatório por lei.
As diretrizes atuais indicam:
• Bebê conforto: do nascimento até 13 kg (ou cerca de 1 ano), sempre de costas para o movimento.
• Cadeirinha: de 1 a 4 anos, ou até 18 kg.
• Assento de elevação: de 4 a 7,5 anos, ou até 36 kg.
• Cinto de segurança do veículo: a partir de 7,5 anos e altura mínima de 1,45 m.
Além do uso correto, é essencial que o equipamento esteja bem instalado e fixado com o cinto ou sistema ISOFIX. Não basta ter a cadeirinha — é preciso utilizá-la com responsabilidade.
Conclusão
A ortopedia pediátrica lida diariamente com as consequências da ausência de prevenção. Fraturas graves, sequelas motoras e traumas emocionais poderiam ser evitados com uma atitude simples: colocar a criança na cadeirinha certa.
Mais do que uma exigência legal, a cadeirinha é um gesto de cuidado, proteção e amor. Porque a segurança no trânsito começa com os menores — e com a responsabilidade dos adultos.
Sobre o Imot
O IMOT é um dos maiores institutos especializados em Ortopedia e Traumatologia do Brasil. Atualmente conta com duas unidades, nas cidades de Mogi das Cruzes e Suzano, na Grande SP, com pronto atendimento, consultas, fisioterapia e diversos tratamentos especializados. O pronto atendimento funciona todos os dias na unidade mogiana, das 8h às 22h. A unidade de Mogi conta ainda com o Imot Care, um andar inteiro pensado para tratamento e prevenção de fraturas e contusões, além de 11 especialidades médicas em diferentes áreas. Já a Imot Move Saúde é uma clínica do movimento e promoção de saúde, que atende no 2º andar do prédio. Para mais informações, acesse o site do Imot.