‘Alta do dólar e combustíveis pode ser reflexo dos conflitos internacionais’, diz economista de Mogi das Cruzes
Segundo o especialista Paulo Pereira, de Mogi das Cruzes, crises geopolíticas costumam gerar instabilidade nos mercados globais e provocar efeitos que se espalham rapidamente por diversos países
08/03/2026 16h38, Atualizado há 1 mês
Imagem ilustrativa sobre a alta do dólar e dos combustíveis | Divulgação
“Mesmo quando acontecem longe do Brasil, conflitos internacionais acabam chegando ao bolso do consumidor”, afirma o professor de princípios econômicos do Centro Universitário Braz Cubas, Paulo Pereira, ao analisar os possíveis reflexos da escalada de tensões entre Estados Unidos, Israel e Irã na economia brasileira.
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Segundo o especialista de Mogi das Cruzes, crises geopolíticas costumam gerar instabilidade nos mercados globais e provocar efeitos que se espalham rapidamente por diversos países.
“Hoje o sistema econômico mundial é altamente interligado. Qualquer tensão internacional relevante pode provocar oscilações nos mercados financeiros, afetar cadeias de suprimentos e alterar os preços de commodities importantes, como petróleo e alimentos”, explica.
De acordo com ele, um dos primeiros reflexos costuma aparecer no câmbio. Em momentos de incerteza, investidores ao redor do mundo tendem a direcionar recursos para ativos considerados mais seguros, principalmente nos Estados Unidos.
“Esse movimento aumenta a procura pela moeda americana e faz o dólar se valorizar frente a diversas moedas, incluindo o real. Quando isso acontece, o Brasil sente rapidamente os impactos”, afirma.
Dados recentes do mercado mostram que essa reação já começou a aparecer após os ataques no Oriente Médio. Nos primeiros dias de tensão, o dólar chegou a subir a R$ 5,28 durante o pregão.
Para Pereira, a valorização da moeda americana tende a pressionar diversos setores da economia brasileira, principalmente aqueles que dependem de produtos importados.
“Quando o dólar sobe, insumos e produtos importados ficam mais caros. Isso afeta diretamente setores como eletrônicos, medicamentos, peças industriais e combustíveis. Em muitos casos, parte desses custos acaba sendo repassada ao consumidor final”, diz.
O professor destaca que o petróleo costuma ser um dos primeiros indicadores a reagir em momentos de conflito internacional.
“Quando há instabilidade em regiões estratégicas para a produção ou transporte de petróleo, o mercado reage rapidamente. Se o preço do barril sobe no mercado internacional, os combustíveis tendem a acompanhar esse movimento”, afirma.
Ele explica que esse aumento não afeta apenas quem abastece veículos.
“O combustível é um insumo fundamental para o transporte de mercadorias. Quando o diesel ou a gasolina ficam mais caros, o custo do frete aumenta e isso acaba impactando diversos produtos que chegam aos supermercados”, observa.
De acordo com o especialista, esse efeito pode gerar pressão inflacionária caso a instabilidade internacional se prolongue.
“Quando temos aumento simultâneo no preço do petróleo, valorização do dólar e alta das commodities, cria-se um ambiente mais propenso à inflação. Combustíveis, alimentos e produtos importados costumam ser os primeiros a registrar aumentos”, explica.
Nesse cenário, segundo ele, a política monetária também pode ser impactada.
“Se a inflação começa a subir, o Banco Central tende a manter os juros elevados por mais tempo para tentar conter o avanço dos preços. Isso pode desacelerar o consumo e reduzir o ritmo de crescimento da economia”, afirma.
Além disso, Pereira destaca que períodos de instabilidade internacional costumam aumentar a cautela de empresas e investidores.
“Quando o cenário global se torna incerto, muitos projetos de investimento acabam sendo adiados. As empresas preferem esperar mais clareza antes de ampliar operações ou assumir novos riscos”, avalia.
Diante desse contexto, o especialista orienta que as famílias adotem uma postura mais cuidadosa com o orçamento.
“Em momentos de instabilidade global, é comum observar maior volatilidade nos preços de combustíveis, transporte e alguns alimentos. Por isso, o planejamento financeiro, o controle de gastos e a formação de uma reserva de emergência se tornam ainda mais importantes para atravessar períodos de maior incerteza econômica”, conclui.