Menino de 7 anos morre após ser espancado pelo pai adotivo em Guararema
Homem confessou que bateu no filho adotivo depois que ele pegou comida porque estava com fome
23/06/2023 14h08, Atualizado há 20 meses
A desconfiança da equipe médica que atendeu um menino de 7 anos levado para o Hospital Luzia de Pinho Melo, em Mogi das Cruzes, onde ele morreu, levou à denúncia um caso de violência infantil que termina de maneira trágica – segundo apura a Polícia Civil de Guararema, o pai do garoto, Marcelo Bezerra Leão, teria confessado que bateu no fiho adotivo depois que ele pegou comida porque estava com fome. O caso ainda está sendo investigado nesta sexta-feira (23).
Segundo registros iniciais, o garoto teria recebido o primeiro atendimento no hospital de Guararema e depois foi transferido para o Luzia de Pinho Melo, no Mogilar, quando veio a falecer em decorrência da gravidade do espancamento.
Alem de Marcelo Bezerra Leão, a mulher dele, que é professora, também foi detida porque teria acompanhado a agressão física e omitido ajuda à criança.
O garoto apresentava ferimentos em diversas partes do corpo e o suspeito afirmara, inicialmente, à equipe médica, que ele havia caído de uma escada. A apuração mostrou, no entanto, que em abril passado, a mesma criança havia sido encaminhada ao hospital da cidade com uma fissura no fêmur.
Do Conselho Tutelar
O caso surpreende porque o pai do garoto integrou justamente o Conselho Tutelar, que atua para proteger crianças e adolescentes da violação de direitos e violência.
O agressor é conhecido na cidade por integrar o Conselho Tutelar de Guararema – ele também foi eleito membro do Conselho Municipal de Saúde (como representante da sociedade civil).
Após a denúncia, a Prefeitura acionou o departamento jurídico, que, “junto ao Ministério Publico (órgão fiscalizador de conselhos municipais) avalia o caso para adotar as medidas cabíveis em relação a participação dele neste órgão”.
O caso provocou revolta em moradores da cidade onde a família é conhecida. Segundo reportagem da TV Diário, um dos irmãos da criança morta relatou que os espancamentos e agressões eram constantes.
Veja a nota divulgada pela Prefeitura de Guararema:
“Prefeitura de Guararema informa que Marcelo Bezerra Leão participou do pleito eleitoral do Conselho Tutelar do município no ano de 2019, não tendo sido eleito e tendo permanecido como suplente até a vacância de uma vaga em setembro de 2022.
Entre setembro de 2022 e fevereiro de 2023, o mesmo permaneceu apenas cinco meses no cargo, tendo pedido exoneração em fevereiro deste ano. Durante o período, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social e Habitação não recebeu nenhuma reclamação, notícia ou denúncia sobre qualquer conduta que o desabonasse.
Eleito por votação popular para a composição destinada à sociedade civil (sem que haja indicação da Administração Municipal) o senhor Marcelo ocupa cargo no Conselho Municipal de Saúde. A Prefeitura de Guararema já acionou seu Corpo Jurídico, que, junto ao Ministério Publico (órgão fiscalizador de conselhos municipais) avalia o caso para adotar as medidas cabíveis em relação a participação dele neste órgão”.