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Pesquisa aponta que 83% dos estudantes universitários enfrentam dificuldades emocionais

Sintomas mais comuns são ansiedade e depressão; Especialista em saúde mental fala sobre

Por Victoria Freitas
20/08/2025 19h28, Atualizado há 11 meses

Foto: Andy Barbour| Pexels

A vida universitária é marcada por desafios que vão muito além das salas de aula. Entre provas, trabalhos, estágios e a busca por equilíbrio na vida social, muitos jovens acabam deixando de lado a sua saúde, seja física ou mental. Uma pesquisa realizada pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), revelou que 83,05% dos universitários relataram dificuldades emocionais.

Os sintomas mais comuns foram ansiedade, depressão, distúrbios do sono, alterações alimentares e até ideação suicida. Neste cenário, especialistas reforçam a importância do cuidado integrado entre corpo e mente.

Giovanna Aragão Coqueiro, de 21 anos, é estudante do 8º semestre do curso de jornalismo e relata que passa por momentos de insegurança e ansiedade, já tendo até pensado em desistir da graduação por se sentir emocionalmente sobrecarregada. “Muitas vezes, a carga de trabalhos, prazos apertados e cobranças acabam passando do limite, principalmente quando não há orientação adequada. Ou quando você já tem muito do que lidar na sua vida pessoal“, afirma.

O também estudante de jornalismo, Gabriel Barbosa, de 23 anos, cursa o 6º período da graduação e conta que a falta de tempo livre impacta em sua saúde como um todo, sem conseguir manter uma alimentação adequada, dormir ou fazer atividades físicas. Ele ainda afirma que nunca pensou em desistir da graduação por conta de suas condições emocionais, mas reconhece que a universidade poderia adotar melhorias, como a organização da grade de horários de uma maneira mais flexível, na qual os alunos não precisassem sair tão tarde das aulas. “Num país desigual como o nosso já é natural que algumas pessoas tenham mais dificuldades que as outras em vários aspectos, quem trabalha pra pagar a graduação acaba se desgastando muito mais do que quem não precisa trabalhar pra pagar”, ressalta.

Para Mellu Alves da Costa, estudante do 8º semestre do curso de psicologia, as maiores dificuldades estão entre conseguir conciliar a vida acadêmica com as demais áreas. “Acho que conciliar estudo, trabalho e estágio tudo ao mesmo tempo, fora alguns professores não entenderem sua situação social e cobrar coisas que não estão no seu alcance mental/financeiro”. O estudante reforça que a graduação, às vezes, exige muito e o desestabiliza emocionalmente, levando até a pensar em desistir do curso. “[Penso em desistir] todo dia, só não desisto de verdade porque estou já na reta final“, desabafa.

A especialista em saúde mental e psiquiatria, Naiara Amaral explica que durante o período da graduação e dependendo do contexto de vida de cada estudante, a pressão gerada pela demanda acadêmica em soma com a demanda de outros aspectos de vida pessoal, pode contribuir no desenvolvimento de transtornos ansiosos e depressão. “Estamos em uma era de muita concorrência e exigência de altos níveis de desempenho em tudo. Com a tendência ao imediatismo, temos muito jovens com “pressa de viver”; pressa em conquistar coisas e crescer, sempre nutrindo uma crença de que estão “ficando para trás”. Contudo, temos muitos jovens lidando com problemas com autoestima, sentimento de insuficiência e vazio, se deparando com uma pressão de dar conta de tudo. Onde a frustração com certeza aparece”, ressalta.

A psicóloga ainda reforça a diferença dos sintomas considerados naturais no período universitário, de um quadro que precisa de um olhar profissional mais atento. “O que sinaliza que os sintomas ansiosos precisa de um acompanhamento profissional é a intensidade, o tempo em que os sintomas estão presentes e se traz algum tipo de prejuízo para o aluno; por exemplo, quando atrapalha sua funcionalidade”, alerta a profissional.

Além disso, Naiara compartilha práticas que podem ajudar a amenizar as dificuldades emocionais durante este período. “Uma boa estratégia é organização da rotina, de forma a trazer um equilibrio, onde responsabilidades, descanso e lazer estejam de alguma forma presentes. Manter bons hábitos como dormir bem, fazer refeições regulares que contenham nutrientes são importantíssimos para manter foco e bom desempenho acadêmico“, afirma ela.

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