Polícia resgata cachorro em situação de maus-tratos em Arujá e mulher é presa
Segundo o boletim, o animal era mantido em condições insalubres; ele foi encaminhado para cuidados veterinários
19/12/2025 11h39, Atualizado há 4 meses
O cachorro, da raça chow-chow, foi resgatado e encaminhado para cuidados veterinários | Foto: Divulgação
Uma mulher foi presa suspeita de maus-tratos a animal no bairro Jardim Cerejeiras, em Arujá, na tarde desta quinta-feira (18). O cachorro, da raça chow-chow, foi resgatado pela polícia, com apoio de uma ONG, e encaminhado para cuidados veterinários. A Polícia Civil foi acionada por meio de denúncia anônima.
Segundo o boletim de ocorrência, o animal era mantido em um espaço “extremamente reduzido, delimitado por grades metálicas enferrujadas, sem condições adequadas para locomoção, descanso ou higiene”. O local apresentava condições insalubres, com indícios de ausência de limpeza periódica – devido ao acúmulo de fezes e restos de pelos espalhados pelo chão – e também não possuía abrigo adequado em caso chuva.
Ainda de acordo com o registro policial, foram encontrados recipientes de água e comida em condições precárias, contendo água turva e restos de alimento espalhados diretamente sobre o chão. Além disso, o cachorro estava com o pelo sujo, embaraçado, parcialmente tosado de forma irregular e com sinais de lesões. Segundo o boletim, o animal apresentava “postura corporal compatível com estresse, medo e possível debilidade física”.
A presidente do Instituto Arujaense de Defesa e Proteção dos Animais, Sueli Portes, participou do resgate. Segundo ela, testemunhas relataram que o cachorro apanhava dos tutores. A família responsável nega que tenha agredido o animal. Sueli disse ainda que o chow-chow foi encontrado com problema de pele devido às intempéries que estava exposto.
Os policiais foram acionados por meio de denúncia anônima. Quando chegaram ao local, encontraram a filha da suspeita que informou que os pais não estavam em casa. Em depoimento à polícia, ela contou que o animal estava com a família há aproximadamente dez anos, tendo sido comprado após a morte de um cachorro da mesma raça. Segundo a declarante, em razão do apego ao animal anterior, a mãe tinha decidido comprar outro chow-chow.
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Ainda de acordo com o relato dela, o animal em situação de maus-tratos costumava conviver com a família dentro da residência, mas que com o tempo o cachorro começou a apresentar comportamento agressivo. Em razão disso, a família teria decidido isolar o cachorro na área superior da residência, mas, após uma obra e mudanças na casa, o animal teria passado a ficar no espaço reduzido da área inferior em que foi encontrado.
Ela também contou à polícia que os cuidados básicos como alimentação e higiene eram realizados pelos pais. A mulher relatou que o cachorro não recebia atendimento veterinário e nem vacinas, mas que teria tentado alertar a mãe em diversas ocasiões sobre os cuidados necessários. No entanto, ela afirma que teve dificuldades em buscar atendimento devido ao comportamento agressivo do cachorro e que as clínicas não aceitavam manejar o animal mediante a sedação.
Posteriormente, o pai e a mãe da declarante também prestaram depoimento à polícia e confirmaram a versão da filha. O casal teria dito que o animal já mordeu membros da família, incluindo uma criança que teve o dedo ferido.
Em relação as lesões no corpo do animal, a mãe declarou a polícia que não eram hematomas, mas possivelmente “bicheira” e que a condição foi percebida recentemente. Ela contou que teria comprado medicamento para tratar a infestação após pesquisas na internet e com base em experiência anterior com outro cachorro. A suspeita ressaltou que o animal precisava ser levado para atendimento adequado retirar os parasitas, mas que a ação demandaria sedação.
Segundo o boletim, a mulher mais velha foi identificada como a principal responsável pelo cachorro e, por isso, foi indiciada e presa. Ela permanece à disposição da Justiça. O pai e a filha estão sendo investigados. O caso foi registrado como maus-tratos a animal na delegacia de Arujá.
- Geovanna Albuquerque é estagiária e escreveu esta matéria sob supervisão da Edição de O Diário