Prefeitura abre processo disciplinar contra funcionários do transporte escolar após impasse em Mogi
Administração municipal vai apurar a conduta de servidores após o episódio que afetou o transporte de alunos; categoria nega paralisação e afirma que apenas deixou de realizar horas extras
17/06/2026 13h27, Atualizado há 1 hora
Caso repercutiu nesta segunda-feira (15) | Foto: PMMC
A Prefeitura de Mogi das Cruzes instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar a conduta de funcionários do transporte escolar envolvidos no impasse que afetou o atendimento de estudantes da rede municipal na última segunda-feira (15).
A decisão foi publicada no Diário Oficial do Município por meio da Portaria nº 61, de 16 de junho de 2026, assinada pelo secretário municipal de Governo e pelo procurador-geral do Município, que responde interinamente pela Secretaria Municipal de Assuntos Jurídicos e Relações Institucionais.
Segundo o documento, a prefeitura investigará a atuação dos servidores após o episódio que resultou na interrupção do transporte de retorno de alunos para suas residências. A administração municipal sustenta que houve uma “recusa coletiva e coordenada” dos motoristas em realizar as viagens sob a justificativa de que “não seriam obrigados a cumprir trabalho extraordinário”.
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Na portaria, o Executivo afirma ainda que a situação deixou dezenas de crianças sem transporte ao final do período escolar, incluindo estudantes com deficiência e Transtorno do Espectro Autista (TEA), que dependem de rotinas específicas e acompanhamento adequado.
O documento aponta que a conduta dos servidores poderá configurar infrações previstas no Código de Conduta e Ética dos Agentes Públicos Municipais, entre elas o retardamento injustificado da prestação de serviço público e possível insubordinação.
Apesar das acusações apontadas no processo, a administração municipal destacou que os servidores terão assegurados os direitos ao contraditório e à ampla defesa durante toda a apuração.
Categoria contesta
Os motoristas, no entanto, negam que tenha havido paralisação ou abandono das atividades. Em entrevistas concedidas a O Diário, os trabalhadores afirmaram que cumpriram normalmente a jornada de oito horas diárias, totalizando 40 horas semanais, e apenas deixaram de realizar horas extras que, segundo eles, são frequentemente utilizadas para garantir o funcionamento do transporte escolar.
A categoria também reivindica melhorias nas condições de trabalho, implantação de vale-refeição, valorização salarial e a contratação de mais profissionais para reduzir a necessidade de jornadas excedentes.
As demandas foram apresentadas à Prefeitura durante reunião realizada na manhã do mesmo dia em que ocorreu o impasse. Na ocasião, representantes da administração municipal ouviram as reivindicações e marcaram uma nova rodada de negociações para o próximo dia 29 de junho.
O Diário entrou em contato com a Prefeitura de Mogi das Cruzes para obter mais informações sobre os próximos desdobramentos do processo. A reportagem será atualizada assim que houver retorno.
- Matéria em atualização