Diário Logo

Encontre o que você procura!

Digite o que procura e explore entre todas nossas notícias.

Agiotas do DF cobravam juros maiores de mais pobres e intimidavam devedores

As investigações da Operação SOS Malibu revelaram que mais de 30 pessoas foram ameaçadas em um esquema de agiotagem e extorsão no Distrito Federal. Os juros dos empréstimos variavam entre 8 e 40%, e dependiam do valor do empréstimo. De acordo com o delegado Fernando Cocito, quem pegava menos dinheiro emprestado, entre dois e 10 […]

Por O Diário
18/11/2021 11h30, Atualizado há 58 meses

As investigações da Operação SOS Malibu revelaram que mais de 30 pessoas foram ameaçadas em um esquema de agiotagem e extorsão no Distrito Federal. Os juros dos empréstimos variavam entre 8 e 40%, e dependiam do valor do empréstimo. De acordo com o delegado Fernando Cocito, quem pegava menos dinheiro emprestado, entre dois e 10 mil reais, tendia a pagar ágios mais altos. Em alguns casos, eles chegavam a ser diários.

Segundo o delegado, a Polícia Civil teve acesso às conversas do aplicativo WhatsApp dos suspeitos, onde as ameaças foram identificadas. Até o momento, nenhuma vítima relatou ter sofrido agressões, mas algumas chegaram a ser ameaçadas pessoalmente por membros do grupo chefiado pelo policial Ronie Peter Fernandes da Silva.

— Muitas vezes, era designada a um integrante específico a tarefa de ir até a casa da vítima para intimidá-las — disse Cocito.

Ainda de acordo com o delegado, o grupo trabalhava com perfis diferentes de vítimas, de diversas condições financeiras. Na maioria das vezes, uma pessoa de confiança do tomador de recursos indicava o grupo que lhes ofereceria o dinheiro.

— Como o suspeito de chefiar a equipe é um sargento da Polícia Militar, era comum que muitas vítimas também fizessem parte da PM — relatou o investigador.

Foi o caso de uma mulher que pegou um empréstimo de R$20 mil – uma policial militar da reserva. Ela contou à polícia na tarde desta quarta-feira que a condição para receber o dinheiro seria deixar um veículo de garantia. Ela cedeu um Fiat Palio Weekend, cujo modelo, de acordo com a Tabela Fipe atualizada, vale R$ 42 mil.

— A mulher não conseguiu quitar o valor no primeiro mês, mas pagou R$10 mil. Os outros R$ 10 mil estavam sendo pagos em parcelas mensais, com R$ 1,2 mil de juros. Desde abril ela está sem o carro — revelou o delegado. Ele contou que a mulher passava por uma situação difícil e precisava de dinheiro, mas não deu detalhes.

Havia dois extremos no que diz respeito às vítimas das extorsões: os que pegavam valores altos emprestados e deixavam imóveis ou veículos como garantia, e os que precisavam de pequenas cifras, mas pagavam juros altíssimos.

— Um empresário pegou R$150 mil e pagava apenas os juros do empréstimo em parcelas mensais. O grupo exigiu que o homem lhes transferisse a titularidade do apartamento que ele tinha. Por outro lado, um motoboy precisou de R$ 2 mil para liquidar a prestação do cartão de crédito, e pagou ao esquema mais cinco parcelas de R$ 400 — acrescentou Cocito.

A Polícia Civil prendeu, na terça-feira, sete pessoas suspeitas de participar do esquema. Um dos investigados é um sargento da Polícia Militar, suspeito de chefiar o grupo criminoso. Ronie Peter Fernandes da Silva, de 45 anos, levava uma vida de luxo, ostentando nas redes sociais carros caros e viagens, nacionais e internacionais.

A operação, batizada de SOS Malibu, identificou que o grupo movimentou mais de R$ 8 milhões nos últimos seis meses. A polícia acredita que os investigados emprestavam dinheiro a terceiros com juros superiores aos permitidos por lei, e cobravam altos valores mediante “grave ameaça”.

Durante a investigação, os policiais apreenderam quatro veículos de luxo, avaliados em R$ 3 milhões. Segundo a polícia, os automóveis eram adquiridos e registrados em nome de outras pessoas para ocultar o esquema de agiotagem.

A nutricionista Raiane Gonçalves Campelo também foi presa na operação. Ela é apontada como operadora financeira de um grupo de agiotagem. De acordo com as investigações, ela não apenas efetuava saques milionários para o esquema ilícito como também ostentava uma vida luxuosa em suas redes sociais.

Segundo as apurações, Raiane é proprietária de uma loja de suplementos que movimentava quantias bem superiores ao que era declarado. O negócio era usado para lavar dinheiro oriundo dos juros cobrados pelo sargento da PM.

Mais noticias

Como escolher os alimentos na feira? Veja erros para evitar na compra de frutas, verduras e legumes

Mogi Basquete enfrenta o São José nas quartas de final do Campeonato Paulista

Homem é preso após invadir casa da ex-mulher e esfaquear atual namorado dela, em Itaquá

Veja Também