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Ao menos 45 crianças ianomâmis estão internadas com quadro de desnutrição grave

Na sala de um hospital infantil em Boa Vista, crianças Ianomâmis convalescem deitadas em redes. Os casos de desnutrição e malária infantil desta etnia indígena dispararam. No Hospital da Criança Santo Antônio da capital de Roraima, um punhado de crianças se recuperam penduradas em redes azuis, com os braços e pernas debilitados. Uma delas tem […]

Por O Diário
28/01/2023 12h12, Atualizado há 39 meses

Na sala de um hospital infantil em Boa Vista, crianças Ianomâmis convalescem deitadas em redes. Os casos de desnutrição e malária infantil desta etnia indígena dispararam.

No Hospital da Criança Santo Antônio da capital de Roraima, um punhado de crianças se recuperam penduradas em redes azuis, com os braços e pernas debilitados. Uma delas tem a mão vendada. Ali são atendidos 59 menores indígenas. Destes, 45 são ianomâmis e oito estão em cuidados intensivos, segundo o último balanço divulgado nesta sexta-feira pela prefeitura de Boa Vista, que administra a unidade.

— Infelizmente, nossos filhos estão sofrendo. Na região que eu moro não tem comida, falta comida. Não tem banana. Não tem caça — diz Marcelo Ianomâmi, da comunidade Oroxofi, perto da fronteira com a Venezuela à AFP.

A filha dele de 1 ano e 5 meses está internada há sete dias com um quadro de desnutrição. Ela pesa apenas 4,9 quilos, pouco mais que um recém-nascido. Marcelo afirma que o problema de desnutrição na comunidade é “antigo”.

— Não temos tantos adultos como tínhamos antes (reduzindo a mão de obra para caça). Hoje, todos estão fracos de saúde para trabalhar — diz.

Segundo um profissional do hospital, as crianças chegam ao local em situação de desnutrição grave complicadas por infecções como pneumonia, malária, gastroenterocolite e diarreia aguda. Outros ainda são internados por picadas de cobra.

Inconsistência: STF afirma que detectou indícios de informações falsas do governo Bolsonaro sobre situação ianomâmi

O hospital Santo Antônio é o único que recebe crianças de até 12 anos em todo o estado, no extremo norte da Amazônia legal, além de pacientes das vizinhas Guiana e Venezuela. Para chegar, muitos pacientes indígenas são levados de avião de suas aldeias remotas no meio da floresta.

Os Ianomâmis, geralmente com oito anos ou menos, chegam a pesar metade do peso ideal para sua idade com uma fragilidade muito intensa.

Crise sanitária

Na semana passada, o governo federal revelou que 99 menores de cinco anos morreram em 2022 na Terra Indígena Ianomâmi por desnutrição, pneumonia e malária, entre outras causas.

Depois que, durante uma visita, autoridades encontraram vários casos de menores desta etnia com desnutrição grave, infecções respiratórias e outras complicações, o governo federal decretou a emergência sanitária neste território protegido, a maior reserva indígena do país.

A Polícia Federal também abriu uma investigação por possível “genocídio” contra indígenas da etnia Ianomâmi, apontando para ações e omissões dos funcionários públicos e ex-dirigentes de Saúde durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. As investigações também abrangem supostos crimes ambientais e desvio de recursos públicos.

Território ameaçado

A violência aumentou no território Ianomâmi, cenário habitual de confrontos entre indígenas e garimpeiros ilegais que mataram habitantes, abusaram sexualmente de mulheres e meninas, além de contaminarem os rios com o mercúrio usado para separar o ouro dos sedimentos, segundo denúncias de associações e indígenas.

O avanço do garimpo ilegal impulsiona a proliferação de doenças, como malária, tuberculose e inclusive a Covid-19, segundo especialistas.

O Supremo Tribunal Federal (STF) anunciou na quarta-feira que o governo de Bolsonaro, que defendeu a exploração da mineração e da agropecuária em terras indígenas e em várias ocasiões questionou a demarcação do território Ianomâmi, descumpriu decisões da mais alta corte do país e pode ter dado informações falsas sobre a situação deste povo.

Rota de sobrevivência

Reportagem do GLOBO mostrou que o grupo faz caminhadas de cinco dias, sem carona, debaixo de sol quente, onde os termômetros marcam 36°C em busca de atendimento médico e assistência. Eles são obrigados a percorrer uma “rota da sobrevivência” longa, para além de seu território, com o agravamento da crise sanitária. Da aldeia até a capital de Roraima, foram mais de 200 quilômetros atravessando rios, cidades e estradas por dentro da selva amazônica.

O êxodo de indígenas é um movimento pendular em que os ianomâmis deixam as aldeias em busca de socorro e depois voltam, mas ainda convalescentes, a pé. É o retrato do desespero em que vive parte dos integrantes de cerca de 250 aldeias entre Amazonas e Roraima. Nômades e coletadores, os ianomâmis caminham debilitados pela fome, pelas verminoses, pela malária e pela pneumonia.

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