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Carta psicografada é usada em defesa do vocalista da Banda Gurizada Fandangueira

Uma carta supostamente psicografada por uma das vítimas do incêndio da boate Kiss foi usada pela defesa de um dos réus no julgamento, nesta quinta-feira. O artifício, no entanto, não é novidade. Ainda na década de 1970 o médium Chico Xavier psicografou mensagens que foram utilizadas em tribunais. Em 1976, Chico Xavier psicografou o depoimento […]

10 de dezembro de 2021

Reportagem de: O Diário

Uma carta supostamente psicografada por uma das vítimas do incêndio da boate Kiss foi usada pela defesa de um dos réus no julgamento, nesta quinta-feira. O artifício, no entanto, não é novidade. Ainda na década de 1970 o médium Chico Xavier psicografou mensagens que foram utilizadas em tribunais.

Em 1976, Chico Xavier psicografou o depoimento de Henrique Emmanuel Gregoris, assassinado por João Batista França durante uma brincadeira de roleta russa. A carta foi apresentada ao juiz Orimar Pontes, que atuava em Goiás. O magistrado aceitou o depoimento póstumo da vítima e o acusado foi absolvido pelos jurados. As informações são do site Consultor Jurídico.
Ainda em 1976, Chico Xavier atuou em outro processo judicial. O médium psicografou uma carta de Maurício Garcez Henriques, morto acidentalmente por José Divino Gomes. Mais uma vez, o juiz Orimar Pontes aceitou o depoimento e o réu acabou absolvido.

Chico Xavier ajudou na absolvição de mais um réu, em 1980, desta vez em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. José Francisco Marcondes Maria foi acusado de matar sua mulher, Cleide Maria, ex-miss na capital sul-mato-grossense. O médium psicografou uma mensagem da vítima e o réu foi inocentado pelo júri.

Este último julgamento consta no livro “Vida após a morte no Júri”, escrito pelo criminalista Ricardo Trad. A obra descreve como o advogado recebeu três mensagens psicografadas por Chico Xavier e que teriam sido enviadas por Cleide, inocentando o marido. O caso teve repercussão internacional. 
A advogada Tatiana Borsa, que defende do músico Marcelo de Jesus dos Santos, vocalista da banda Gurizada Fandangueira que segurava o artefato pirotécnico na Boate Kiss, exibiu nesta quinta-feira durante o júri um vídeo de uma carta supostamente psicografada por uma das vítimas do incêndio.

O recurso usado pela defensora durante sua sustentação suscitou críticas nas redes sociais. Incomodados, alguns familiares presentes no julgamento deixaram o local no momento. Borsa pediu a absolvição de seu cliente, a exemplo das defesas de Mauro Hoffmann, sócio-proprietário da Kiss, e Luciano Bonilha Leão, assistente de palco da banda.

Já os advogados de Elissandro Spohr, também sócio da boate, solicitaram a desclassificação do dolo eventual – quando o agente assume o risco do delito. A ideia é que o juiz defina crime e pena, e não jurados.

Ao final de sua apresentação, Borsa mostrou trecho de uma gravação com uma suposta mensagem de Guilherme Gonçalves, uma das 242 vítimas da tragédia em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. A carta teria sido psicografada e consta no livro “Nossa nova caminhada” que reúne mensagens de sete jovens mortos no incêndio. A obra, lançada por pais das vítimas, foi incluída nos autos do processo.

A mensagem exibida sugere que os familiares lembrem que os “responsáveis também têm famílias e não tiveram qualquer intenção quanto à tragédia acontecida”, bem como classifica o ocorrido como uma “fatalidade”. Também aconselha a “aceitar as determinações divinas”.

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