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Rússia põe forças de dissuasão nuclear em alerta máximo

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, deu um passo a mais na escalada das tensões com o Ocidente após a invasão da Ucrânia e ordenou neste domingo que as forças de dissuasão nuclear russas sejam postas em alerta máximo. A medida foi tomada, segundo o presidente, como resposta a “declarações agressivas” dos países da Organização […]

Por O Diário
27/02/2022 15h31, Atualizado há 52 meses

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, deu um passo a mais na escalada das tensões com o Ocidente após a invasão da Ucrânia e ordenou neste domingo que as forças de dissuasão nuclear russas sejam postas em alerta máximo.

A medida foi tomada, segundo o presidente, como resposta a “declarações agressivas” dos países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), a aliança militar ocidental liderada pelos  Estados Unidos.

LEIA TAMBÉM: União Europeia anuncia que vai comprar e entregar armamentos para a Ucrânia

A decisão de Putin foi anunciada durante uma reunião com o ministro da Defesa, Sergei Shoigu, e o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Valery Gerasimov.

“Os países ocidentais não estão somente adotando medidas econômicas hostis contra nosso país, mas funcionários importantes dos principais países da Otan estão fazendo declarações agressivas contra nosso país. Por isso, ordeno ao ministro da Defesa e ao chefe do Estado-Maior que ponham as forças de dissuasão do Exército russo em um estágio especial de preparo para combate”, disse Putin em um comunicado citado pela agência Tass. As forças de dissuasão dispõem de armas nucleares.

Além das duras sanções econômicas já anunciadas por EUA e União Europeia, autoridades de Alemanha, França, Holanda e Austrália anunciaram neste sábado e domingo que seus países enviarão armas letais para ajudar a Ucrânia a se defender na guerra contra os russos, como lança-foguetes e armas antitanques.

Não ficou claro em um primeiro momento que tipo de mobilização específica o estágio de preparo nuclear ordenado por Putin implica. O presidente russo tem feito advertências, desde o início da invasão na madrugada de quinta-feira,  ameaçando países estrangeiros com “consequências que jamais viram” no caso de qualquer interferência nas ações militares de seu país na Ucrânia.

Os Estados Unidos reagiram imediatamente ao anúncio russo e a Casa Branca declarou que a ordem de Putin é parte de “um padrão de fabricação  de ameaças inexistentes para justificar a agressão”.

— Em momento algum a Rússia foi ameaçada pela Otan ou pela Ucrânia —  disse a porta-voz Jen Psaki. — Resistiremos a isso. Temos a capacidade de nos defendermos

A embaixadora dos EUA na ONU, Linda Thomas-Greenfield, completou:

— A decisão significa que o presidente Putin continua a fazer a escalada da guerra de uma maneira totalmente inaceitável, e nós temos de continuar a deter suas ações da forma mais vigorosa possível. 

Segundo o especialista em segurança da rede CBS, a medida russa é uma forma de enviar um recado à Otan, mais do que sinalizar a intenção de usar armas nucleares. A decisão de Putin ocorre logo após as fortes sanções anunciadas pelos EUA e outros países do Ocidente para retirar importantes bancos russos do sistema internacional de pagamentos Swift, que é vital para a realização de transações bancárias globais.

Também se segue ao anúncio, neste domingo, do chanceler da Alemanha, Olaf Scholz, de que o país vai aumentar seus gastos de Defesa para mais de 2% do PIB diante da nova realidade geopolítica imposta pela invasão russa na Ucrânia, a maior agressão de um Estado contra outro na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). 

No Parlamento, Scholz justificou sua decisão de mudar a  longa política alemã de manter mais baixos os gastos militares alegando que “uma nova era” foi inaugurada com o ataque à Ucrânia.

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