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União Europeia anuncia plano para reduzir dependência de gás russo

A Comissão Europeia divulgou nesta terça-feira seus planos para reduzir a dependência de gás e energia oriundos da Rússia. Segundo o anúncio oficial, o objetivo é que o bloco diversifique suas fontes de energia e se torne mais autossuficiente “bem antes de 2030”. O anúncio ocorre quase que simultaneamente a um pronunciamento esperado do presidente […]

Por O Diário
08/03/2022 16h31, Atualizado há 52 meses

A Comissão Europeia divulgou nesta terça-feira seus planos para reduzir a dependência de gás e energia oriundos da Rússia. Segundo o anúncio oficial, o objetivo é que o bloco diversifique suas fontes de energia e se torne mais autossuficiente “bem antes de 2030”.

O anúncio ocorre quase que simultaneamente a um pronunciamento esperado do presidente americano Joe Biden e do primeiro-ministro britânico Boris Johnson. EUA e Reino Unido devem anunciar o bloqueio imediato da compra de petróleo russo, como retaliação pela invasão na Ucrânia. Diante da iminência dos anúncios, o Brent disparou, ultrapassando os US$ 130 o barril.  

Os Estados Unidos tentaram convencer seus parceiros europeus a aderirem a medida, porém sem sucesso, dado à enorme dependência da União Europeia — sobretudo da Alemanha — do fornecimento de gás russo.

O plano estratégico europeu prevê uma redução no uso de gás pelo bloco em 30% até 2030 e que a UE consiga a “independência total” dos combustíveis fósseis da Rússia “bem antes” desta data, também como parte dos esforços do bloco para cumprir as metas contra as mudanças climáticas. O objetivo é ampliar o consumo de energia a partir de outras fontes, sobretudo as renováveis.

“Devemos nos tornar independentes do petróleo, carvão e gás russos. Simplesmente não podemos confiar em um fornecedor que nos ameace explicitamente”, disse a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em comunicado.

Na madrugada desta terça-feira, a Rússia ameaçou bloquear o envio de gás para a Europa.

A Europa importa 41% do gás que consome da Rússia. Além disso, depende do petróleo (27% das importações) e do carvão (47% das compras) russos como fonte de energia.

Enquanto os Estados Unidos importam cerca de 400 mil barris diários de petróleo da Rússia, os países europeus compram muito mais: 4,3 milhões de barris por dia. Além disso, 800 mil barris chegam ao continente europeu via dutos – ou seja, um bloqueio coordenado demandaria tempo e não poderia ser imediato.

Os EUA, por sua vez, ensaiam uma aproximação com a Venezuela para suprir seu mercado quando o bloqueio do petróleo russo entrar em vigor.

No caso do Reino Unido, as importações da Rússia são 8% do total comprado pelo país e 18% no caso do diesel. 

A inclusão do petróleo na lista de sanções americanas vai representar uma escalada nas retaliações ocidentais à Rússia pela invasão da Ucrânia. Os insumos energéticos — petróleo e gás — não foram incluídos nas primeiras levas de sanções justamente pelo efeito bumerangue que provocariam, com preços de gasolina e energia disparando para os consumidores de EUA e Europa.

Nos Estados Unidos, o galão de gasolina alcançou o maior patamar desde 2008, e os preços estão em alta em vários países europeus.

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