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Vovó coruja e conselheira de Enem: conheça professora Beth morta em ataque

Professora de biologia, Elizabeth Tenreiro, de 71 anos, era “apaixonada pela sala de aula”. Discreta, ela, que mantinha os cabelos grisalhos, era apaixonada por música e, sobretudo, por samba. Entre as últimas fotos no Facebook, ela aparece abraçada a filha, Liciana, no Sambódromo, em fevereiro. Era a vovó coruja dos netos e muito ligada aos […]

Por O Diário
27/03/2023 14h30, Atualizado há 37 meses

Professora de biologia, Elizabeth Tenreiro, de 71 anos, era “apaixonada pela sala de aula”. Discreta, ela, que mantinha os cabelos grisalhos, era apaixonada por música e, sobretudo, por samba. Entre as últimas fotos no Facebook, ela aparece abraçada a filha, Liciana, no Sambódromo, em fevereiro. Era a vovó coruja dos netos e muito ligada aos três filhos. Além de Liciana, a caçula, com quem morava, era mãe de Marco Antônio, de 45 e de Fernanda, de 47. Formada pela PUC de São Paulo, ela também foi analista de alimentos no Instituto Adolfo Lutz.

“Só sei dizer que ela amava dar aula”, disse a nora Fernanda, que viu cedo pela TV o noticiário, mas que não fez logo uma relação entre as imagens assustadoras de pais e alunos na porta da Escola Estadual Thomazia Montoro, onde Beth trabalhava.

Pela manhã, um estudante de 13 anos atacou a facadas Elizabeth e outras três professoras e dois alunos.

Na rede social, Beth se declara corinthiana e afirma que gosta de música — “todas” —, como fez questão de pontuar. Conta que prefere os filmes de comédia e, entre programas de TV, declara preferência pelos de esportes.

O aniversário de 71 anos foi comemorado em fevereiro. Nas redes sociais, é possível ver foto da página da filha Liciana em que as duas aparecem abraçadas na frente de um carro alegórico, durante o desfile das escolas de samba. “Mamis comemorando niver em grande estilo!!! Nada como estar na avenida”, diz a filha. A mãe responde: “Eita! Que delícia!” Em outro post, este privado, a professora se mostra envaidecida com o fato de a neta estar aprendendo a tocar “Pérola Negra”. “Linda!”, elogia.

Beth brinca com um “meme” em que diz ter puxado o espírito de luta a mãe e que “o coração de ouro” do pai.

A preocupação com os alunos era uma constante, segundo afirmam conhecidos. Em novembro do ano passado, durante o período de provas do Enem, a professora fez as recomendações de última hora: “Desejo a todos os alunos uma ótima prova. Confiram o que precisam pra levar (documento, caneta, água). Use roupa confortável. Tenham calma que tudo dará certo. Boa prova!”. Em dezembro do ano passado, deixou registrado seus votos para de um 2023 “feliz para todos do face e no face”.

Além de fotos em que aparece curtindo filhos e netos, além de amigo, ela também publicou uma foto com toda a equipe do Thomazia Montoro —, Beth também usava suas redes sociais para apoiar campanhas de melhoria salarial dos professores e a favor de campanhas de distribuição de absorventes, bandeira da luta feminista pela dignidade menstrual.

LEIA TAMBÉM: Brasil soma 13 ataques em escolas desde 2002; Suzano foi o segundo mais fatal com 10 vítimas

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