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Alto Tietê ultrapassa 2,3 mil negócios no setor pet, aponta pesquisa do Sebrae-SP

Região registrou alta de 204% na abertura de empresas da área entre 2018 e 2026, segundo dados da Receita Federal compilados pela entidade

Por Geovanna Albuquerque
16/10/2026 18h26, Atualizado há 0 horas

Setor teve alta de 204% no Alto Tietê | Foto: Reprodução/Canva

O Alto Tietê registrou alta de 204% na abertura de novos negócios do mercado pet, segundo um levantamento realizado pelo Sebrae-SP (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo) produzido com base em dados da Receita Federal. De acordo com a entidade, o setor passou de 763 pequenos negócios em 2018 para 2.323 até julho de 2026.

Ferraz de Vasconcelos registrou o maior crescimento percentual entre as cidades da região, com alta de 325% no número de pequenos negócios do mercado pet, que passou de 52, em 2018, para 221, em 2026. Já Mogi das Cruzes liderou em números absolutos, com o total de empresas passando de 264 para 826 no mesmo período, um aumento de 213%.

Em entrevista ao O Diário, o consultor de negócios do Sebrae-SP, Márcio Barbosa, explicou que a alta está relacionada ao papel que os pets passaram a ocupar na vida dos tutores. “De maneira geral, a gente pensa muito que os pets, principalmente os gatos, assumiram uma posição interessante na família. Para muitos, eles são como se fossem filhos. E mesmo para quem tem filhos, eles viraram integrantes da família”, destaca o profissional.

Segundo o consultor, essa mudança na relação com os animais também se reflete nos hábitos de consumo, com a procura por produtos que vão além da alimentação básica. O levantamento do Sebrae-SP aponta que os tutores gastam entre R$ 101 e R$ 300 por mês em pet shops, e 67% realizam compras a cada 15 dias ou mensalmente.

“Antigamente as pessoas, de maneira errada, davam resto de comida. Aí foram comprando ração. Hoje tem um petisco, tem brinquedo para desestressar o cachorro que mora dentro de casa. E aí as pessoas foram comprando roupinha, comprando brinquedinho e isso foi aumentando. […] A gente não tinha nem acesso e hoje tem. Isso fomentou a expansão desses negócios. Então como tem gente que compra, tem gente que vende, formando aí um ecossistema de consumo e venda de produtos”, afirma Barbosa.

A veterinária Bruna Disegna ingressou no empreendedorismo no ramo pet em 2019, ao lado da sócia Kelly Moura, após uma mudança em sua trajetória profissional. “A ideia de abrir a clínica, ela foi meio que uma surpresa. Eu já trabalhava aqui, e aí os donos da clínica estavam pensando em vender. Eu a Kelly compramos a clínica. Hoje somos eu, ela, e mais quatro funcionários”, explica.

Segundo Bruna, um dos principais desafios profissionais enfrentados atualmente é a queda na procura por serviços veterinários, somada ao aumento da concorrência com a abertura de clínicas populares. A empreendedora também aponta as questões fiscais e o pagamento de impostos como dificuldades para manter os pequenos negócios. A meta, futuramente, é ampliar o atendimento para 24 horas, mas a veterinária afirma que será necessário aguardar o próximo ano para avaliar a possibilidade de expansão, devido aos custos e às obrigações tributárias que envolvem a manutenção da clínica.

Em relação à perspectiva do mercado pet para os próximos anos, o consultor de negócios do Sebrae-SP aponta que a tendência é aumentar o número de negócios. “As pessoas adoram animais, o brasileiro gosta muito mesmo. Eu acredito que as pessoas só não gastam mais porque não têm. Se elas tiverem, e se a renda média do brasileiro subir, uma fatia vai ser gasta com os pets, eu tenho certeza disso”, afirma Barbosa.

Para quem deseja abrir um novo negócio, tanto no setor pet quanto em outros segmentos, o profissional destaca a importância de conhecer o mercado, entender o perfil dos clientes, definir os canais de venda e ter domínio sobre a gestão financeira. Segundo ele, muitos empreendedores começam um negócio pela paixão pela área ou pelo conhecimento técnico que possuem, mas precisam desenvolver também habilidades de gestão, como planejamento financeiro, marketing, controle de estoque e administração de equipes.

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