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Chegada de novo pet exige cuidados com a saúde e adaptação, destaca veterinária

Avaliação de saúde, respeito ao tempo dos animais e supervisão são alguns aspectos que devem ser levados em conta

Por Geovanna Albuquerque
30/10/2026 19h46, Atualizado há 0 horas

Convivência deve ocorrer de forma gradual | Foto: Reprodução/Canva

A chegada de um novo pet exige alguns cuidados, desde a adaptação com os animais que já vivem na casa até a prevenção de doenças transmissíveis. Antes de decidir ter mais um animal de estimação, é importante considerar a saúde, o temperamento, a idade, o porte e o histórico de convivência do pet que já vive na casa, conforme explica a médica-veterinária Atthila Becker.

“Um pet que já é sociável pode aceitar a novidade com mais facilidade. Já aquele que vive sozinho há muito tempo ou costuma estranhar outros animais pode precisar de uma apresentação mais cuidadosa”, explica a profissional.

Outro aspecto importante é a avaliação veterinária antes do contato direto entre os animais. A medida é especialmente recomendada para pets resgatados das ruas ou com histórico de saúde desconhecido. No entanto, também é importante verificar se o animal que já vive na casa está com os cuidados preventivos em dia.

A avaliação veterinária inclui a análise do estado geral de saúde, a verificação da vacinação, o controle de pulgas e carrapatos e a avaliação da necessidade de vermifugação. Exames de fezes e testes para infecções específicas também podem ser indicados, conforme a origem, os sintomas e os fatores de risco de cada pet. Além disso, se o tutor perdeu um pet por uma doença infectocontagiosa, é importante consultar um veterinário para avaliar se é seguro introduzir outro animal no ambiente.

Em relação aos felinos, é indicada a testagem de FIV (conhecida popularmente como Aids felina) e FeLV (vírus da leucemia felina) antes da convivência. A veterinária afirma que gatos com FIV podem conviver com outros não infectados, desde que não haja brigas entre os animais e com avaliação prévia. Já nos casos de FeLV, Atthila afirma que o mais seguro é manter os felinos separados, garantindo estímulos e cuidados adequados para cada um.

“O diagnóstico positivo não significa uma sentença imediata. Esses animais podem ter qualidade de vida e precisam de acompanhamento regular, boa alimentação e atenção precoce a alterações de saúde”, ressalta a profissional.

Veterinária Atthila Becker | Foto: acervo pessoal

Adaptação varia conforme a espécie

A adaptação entre os animais pode variar conforme a espécie. No caso dos cães, Atthila recomenda que a aproximação comece em um território neutro, por meio de passeios paralelos que respeitem a distância e as reações de cada animal, desde que as condições de saúde permitam essa interação. Em seguida, o processo pode avançar para encontros supervisionados dentro de casa.

Em relação aos gatos, a veterinária destaca a importância de respeitar o território dos felinos. Por isso, a orientação é reservar um cômodo inicial para o recém-chegado, preservando os espaços do residente. A aproximação deve ocorrer de forma gradual: começa pela troca de odores, evolui para o contato visual com barreira de segurança e é finalizada nos encontros diretos. Atthila explica que, embora reações como bufadas aconteçam, sinais de agressão ou medo indicam que o processo de adaptação deve ser desacelerado. Segundo ela, feromônios sintéticos podem ajudar, mas não substituem o respeito ao tempo de cada animal.

Já entre cão e gato, Atthila ressalta que a prioridade é evitar perseguições. Para isso, o cachorro deve permanecer sob controle, enquanto o gato precisa ter acesso a locais altos e “rotas de fuga”. A aproximação não deve ser forçada, sendo fundamental não segurar os animais no colo para tentar aproximações contra a vontade deles.

“Em todas essas combinações, temperamento, experiências anteriores, idade, saúde e porte influenciam muito. Algumas relações precisam de acompanhamento especializado, e nem todos os animais poderão conviver soltos com segurança”, destaca a profissional.

No caso de filhotes de qualquer espécie, a supervisão deve ser redobrada. “Eu recomendo começar com uma área segura e confortável, em vez de liberar a casa inteira de uma vez. Pode ser um cômodo ou uma área delimitada, desde que tenha ventilação, espaço adequado e esteja livre de fios, produtos de limpeza e objetos que possam ser engolidos”, afirma.

O tempo de adaptação pode variar conforme cada animal. Segundo a profissional, alguns ficam confortáveis na presença do novo pet em questão de dias, enquanto outros demoram meses. O avanço do processo depende do comportamento dos animais, que devem conseguir comer, descansar, brincar e circular pelo ambiente sem demonstrar medo ou sofrer perseguições. Além disso, é recomendado que cada animal tenha seus próprios objetos, com acesso individual a alimentos, água e locais de descanso.

“Se houver agressões, medo persistente ou dificuldade para avançar, é importante buscar ajuda veterinária, inclusive de um profissional com atuação em comportamento”, finaliza a profissional.

Adaptação na prática

O analista de sistemas Caio Moura viveu a adaptação entre pets na prática ao introduzir o gatinho Fubá ao lar em que já viviam a cadela Mel e a gata Flora. Segundo ele, nos primeiros dias a adaptação foi difícil, especialmente porque Flora tinha muito medo do novo animal. “Demorou uns dois ou três dias para ela aceitar o Fubá. No começo, ela ia perto, ficava cheirando e depois não dava bola. Com o tempo, começou a brincar, mas a gente tinha muito medo porque ela era grande e o Fubá um filhote”, explicou.

Caio conta que os felinos precisaram ficar separados caso não houvesse ninguém para supervisionar. Com o tempo e o crescimento de Fubá, a interação entre eles passou a acontecer de forma tranquila. “Hoje em dia eles são super unidos. Os dois vivem brincando junto e correm a casa inteira, parece uma festa”, afirma o analista.

Já a adaptação com a cadela Mel exigiu mais cautela devido ao porte do animal. Apesar de ser dócil, havia o receio de que ela machucasse o filhote acidentalmente. Por isso, os dois foram mantidos separados inicialmente, com a aproximação realizada de forma gradual. Segundo Caio, atualmente os três animais convivem e têm acesso a todos os ambientes da casa, embora Fubá prefira manter certa distância de Mel, ao contrário de Flora, que é bastante apegada à cadela.

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