São Paulo quer rebalancear quadros de gestão em escolas estaduais; entenda mudança
Proposta da Seduc-SP deve relacionar número de gestores com número de alunos; cerca de 1/3 das escolas devem passar pela mudança, sendo 6 no Alto Tietê
01/12/2025 13h15, Atualizado há 13 dias
Seduc-SP prevê triplicação de funcionários na gestão de escolas com mais de 1,5 mil alunos | Divulgação/Governo de São Paulo
A partir de 2026, o quadro de gestão das escolas estaduais de São Paulo pode passar por um “rebalanceamento”. Atualmente, o quadro de diretores e gestores pedagógicos é definido pelo número de salas de aula em cada unidade, mas, na proposta da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP), ao invés das salas, o modelo deve passar a relacionar diretamente o número de gestores com o número de alunos.
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A previsão é de que cerca de 1/3 das mais de 5 mil escolas estaduais passem pela mudança, sendo 6 no Alto Tietê: 3 em Suzano, 2 em Mogi das Cruzes e 1 em Itaquaquecetuba – que não tiveram os nomes divulgados pela Seduc-SP. A medida ainda deve ser anunciada e formalizada em uma resolução. Na proposta, a relação ficará da seguinte forma:
| Número de estudantes | Quadro de gestão |
| Até 200 estudantes | 1 diretor, 1 coodenador pedagógico (CGP), 1 gerente de organização escolar (GOE) e 1 agente de organização escolar (AOE) |
| Entre 201 e 500 alunos | Reforço com 1 vice-diretor e de 1 a 3 servidores do quadro AOE |
| A partir de 501 | Aumento progressivo de gestores, conforme a quantidade de alunos |
Ainda segundo divulgado pela Seduc-SP, em unidades com mais de 1,5 mil estudantes, o número de profissionais na gestão pode chegar ao triplo do número atual.
Outra mudança inclusa no pacote será o ajuste na função dos coordenadores de gestão pedagógica por área de conhecimento (CGPAC), que hoje responsável por supervisionar e organizar as ações por área de conhecimento específica, de acordo com o número de turmas, e reservado a docentes efetivos. Com a resolução, o trabalho será desenvolvido por um professor articulador por área de conhecimento (PAAC). Segundo a Seduc-SP, a carga horária será definida pelo número de docentes, podendo chegar a seis profissionais, e a vaga será aberta a qualquer professor com aula atribuída.
Em entrevista ao O Diário, o Supervisor Educacional Subsecretaria Pedagógica da Seduc-SP, Eric Vellone, explicou que o objetivo do chamado rebalanceamento é dar mais apoio e recursos humanos às escolas maiores. “Na prática, isso significa que as grandes escolas terão mais servidores para atuar na coordenação pedagógica e na vice-direção. A ideia é ajudar os diretores de grandes escolas a fazer uma gestão menos complexa“, disse.
Ainda de acordo com Vellone, a medida surge como uma resposta da secretaria à uma demanda da rede de ensino, que apresentava uma “sobrecarga” em diretores de escolas grandes. Sobre a seleção dos profissionais que darão o suporte nas unidades maiores, Vellone explicou que eles devem ser alocados a partir de editais, com as vagas preenchidas por professores da própria rede.
“Não existe nenhum objetivo de terceirização”, explicou Vellone em resposta ao O Diário, “por exemplo: uma escola X ganhou um vice-diretor a mais. O diretor abre um edital, os próprios professores da rede se inscrevem para passar pelo processo seletivo, então não é um profissional de fora ou terceiro. As regras [para os cargos], inclusive, continuam as mesmas de hoje.”
No caso das escolas com previsão de triplicação do quadro gestor, Vellone afirma que os “próprios profissionais serão valorizados” e que os professores serão convidados a participar do processo de ocupação das vagas abertas.
As mudanças, vale ressaltar, ainda não são efetivas. A Seduc-SP deve formalizar e detalhar a aplicação da proposta em uma resolução, mas não divulgou uma data para isso.