Valdemar Costa Neto: ‘se não aprovarmos 6×1, Lula ganha a eleição’
Apesar do recuo, presidente do PL segue defendendo medidas para compensar os empregadores e mitigar eventuais impactos financeiros da PEC
27/05/2026 09h54, Atualizado há 1 hora
Valdemar Costa Neto | Divulgação
Presidente do PL, o mogiano Valdemar Costa Neto disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, pode vencer as eleições de outubro deste ano se o projeto que prevê o fim da escala 6×1 não for aprovado. A declaração foi dada em entrevista Jovem Pan nesta segunda-feira (25).
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“Se nós não aprovarmos [o fim da escala] 6×1, o Lula ganha a eleição e ano que vem faz ‘4×1’. Nós temos que chegar ao poder e votar nas propostas que tem a maioria da população a favor, a maioria dos nossos deputados pensam desta maneira”, disse Costa Neto.
Apesar da mudança de posição em relação ao tema, Costa Neto voltou a criticar os eventuais impactos econômicos que a adoção da redução da escala de trabalho possa ter no cenário nacional. Para o presidente do PL, sem uma compensação aos empregadores para garantir o equilíbrio fiscal, há chance da inflação subir e do país sofrer com demissões em massa após aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC).
Mudança
Em fevereiro deste ano, durante um encontro com empresários de São Paulo, Costa Neto chegou a dizer que o partido iria trabalhar para que a proposta não fosse votada. Na ocasião, ele disse que o objetivo seria “segurar” o texto na Comissão de Constituição e Justiça para que não avançasse até o plenário. Costa Neto disse, ainda, que era “difícil” para que um candidato ao Congresso ou ao Senado votasse contra o tema.
Entretanto, com a capitalização política da pauta por parte do adversário à Presidência da República e o crescimento da popularidade do tema entre o eleitorado, a postura do PL em relação ao fim da 6×1 começou a mudar. Após discussões internas, inclusive com participação do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato ao Planalto do PL, o partido decidiu pelo recuo para evitar um eventual desgaste político de sua base.
Nas comissões, o PL passou a aceitar a votação e discussão da PEC, desde que houvessem compensações para o empresariado ou outras medidas para ajudar a mitigar o impacto da mudança. Entre as principais bandeiras defendidas pela sigla está a redução de impostos na folha de pagamento.
No Congresso
Em Brasília, a discussão sobre a PEC deve voltar nesta quarta-feira (27). Na última proposta apresentada, ficou definida a regra de transição para redução da escala dos atuais 6×1 para os 5×2, que ocorrer em 60 dias, segundo acordo costurado pelas lideranças da Câmara dos Deputados e pelo governo federal.
Entretanto, na segunda-feira, o deputado Mauricio Marcon (PL-RS) pediu mais tempo para analisar o parecer do deputado Léo Prates (Republicanos-BA). O pedido de vista foi considerado regimental e a votação ficou para hoje. A expectativa é de que a PEC siga para ser analisada em plenário na quinta-feira (28).