Casos de Covid-19 crescem há seis semanas em 19 estados, aponta Ministério da Saúde
Aumento é observado em todas as faixas etárias; apesar da alta, o órgão classifica como baixo o nível de atividade da doença em todos os estados
07/11/2026 14h31, Atualizado há 0 horas
Imagem ilustrativa | Foto: Reprodução
Os casos de Covid-19 apresentam tendência de crescimento no Brasil nas últimas seis semanas, em 19 unidades da Federação e em todas as faixas etárias, de crianças a idosos. Apesar da alta, o Ministério da Saúde classifica como baixo o nível de atividade da doença em todos os estados.
Os dados foram divulgados pelo órgão no Informe Epidemiológico da Semana 43, publicado na última quinta-feira (5), e consideram o período de 25 a 31 de outubro. Para identificar a tendência, a análise utiliza modelos estatísticos que levam em conta os atrasos nas notificações e estimam quantos registros ainda podem ser incorporados aos sistemas de vigilância.
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O aumento foi identificado em estados das cinco regiões do país. No Norte, a tendência aparece em Rondônia e Roraima. No Nordeste, em Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco e Piauí. No Centro-Oeste, no Distrito Federal, Goiás e Mato Grosso. No Sudeste, no Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Já no Sul, o crescimento foi observado no Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
A tendência de alta não significa que os registros tenham aumentado em todas as semanas, mas que os dados analisados apontam crescimento no conjunto do período.
Hospitalizações e mortes
O avanço da circulação do coronavírus também aparece nos registros de casos graves. Boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado também na quinta-feira (5), identificou sinais de aumento de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) associados à Covid-19 em São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal. Em Mato Grosso, o coronavírus foi apontado como o principal responsável pelo crescimento das ocorrências de SRAG.
Dados do Ministério da Saúde mostram que, ao longo de 2026, até 31 de outubro, foram registradas 3.479 hospitalizações por SRAG com detecção do SARS-CoV-2 e 437 mortes de pacientes com quadros graves nos quais o vírus foi identificado. Os números são acumulados do ano e podem incluir pacientes com detecção simultânea de mais de um vírus respiratório.
Apesar dos sinais de aumento de casos graves em alguns estados, a Fiocruz aponta que a incidência de quadros graves de Covid-19 permanece baixa no país. O total de internações por doenças respiratórias, considerando os diferentes vírus, apresenta tendência de queda no cenário nacional.
Positividade dos exames
Outro indicador acompanhado pelo Ministério da Saúde é a taxa de positividade dos exames, que representa a proporção de testes realizados com resultado positivo para o coronavírus.
Segundo o órgão, laboratórios privados registram nove semanas consecutivas de aumento desse indicador. A elevação da positividade reforça os sinais de crescimento da circulação do vírus, embora a interpretação também dependa do perfil das pessoas testadas e dos critérios utilizados para a realização dos exames.
Desde o início de 2026, o Brasil registrou 118.851 casos notificados de síndrome gripal por Covid-19, conforme dados oficiais atualizados até 4 de novembro. O número não representa o total de infecções ocorridas no país, já que nem todos os casos são diagnosticados ou notificados.
Variantes do coronavírus
O Ministério da Saúde também monitora as linhagens do coronavírus que circulam no Brasil por meio do sequenciamento genético de amostras de pacientes.
Em 2026, até a semana epidemiológica 42, foram registrados 2.199 sequenciamentos na plataforma internacional Gisaid, que reúne informações genéticas de vírus. As análises identificaram 127 linhagens diferentes do SARS-CoV-2. Aproximadamente 90% das amostras sequenciadas pertenciam à linhagem XFG ou a suas descendentes.
A circulação de novas variantes faz parte da evolução do coronavírus e pode contribuir para novas ondas de infecção. No entanto, a identificação de uma linhagem predominante não significa, por si só, que ela seja responsável pelo aumento dos casos ou que provoque quadros mais graves.
Grupos mais vulneráveis
O risco de agravamento da Covid-19 permanece maior entre idosos, pessoas imunocomprometidas e indivíduos com determinadas doenças crônicas.
Embora a incidência de casos graves de Covid-19 permaneça baixa, a vacinação continua sendo a principal medida de prevenção contra hospitalizações e mortes. A recomendação é que os grupos prioritários mantenham as doses atualizadas, conforme as orientações do Ministério da Saúde.
Idosos a partir de 60 anos têm recomendação de vacinação semestral. Gestantes devem receber uma dose a cada gravidez, enquanto crianças pequenas e pessoas imunocomprometidas seguem esquemas específicos, de acordo com as orientações do calendário nacional.