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6 tipos de depressão são identificados em estudo

Um estudo divulgado na revista americana Nature Medicine classificou a depressão em seis tipos biológicos distintos, denominados “biotipos”. A pesquisa utilizou uma combinação de imagens cerebrais e inteligência artificial para diferenciá-los com base em sintomas, desempenho em testes cognitivos e emocionais, resposta a medicamentos e terapia comportamental. Segundo o psiquiatra Dr. Marcos Gebara, presidente da Associação Psiquiátrica […]

4 de julho de 2024

Reportagem de: Edicase Conteúdo

Um estudo divulgado na revista americana Nature Medicine classificou a depressão em seis tipos biológicos distintos, denominados “biotipos”. A pesquisa utilizou uma combinação de imagens cerebrais e inteligência artificial para diferenciá-los com base em sintomas, desempenho em testes cognitivos e emocionais, resposta a medicamentos e terapia comportamental.

Segundo o psiquiatra Dr. Marcos Gebara, presidente da Associação Psiquiátrica do Estado do Rio de Janeiro, essa pesquisa traz informações muito relevantes sobre a doença. “Este é um tema muito interessante, porque segue as pesquisas mais modernas do estudo da conectômica [conjunto completo de conexões do cérebro]”, diz.

Para o médico, isso é importante para compreender mais sobre a depressão. “Há séculos que se tenta fazer uma biotipologia para diferenciar as doenças mentais, até para poder fazer subtipos em cada uma delas. Entretanto, nos últimos anos, a tecnologia possibilitou mapear o conectoma do indivíduo, tornando possível enxergar que existem ‘circuitos’ diferentes envolvidos em cada tipo e em cada subtipo de doença”, diz.

Abaixo, veja as características dos biotipos da depressão!

1. Biotipo A

É caracterizado por respostas comportamentais mais lentas e erros em tarefas que exigem atenção sustentada e funções executivas.

2. Biotipo B

Há respostas mais rápidas a estímulos específicos e ameaças, porém com mais erros em tarefas de atenção contínua. A psicoterapia comportamental não se mostra a melhor opção neste caso.

3. Biotipo C

Há hiperatividade em áreas cerebrais de processamento emocional, levando a dificuldades em funções executivas, pensamentos ruminantes e anedonia (perda de prazer).

Ilustração de um cérebro
O biotipo D demonstra hiperatividade cognitiva, ansiedade elevada e dificuldade em interpretar ameaças (Imagem: Andre Ryoji Suguimoto | Shutterstock)

4. Biotipo D

Há hiperatividade em regiões cognitivas, maior ansiedade, dificuldade em interpretar ameaças e anedonia acentuada. O antidepressivo venlafaxina (inibidor de recaptação de serotonina e noradrenalina) apresenta os melhores resultados.

5. Biotipo E

Há menor presença de pensamentos ruminantes, redução da atividade cognitiva e reações comportamentais mais rápidas.

6. Biotipo F

Há reações mais lentas a ameaças, sem outras alterações significativas nas regiões avaliadas, sugerindo mudanças em áreas cerebrais menos exploradas.

O Dr. Marcos Gebara explica que essas são informações capazes de delinear tratamentos futuros, sejam eles farmacológicos ou não. “Essas informações são capazes de fazer a diferença entre subtipos de depressão estudados. Acredito que, no futuro, vamos conseguir mapear toda a conectômica e, assim, entender quais circuitos que estão envolvidos neste ou naquele subtipo de depressão e/ou de ansiedade. É muito válido, e vejo como algo superimportante a considerar”, finaliza.

Por Samyla Ramos

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