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Coceira na menopausa: entenda as causas e como tratar

A perda de colágeno é uma consequência do período menopausal e geralmente levanta queixas sobre flacidez e rugas na pele. Mas, na verdade, a queda de produção dessa proteína estrutural, o afinamento da epiderme e a redução da capacidade de retenção de água favorecem episódios de coceira difusa na menopausa. “A queda do estrogênio provoca […]

Por Edicase Conteúdo
15/04/2026 18h00, Atualizado há 2 horas

A perda de colágeno é uma consequência do período menopausal e geralmente levanta queixas sobre flacidez e rugas na pele. Mas, na verdade, a queda de produção dessa proteína estrutural, o afinamento da epiderme e a redução da capacidade de retenção de água favorecem episódios de coceira difusa na menopausa.

“A queda do estrogênio provoca alterações estruturais e funcionais na pele. Como consequência, ocorrem a xerose (ressecamento) e o prurido (coceira). Além disso, os episódios de calor e sudorese (fogachos) podem agravar a irritação cutânea. Muitas mulheres acreditam que estão com algum tipo de alergia e, na verdade, estão passando por flutuações hormonais importantes”, explica a Dra. Patricia Magier, ginecologista formada pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia.

Efeito do estrogênio na pele feminina

Segundo a Dra. Patricia Magier, o estrogênio tem efeito direto sobre o tecido cutâneo, ao estimular a atividade dos fibroblastos, a síntese de colágeno e a manutenção da hidratação e elasticidade da pele. “Há uma associação entre menopausa e dermatoses comuns, incluindo ressecamento e coceira difusa; a literatura também descreve que mudanças hormonais influenciam o quadro inflamatório e impactam a barreira cutânea”, diz a médica.

A combinação entre queda hormonal e perda de colágeno torna a pele mais vulnerável, favorecendo o ressecamento e o prurido em muitas mulheres. “Essas mudanças hormonais tornam a pele mais seca, fina e sensível, o que pode levar ao prurido (coceira), mesmo sem lesões visíveis. Estudos indicam que, após a menopausa, há uma redução de cerca de 30% do colágeno nos primeiros cinco anos, o que piora o ressecamento e o prurido em muitas mulheres”, explica a dermatologista Dra. Glauce Eiko, membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

Médica e paciente sentadas, se olhando e sorrindo
Consulta médica é essencial para identificar as causas da coceira durante a menopausa (Imagem: Premreuthai | Shutterstock)

Quando buscar ajuda médica

Como nem sempre a causa da coceira e do ressecamento é exclusivamente hormonal, o melhor a fazer é buscar ajuda médica. “A coceira pode ter origem alérgica, dermatológica (eczema, psoríase), doenças sistêmicas (hepatopatias, distúrbios renais, alterações da tireoide), efeitos de medicamentos ou infestações. A história clínica e exame dirigidos são essenciais: início relacionado à transição menopausal, distribuição do prurido, presença/ausência de lesões visíveis, uso de cosméticos/medicações e sinais sistêmicos”, explica a Dra. Patricia Magier.

Conforme a Dra. Glauce Eiko, alguns sinais podem ajudar a identificar se a coceira tem relação hormonal. “[…] Mais sugestivos de influência hormonal/menopausa são: início na perimenopausa, sem mudança óbvia de cosmético, sabonete ou medicamento; pele visivelmente seca, fina, com descamação leve, mas sem placas bem delimitadas; coceira difusa (braços, pernas, tronco), muitas vezes pior à noite ou após banho quente; ausência de lesões típicas de doenças de pele, como bolhas, crostas espessas ou placas eritemato-descamativas bem definidas; e eventual melhora com hidratação intensiva e medidas gerais”, lista a médica.

Por outro lado, a dermatologista explica que é preciso ficar atento a sinais que sugerem um problema dermatológico específico, necessitando de atendimento médico com mais urgência. “Lesões visíveis marcantes, como manchas avermelhadas bem delimitadas, bolhas, feridas abertas, crostas grossas, placas descamativas e pústulas; coceira localizada em áreas típicas de certas doenças, como mãos, pés, couro cabeludo, dobras e região genital; início súbito após novo medicamento, alimento, produto químico ou infecção; e sinais gerais, como febre, emagrecimento, cansaço intenso, icterícia e inchaço, pois o prurido também pode estar ligado a doenças sistêmicas, como do fígado, rim, tireoide ou hematológicas”, alerta.

Tratamentos e abordagens possíveis

Segundo a Dra. Glauce Eiko, para melhorar a coceira, são recomendadas medidas gerais para pele seca e prurido, tais como:

  • Tomar banho com água morna (não quente) e por tempo curto;
  • Usar sabonete suave e sem perfume, de preferência apenas nas áreas de dobra, axilas, genitais e pés;
  • Aplicar hidratante rico em ceramidas, ureia em baixa concentração (5–10%), glicerina ou óleos vegetais logo após o banho, com a pele ainda úmida, evitando produtos com muito álcool ou fragrância;
  • Preferir roupas de algodão, evitando lã direta na pele e tecidos sintéticos ásperos;
  • Utilizar um umidificador em ambientes muito secos, evitando ar-condicionado muito frio diretamente na pele.

“Em relação aos tratamentos tópicos, se a pele estiver apenas seca, podem ser utilizados emolientes potentes com ceramidas, ácidos graxos e ácido hialurônico. Se houver muita coceira e leve inflamação, é recomendado consultar um dermatologista para considerar curtos períodos de corticosteroide tópico de baixa potência ou inibidores de calcineurina (como pimecrolimo ou tacrolimo) quando indicados”, explica a dermatologista.

Caso a coceira atinja a região íntima, também é possível tratar. “Para a região genital ou vulvar, que é muito afetada pelo hipoestrogenismo, o estrogênio tópico vaginal ou vulvar em baixíssima dose pode melhorar a secura, dor e prurido, sempre sob prescrição médica”, diz a Dra. Glauce Eiko, que ressalta: “O tratamento sistêmico deve ser realizado sob supervisão médica”.

Conforme a Dra. Patricia Magier, alguns tratamentos médicos podem ser usados também quando necessário. É o caso de anti-histamínicos orais e corticoides para controle sintomático de prurido intenso ou inflamação secundária. “No caso da terapia hormonal, há evidências que ela pode melhorar parâmetros da pele, com aumento de espessura epidérmica, aumento de colágeno e melhor hidratação”, explica.

Queixa subdiagnosticada

O desconforto cutâneo durante a transição hormonal ainda é pouco reconhecido e muitas vezes tratado como simples alergia. Essa percepção equivocada, por sua vez, atrasa o início de uma abordagem eficaz e individualizada.

“A coceira generalizada na transição menopausal é uma queixa subdiagnosticada. Então, antes de atribuir a coceira à alergia, é importante relatar ao médico o quadro, a relação com fogachos e a rotina de cuidados com a pele. Em casos de piora, com sangramento por coçar ou comprometimento da qualidade de vida, é fundamental buscar ajuda médica”, finaliza a Dra. Patricia Magier.

Por Maria Claudia Amoroso

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