Doença celíaca: 10 dicas para uma dieta sem glúten segura e equilibrada
Em 16 de maio é celebrado o Dia Mundial de Conscientização sobre a Doença Celíaca, uma data dedicada a ampliar o debate sobre uma condição autoimune que pode passar despercebida por anos e impactar diferentes funções do organismo. A doença celíaca afeta cerca de 1% da população mundial, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). […]
16/05/2026 11h00, Atualizado há 8 horas
Em 16 de maio é celebrado o Dia Mundial de Conscientização sobre a Doença Celíaca, uma data dedicada a ampliar o debate sobre uma condição autoimune que pode passar despercebida por anos e impactar diferentes funções do organismo.
A doença celíaca afeta cerca de 1% da população mundial, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Desencadeada pela ingestão de glúten, proteína presente no trigo, cevada e centeio, a condição provoca uma reação inflamatória no intestino delgado, comprometendo a absorção de nutrientes.
De acordo com a Dra. Daniela Antenuzi, médica e professora de Gastroenterologia da Afya Brasília, a doença ocorre em pessoas geneticamente predispostas. “Ao consumir glúten, o organismo desencadeia uma resposta imunológica inadequada que agride a mucosa do intestino delgado, causando inflamação, atrofia intestinal e prejuízo na absorção de nutrientes importantes, como ferro, cálcio e vitaminas”, explica.
Ela ressalta que a doença celíaca não deve ser confundida com alergia ao trigo ou sensibilidade não celíaca ao glúten. “São condições diferentes, com mecanismos e prognósticos distintos, embora alguns sintomas possam ser semelhantes”, afirma.
Sinais da doença celíaca
Conforme a médica, os sinais da doença nem sempre aparecem da forma clássica, o que pode atrasar o diagnóstico. Embora o intestino seja o principal órgão afetado, muitos pacientes não apresentam sintomas digestivos evidentes e alguns permanecem assintomáticos. Além de diarreia, dor abdominal e flatulência, também podem surgir anemia persistente, fadiga, distensão abdominal, perda de peso e deficiência de vitaminas e minerais.
A Dra. Daniela Antenuzi destaca ainda manifestações menos conhecidas, como dermatite herpetiforme, irregularidade menstrual, abortamentos de repetição, alterações neurológicas, distúrbios hepáticos e problemas no esmalte dentário.
Retirada do glúten da alimentação
Diego Righi, nutricionista e professor da Afya Centro Universitário Itaperuna, explica que a dieta totalmente livre de glúten, associada ao acompanhamento clínico e nutricional, é essencial para controlar os sintomas da doença, recuperar a mucosa intestinal e prevenir complicações.
“Não existe exclusão parcial para quem tem doença celíaca. A retirada deve ser completa, incluindo trigo, centeio, cevada, triticale e derivados”, afirma. Segundo ele, até a aveia exige cautela, sendo indicada apenas quando certificada sem glúten e com orientação profissional.
O nutricionista destaca ainda que o glúten pode estar presente de forma “oculta” em diversos produtos industrializados, como molhos, temperos prontos, embutidos, suplementos, chocolates, barras de cereal e cervejas, além do risco de contaminação cruzada. “Ler os rótulos e verificar as expressões ‘contém glúten’ ou ‘não contém glúten’ deve fazer parte da rotina”, orienta.
Diego Righi também chama atenção para a qualidade nutricional da dieta. “Muitas substituições utilizam farinhas refinadas e amidos pobres em fibras e micronutrientes, o que pode comprometer a alimentação”, explica. Entre os nutrientes que merecem acompanhamento, estão ferro, folato, vitaminas do complexo B, vitamina D, cálcio, magnésio e zinco, principalmente no início do tratamento.
Tratamento para a doença é essencial
A falta de tratamento adequado pode trazer consequências importantes para pacientes com doença celíaca. “Pacientes que não seguem rigorosamente a dieta isenta de glúten têm maior risco de desenvolver osteoporose, distúrbios hormonais, deficiências nutricionais e até linfoma intestinal e outros tipos de câncer”, alerta a Dra. Daniela Antenuzi.
Ela reforça, porém, que a retirada completa do glúten costuma promover melhora significativa dos sintomas e da qualidade de vida. Atualmente, não há medicamentos capazes de curar a doença celíaca.

Dieta sem glúten segura e equilibrada
Manter uma alimentação totalmente livre de glúten vai além da substituição de alimentos, exigindo atenção constante à rotina. A seguir, o nutricionista Diego Righi lista dicas práticas para garantir mais segurança e equilíbrio na dieta em casos de doença celíaca:
1. Priorize alimentos in natura e minimamente processados
Arroz, feijão, carnes, ovos, frutas, legumes, verduras, raízes, castanhas e sementes são naturalmente sem glúten quando não há contaminação cruzada.
2. Leia os rótulos sempre
Procure as expressões “contém glúten” ou “não contém glúten” e fique atento a ingredientes como trigo, cevada, centeio, malte e extrato de malte.
3. Não confunda “sem trigo” com “sem glúten”
Mesmo sem trigo, produtos com cevada, centeio ou malte continuam oferecendo risco para pessoas com doença celíaca.
4. Evite produtos a granel
Farinhas, castanhas, sementes e grãos vendidos a granel têm maior risco de contaminação cruzada por utensílios e recipientes compartilhados.
5. Separe utensílios e alimentos em casa
Torradeiras, peneiras, tábuas e até potes de manteiga, requeijão e geleia podem ser contaminados por migalhas de pão comum.
6. Tenha atenção ao óleo de fritura compartilhado
Batatas fritas e outros alimentos preparados no mesmo óleo de empanados deixam de ser seguros.
7. Pergunte sobre o preparo em restaurantes
Questione sobre fritadeiras, chapas, tábuas, molhos, temperos e manipulação dos alimentos para evitar contaminação cruzada.
8. Inclua fibras diariamente
Frutas, verduras, leguminosas, sementes e cereais integrais sem glúten ajudam na saúde intestinal e no equilíbrio nutricional.
9. Evite depender de ultraprocessados sem glúten
Biscoitos, pães e massas sem glúten podem conter excesso de açúcar, gordura, sal e amidos refinados, além de baixo valor nutricional.
10. Mantenha acompanhamento médico e nutricional
O monitoramento profissional é importante para acompanhar sintomas, exames, possíveis deficiências nutricionais e a necessidade de suplementação.
Por Beatriz Felicio