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Doença de Creutzfeldt-Jakob: entenda o que é a condição neurológica rara, sem cura e que avança rapidamente

A doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ) é uma condição neurológica rara, progressiva e de evolução rápida que afeta o cérebro e pode provocar alterações importantes na memória, no comportamento, nos movimentos e em outras funções neurológicas. Apesar de pouco frequente, ela chama atenção pela velocidade com que os sintomas podem avançar e pela dificuldade de diagnóstico […]

Por Edicase Conteúdo
21/08/2026 17h03, Atualizado há 0 horas

A doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ) é uma condição neurológica rara, progressiva e de evolução rápida que afeta o cérebro e pode provocar alterações importantes na memória, no comportamento, nos movimentos e em outras funções neurológicas. Apesar de pouco frequente, ela chama atenção pela velocidade com que os sintomas podem avançar e pela dificuldade de diagnóstico em suas fases iniciais.

A DCJ faz parte de um grupo de doenças causadas por alterações de proteínas chamadas príons. Quando essas proteínas assumem uma conformação anormal, podem desencadear uma reação em cadeia que provoca danos às células do sistema nervoso.

Primeiros sinais da doença de Creutzfeldt-Jakob

Os sintomas da doença de Creutzfeldt-Jakob podem variar entre os pacientes, mas a condição costuma provocar alterações cognitivas, comportamentais e neurológicas. Entre os sinais que podem aparecer, estão: 

  • Perda de memória;
  • Dificuldade de concentração;
  • Alterações de comportamento;
  • Confusão mental.

Com a progressão da doença, também podem surgir dificuldades para caminhar e coordenar os movimentos, alterações da visão, problemas de fala, rigidez muscular e movimentos involuntários.

“Por se tratar de uma doença rara e com sintomas que inicialmente podem se sobrepor aos de outras condições neurológicas, é importante observar não apenas a presença de alterações cognitivas, mas principalmente a rapidez com que elas aparecem e evoluem”, explica Yasmin Coelho, neurologista e professora do curso de Medicina da Uniderp.

DCJ pode ser confundida com Alzheimer?

Alterações de memória podem levar inicialmente à suspeita de doenças mais comuns, como o Alzheimer. No entanto, a evolução da DCJ costuma apresentar características diferentes, especialmente pela progressão acelerada e pela associação de alterações cognitivas com manifestações neurológicas e motoras.

Enquanto algumas demências apresentam evolução ao longo de anos, a Creutzfeldt-Jakob pode apresentar deterioração neurológica em um período muito mais curto. Por isso, sintomas cognitivos que surgem rapidamente e são acompanhados por alterações de equilíbrio, coordenação, fala, visão ou movimentos involuntários merecem investigação médica.

Mulher deitada em máquina de ressonância magnética e enfermeira ao lado conversando com ela
O diagnóstico da DCJ depende da combinação dos sinais clínicos e dos resultados dos exames (Imagem: Dragana Gordic | Shutterstock)

Diagnóstico da doença de Creutzfeldt-Jakob

O diagnóstico da DCJ considera a história clínica, a evolução dos sintomas e uma série de exames neurológicos. Podem ser utilizados exames de imagem, como a ressonância magnética, além de exames do líquido cefalorraquidiano e eletroencefalograma, entre outros recursos.

“Não existe um único exame simples que, isoladamente, seja suficiente para avaliar todos os casos. O diagnóstico depende da combinação dos sinais clínicos e dos resultados dos exames, além da exclusão de outras doenças que podem apresentar sintomas semelhantes”, esclarece a neurologista.

A confirmação definitiva da doença depende da análise do tecido cerebral, geralmente realizada após a morte. Por isso, a investigação durante a vida busca reunir evidências suficientes para estabelecer um diagnóstico provável ou possível.

A DCJ pode ocorrer em diferentes faixas etárias, mas a forma mais comum, chamada esporádica, é observada principalmente em pessoas mais velhas. A idade, entretanto, não deve ser considerada isoladamente para descartar a possibilidade da doença.

“Existem diferentes formas de Creutzfeldt-Jakob. Além da forma esporádica, há casos relacionados a fatores genéticos e formas adquiridas, que são extremamente raras. Por isso, a identificação da causa depende de uma avaliação médica individualizada”, aponta Yasmin Coelho. 

Por que a doença evolui tão rapidamente?

A característica mais marcante da DCJ é justamente sua rápida progressão. Os príons anormais podem provocar alterações progressivas no tecido cerebral, levando à perda acelerada de neurônios e ao comprometimento de diferentes funções do sistema nervoso. A velocidade da evolução pode variar, mas a doença é considerada grave e, atualmente, não existe tratamento capaz de interromper ou reverter o processo causado pelos príons.

Cuidados com o paciente

Na ausência de uma terapia curativa, o tratamento é direcionado ao controle dos sintomas e à oferta de conforto e qualidade de vida ao paciente. O acompanhamento pode envolver diferentes profissionais de saúde, de acordo com as necessidades apresentadas ao longo da evolução da doença. A neurologista esclarece que o cuidado também inclui atenção às dificuldades de mobilidade, alimentação, comunicação e outras funções que podem ser comprometidas. 

“O suporte aos familiares e cuidadores é igualmente importante, já que a rápida progressão da doença pode exigir mudanças significativas na rotina e na assistência ao paciente. Embora seja uma condição rara, conhecer os principais sinais da Creutzfeldt-Jakob ajuda a compreender quando alterações neurológicas de evolução rápida precisam ser investigadas. Diante de sintomas como perda cognitiva acelerada associada a dificuldades motoras, alterações de comportamento ou outros sinais neurológicos, a recomendação é buscar avaliação médica especializada”, conclui Yasmin Coelho.

Por Camila Souza Crepaldi

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