Dormir pouco depois de um grande evento pode ser prejudicial? Entenda os impactos no desempenho cognitivo
Diante da empolgação e da vontade de aproveitar cada momento em festivais, shows, feriados prolongados, viagens, festas e comemorações, pensar em dormir pode acabar ficando em segundo plano, fazendo com que algumas pessoas deixem para compensar o descanso perdido nos dias seguintes. Essa tentativa, porém, nem sempre é suficiente: os efeitos da privação de sono […]
09/09/2026 19h03, Atualizado há 0 horas
Diante da empolgação e da vontade de aproveitar cada momento em festivais, shows, feriados prolongados, viagens, festas e comemorações, pensar em dormir pode acabar ficando em segundo plano, fazendo com que algumas pessoas deixem para compensar o descanso perdido nos dias seguintes. Essa tentativa, porém, nem sempre é suficiente: os efeitos da privação de sono podem se prolongar e interferir em atividades do dia a dia, principalmente as que exigem atenção, raciocínio e aprendizagem.
Segundo Ana Cristina Vasconcellos, coordenadora do curso de Psicologia da Faculdade Anhanguera, o sono desempenha um papel essencial na consolidação da memória, no processamento das informações e na regulação da atenção. Quando esse período de recuperação é reduzido, o cérebro tem mais dificuldade para desempenhar funções cognitivas básicas.
“Durante o sono, especialmente nas fases mais profundas, o cérebro organiza informações adquiridas ao longo do dia e fortalece conexões importantes para a aprendizagem. Quando a pessoa dorme pouco ou de forma fragmentada por algumas noites seguidas, ela pode perceber mais dificuldade para lembrar conteúdos, manter o foco e tomar decisões”, explica.
A seguir, a especialista destaca cinco impactos comuns da privação de sono após períodos de intensa atividade social ou lazer. Confira!
1. Redução da capacidade de atenção
A falta de descanso adequado compromete a capacidade de manter o foco por longos períodos. Atividades que exigem concentração contínua, como estudar, trabalhar ou dirigir, podem se tornar mais difíceis. “É comum que a pessoa fique mais dispersa, esqueça tarefas simples ou precise reler informações várias vezes para compreendê-las”, afirma.
2. Mais dificuldade para aprender novos conteúdos
O cérebro precisa do sono para consolidar informações e transformá-las em conhecimento duradouro. Quando esse processo é interrompido, a retenção do conteúdo pode ser prejudicada. Por isso, estudantes e profissionais que precisam absorver novas informações frequentemente sentem maior dificuldade para aprender após períodos de sono insuficiente.
3. Falhas de memória no dia a dia
Esquecer compromissos, perder objetos ou ter dificuldade para recordar informações recentes também pode estar relacionado às noites mal dormidas. “A memória depende de processos que acontecem durante o sono. Sem esse período adequado de recuperação, o cérebro encontra mais dificuldade para armazenar e recuperar informações”, explica Ana Cristina Vasconcellos.

4. Alterações no humor e na tomada de decisões
Além dos impactos cognitivos, a privação de sono pode aumentar a irritabilidade, reduzir a tolerância ao estresse e influenciar a capacidade de avaliar situações com clareza. Pessoas que dormem menos tendem a reagir de forma mais impulsiva e podem ter mais dificuldade para interpretar informações e resolver problemas.
5. Sensação de cansaço mesmo após o evento
Mesmo quando a pessoa consegue recuperar algumas horas de sono, o corpo e o cérebro podem levar alguns dias para restabelecer completamente os níveis de atenção e disposição. “O retorno à rotina deve ser acompanhado de hábitos que favoreçam a recuperação, como horários regulares para dormir, redução do uso de telas antes de deitar e cuidados com a alimentação e o consumo de estimulantes”, recomenda a psicóloga.
Como recuperar o sono após grandes eventos
De acordo com a especialista, a melhor estratégia não é tentar compensar toda a privação de uma única vez, mas restabelecer gradualmente uma rotina regular de descanso. “Pequenos ajustes podem ajudar o organismo a retomar seu ritmo natural. O mais importante é priorizar a qualidade do sono nos dias seguintes, permitindo que cérebro e corpo recuperem suas funções adequadamente”, conclui.
Por Luana Figueiredo