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Empresas começam a criar seguros próprios sem virar seguradoras

Empresas que já possuem uma relação próxima com seus clientes estão incluindo seguros em suas plataformas. Varejistas, fintechs, companhias de mobilidade e negócios do setor imobiliário podem desenvolver produtos com a própria marca, enquanto uma seguradora parceira assume o risco e responde pela emissão das apólices. Esse arranjo pode ser estruturado por meio das MGAs, […]

Por Edicase Conteúdo
01/09/2026 14h02, Atualizado há 0 horas

Empresas que já possuem uma relação próxima com seus clientes estão incluindo seguros em suas plataformas. Varejistas, fintechs, companhias de mobilidade e negócios do setor imobiliário podem desenvolver produtos com a própria marca, enquanto uma seguradora parceira assume o risco e responde pela emissão das apólices.

Esse arranjo pode ser estruturado por meio das MGAs, sigla para Managing General Agents. O modelo permite entrar no mercado de seguros sem assumir o capital, a estrutura e as exigências regulatórias necessárias para constituir uma seguradora.

Para o consumidor, a proteção passa a ser oferecida dentro de uma jornada que já faz parte de sua rotina, como a compra de um veículo, a contratação de uma viagem ou a aquisição de um aparelho eletrônico.

MGAs mudam relação com o consumidor

Entre as empresas que já acompanham esse movimento está a Split Risk, que atua como seguradora e desenvolveu uma plataforma de Insurance as a Service para viabilizar operações de MGAs e seguros de marca própria. A trajetória da companhia começou no setor automotivo: o fundador, Pedro Pires, identificava consumidores que conseguiam financiar veículos, mas enfrentavam dificuldades para contratar seguro.

“O MGA normalmente nasce especialista em determinado público, segmento ou canal de distribuição. Por isso, consegue compreender melhor as necessidades daquele consumidor, desenvolver uma experiência mais simples e oferecer produtos mais personalizados”, afirma Pedro Pires. 

Nesse modelo, as responsabilidades são divididas: a seguradora permanece responsável pela gestão do risco, pela solvência, pelas reservas e pelas demais obrigações regulatórias, enquanto a MGA concentra sua atuação na construção do produto, na distribuição e na experiência oferecida ao cliente. “O seguro deixa de ser algo que o consumidor precisa procurar e passa a estar integrado à jornada que ele já percorre, quando a proteção faz mais sentido”, explica Pedro Pires.

Novas frentes de atuação

O avanço das MGAs está relacionado ao chamado embedded insurance, ou seguro embarcado: a proteção é incorporada à compra de outro produto ou serviço, e o consumidor recebe uma oferta adaptada àquela transação em vez de procurar uma seguradora depois.

Para empresas que já têm uma base de clientes, o seguro pode cumprir três funções: ampliar a proteção oferecida, aumentar a fidelização e criar uma nova fonte de receita, aproveitando o conhecimento que já possuem sobre seu público.

No varejo, o modelo pode proteger eletrônicos, móveis e equipamentos. Fintechs e bancos digitais podem incorporar seguros de vida e proteção financeira aos aplicativos. Empresas de mobilidade podem oferecer coberturas ligadas à compra, ao financiamento ou ao uso de veículos. 

“O ponto não é simplesmente digitalizar um seguro tradicional, mas usar dados, tecnologia e conhecimento da jornada para criar produtos mais específicos”, diz Pedro Pires, que completa: “Em vez de tentar encaixar milhões de consumidores em poucos produtos padronizados, o modelo permite desenvolver soluções adequadas a públicos, canais e necessidades diferentes.”

Mão feminina apontando para um papel com gráfico enquanto outra mão masculina segura uma caneta preta ao lado de uma calculadora
O potencial das MGAs no Brasil está relacionado tanto ao tamanho do setor quanto à parcela da população que ainda não possui seguros (Imagem: NaMong Productions92 | Shutterstock)

O tamanho da oportunidade

Nos Estados Unidos, onde esse mercado está mais desenvolvido, as MGAs movimentaram aproximadamente US$ 128 bilhões em prêmios em 2025, segundo a Conning. No Brasil, ainda não existe um levantamento oficial sobre a quantidade de MGAs em operação ou o volume de prêmios movimentado por elas, mas o potencial está relacionado tanto ao tamanho do setor quanto à parcela da população que ainda não possui seguros. O mercado supervisionado pela Susep, incluindo seguros, previdência complementar aberta e capitalização, arrecadou R$ 415,09 bilhões em 2025.

Seguro auto por assinatura

O seguro auto por assinatura é um exemplo de produto nascido dessa nova lógica de distribuição. A Meo Seguro concentra sua atuação nesse segmento e oferece uma contratação mensal, com a proposta de reduzir barreiras e tornar a permanência no seguro mais flexível. “O modelo de MGA criou condições para desenvolvermos uma proposta mais alinhada ao comportamento do consumidor atual, com mais flexibilidade, simplicidade e uso de tecnologia”, afirma Douglas Botelho, CEO da Meo Seguro.

Segundo o executivo, a estrutura permitiu reunir capacidade técnica, distribuição e conhecimento do consumidor. “Isso nos permitiu estruturar um seguro auto por assinatura e construir uma jornada mais simples para o cliente, mantendo a solidez necessária para operar no mercado de seguros.”

Hoje o seguro auto é o principal produto da empresa. A tecnologia é usada para reduzir etapas, automatizar processos e agilizar a jornada, da contratação aos diferentes momentos de relacionamento com o cliente.

Para o consumidor, a tendência é que a contratação de seguros se torne cada vez mais integrada a serviços que já utiliza. Para as empresas, o avanço abre a possibilidade de oferecer proteção relacionada ao próprio negócio sem assumir o papel e as responsabilidades de uma seguradora.

Por Thiago Baez

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