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Mau hálito persistente nem sempre é falta de higiene; conheça as principais causas

Apesar de, na maioria das vezes, ser associado à falta de escovação, o mau hálito nem sempre está relacionado apenas aos hábitos de higiene. Mais do que uma questão estética, o odor desagradável pode afetar a autoestima e a convivência social e, em alguns casos, merece atenção. Segundo o cirurgião-dentista Fernando Ferraz, identificar a causa […]

Por Edicase Conteúdo
07/09/2026 18h02, Atualizado há 0 horas

Apesar de, na maioria das vezes, ser associado à falta de escovação, o mau hálito nem sempre está relacionado apenas aos hábitos de higiene. Mais do que uma questão estética, o odor desagradável pode afetar a autoestima e a convivência social e, em alguns casos, merece atenção.

Segundo o cirurgião-dentista Fernando Ferraz, identificar a causa é fundamental, principalmente quando o problema persiste mesmo depois da higiene bucal. “O mau hálito não deve ser tratado apenas tentando mascarar o odor. Quando ele é frequente, precisamos entender de onde está vindo. Muitas vezes, a origem está na própria boca e pode estar relacionada à língua, à gengiva, aos dentes ou à diminuição da saliva”, explica.

Abaixo, conheça as principais causas por trás do mau hálito.

1. Sangramento na gengiva

Gengiva saudável não deve sangrar durante a escovação ou o uso do fio dental. O sangramento recorrente pode ser sinal de gengivite ou de doença periodontal e precisa ser investigado. Além da presença de bactérias associadas à inflamação, o próprio sangue na cavidade oral pode contribuir para a alteração do hálito.

“Quando existe sangramento gengival, temos um ambiente que pode favorecer o mau odor. O sangue contém proteínas que podem ser metabolizadas pelas bactérias da boca, contribuindo para a formação de compostos de odor desagradável. Por isso, se a gengiva sangra com frequência, não adianta tentar resolver o mau hálito com balas ou enxaguantes. É preciso tratar a inflamação”, explica Fernando Ferraz.

O especialista alerta ainda para um comportamento comum: abandonar o fio dental quando a gengiva começa a sangrar. “Muitas pessoas percebem o sangramento e param de passar o fio dental justamente naquele local. Quando o problema está relacionado ao acúmulo de placa bacteriana, interromper a higiene pode piorar a inflamação. Se o sangramento persiste, é necessário procurar o dentista”, orienta.

2. Acúmulo de resíduos na língua

Aquela camada esbranquiçada ou amarelada que pode se acumular sobre a língua, principalmente na região posterior, é chamada de saburra lingual. Ela é formada por células que se desprendem naturalmente da mucosa da boca, microrganismos, componentes da saliva e resíduos alimentares que ficam retidos entre as papilas da língua.

“Costumo explicar de uma maneira bem simples: é como um acúmulo de resíduos da própria boca. São células que já se desprenderam, restos e microrganismos que não têm motivo para continuar depositados ali. Por isso, assim como higienizamos os dentes, também devemos remover delicadamente o excesso de saburra da língua”, explica Fernando Ferraz.

A saburra pode contribuir para o mau hálito porque algumas bactérias presentes nesse material degradam proteínas e produzem compostos voláteis responsáveis pelo odor desagradável. A limpeza pode ser feita com um limpador de língua, sempre de maneira delicada.

“Não precisamos raspar a língua com força nem tentar deixá-la completamente rosada. O objetivo é remover o excesso de material acumulado sem machucar as papilas. A limpeza da língua deve fazer parte da higiene bucal diária”, orienta.

3. Boca seca

A saliva exerce papel importante na proteção e na limpeza natural da boca. Quando sua produção diminui, resíduos e microrganismos permanecem por mais tempo na cavidade oral, o que pode favorecer alterações no hálito. A sensação de boca seca pode estar relacionada à baixa ingestão de líquidos, respiração pela boca, alterações na produção de saliva e diferentes condições de saúde.

“Existem pessoas que fazem uma boa higiene bucal e ainda assim apresentam halitose porque produzem pouca saliva. Nesses casos, precisamos descobrir o que está provocando a boca seca. Simplesmente aumentar o número de escovações não resolve a causa”, afirma o dentista.

4. Medicamentos que diminuem a produção de saliva

A boca seca também pode aparecer como efeito adverso de determinados medicamentos. Alguns antidepressivos, antialérgicos, anti-hipertensivos e outros fármacos podem interferir no fluxo salivar. “O paciente nunca deve interromper uma medicação prescrita por causa da boca seca. O dentista precisa conhecer os medicamentos que ele utiliza para avaliar se existe uma possível relação e orientar estratégias para reduzir os impactos na saúde bucal“, ressalta Fernando Ferraz.

Mulher com o cabelo grisalho passando em consulta com dentista
A avaliação odontológica ajuda a identificar do mau hálito e indicar o tratamento mais adequado (Imagem: hedgehog94 | Shutterstock)

5. As famosas “bolinhas brancas” nas amígdalas

Os cáseos amigdalianos, popularmente conhecidos como pequenas bolinhas brancas ou amareladas que aparecem nas amígdalas, também podem estar associados ao mau hálito. Eles se formam a partir do acúmulo de resíduos, células e microrganismos nas pequenas cavidades existentes nas amígdalas e podem apresentar odor bastante desagradável.

“Algumas pessoas têm cáseos com bastante frequência e percebem alteração no hálito. Nesses casos, é importante entender que a origem não está nos dentes. Quando o problema é recorrente ou vem acompanhado de outros sintomas, pode ser necessário encaminhar o paciente para avaliação com um otorrinolaringologista”, explica.

6. Cáries, próteses e restaurações

Cáries, próteses mal higienizadas e restaurações com problemas podem criar áreas de retenção de resíduos e placa bacteriana, contribuindo para o mau odor. “A pessoa pode escovar os dentes várias vezes ao dia, mas, se existe uma região que retém alimento ou placa e que ela não consegue higienizar adequadamente, o problema continuará. Por isso, quando a halitose persiste, é importante fazer uma avaliação completa da boca”, afirma Fernando Ferraz.

7. Alimentação e hábitos do dia a dia

Alho, cebola e bebidas alcoólicas podem provocar alterações temporárias no hálito. O tabagismo também contribui para o mau odor e está associado a problemas bucais que podem agravá-lo. Longos períodos sem comer também podem modificar o hálito em algumas pessoas. Por isso, além da higiene, é importante observar os hábitos ao longo do dia.

Cuidado com o uso do enxaguante bucal

Diante do mau hálito, muita gente recorre imediatamente ao enxaguante bucal. A sensação de frescor, entretanto, não significa que a causa tenha sido eliminada. A cavidade oral abriga centenas de espécies de bactérias e outros microrganismos que formam o microbioma da boca. Muitos deles convivem naturalmente conosco e participam do equilíbrio desse ambiente.

“Existe uma ideia de que quanto menos bactérias tivermos na boca, melhor, e não é assim. Nós convivemos naturalmente com uma enorme diversidade de microrganismos. Alguns enxaguantes antissépticos têm ação bastante ampla e seu uso sem indicação ou por períodos inadequados pode interferir nesse equilíbrio”, explica Fernando Ferraz.

Por isso, enxaguantes com ação terapêutica ou antisséptica devem ser utilizados quando houver indicação profissional e pelo período recomendado pelo dentista. “Dependendo do princípio ativo, o enxaguante pode ser muito útil em determinadas situações. Mas ele não deve virar um hábito simplesmente porque a pessoa acredita que está desinfetando a boca ou porque quer manter o hálito fresco. O dentista deve avaliar quando existe indicação, qual produto utilizar e por quanto tempo”, ressalta.

Balas, sprays e outros produtos que prometem refrescar o hálito também podem apenas mascarar temporariamente o odor. “Se existe halitose recorrente, precisamos descobrir o motivo. Mascarar o cheiro não significa tratar o problema”, alerta o dentista.

Quando o mau hálito precisa ser investigado?

O hálito ao acordar ou depois do consumo de determinados alimentos pode sofrer alterações passageiras. A situação é diferente quando o odor persiste ao longo do dia ou aparece com frequência, apesar de uma boa higiene bucal. Um dos desafios é que nem sempre a própria pessoa percebe que está com mau hálito. Com o tempo, o olfato pode se adaptar ao odor.

“Se alguém próximo chama a atenção para um mau hálito recorrente ou a própria pessoa percebe que o problema persiste, vale procurar o dentista. Não é motivo para constrangimento. Precisamos avaliar a boca, identificar a origem e, a partir daí, indicar o tratamento adequado”, afirma Fernando Ferraz.

Caso as possíveis causas bucais sejam descartadas, o dentista pode orientar a investigação com outros profissionais de saúde. “Não existe uma única solução para o mau hálito porque não existe uma única causa. O primeiro passo é descobrir por que ele está acontecendo. A partir daí conseguimos definir a melhor abordagem”, finaliza.

Por Silmara Sanches

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