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O que são os Erês? Conheça as entidades que trazem a energia das crianças e são celebradas em setembro

Setembro é um mês especialmente simbólico para muitas tradições de matriz africana e, na Umbanda, é tradicionalmente associado às celebrações dos Erês, entidades que se manifestam com alegria, espontaneidade e pureza características da infância. As chamadas “crianças” trazem uma energia leve e acolhedora, mas sua atuação espiritual vai muito além da ideia de brincadeira. Os […]

Por Edicase Conteúdo
31/08/2026 15h02, Atualizado há 0 horas

Setembro é um mês especialmente simbólico para muitas tradições de matriz africana e, na Umbanda, é tradicionalmente associado às celebrações dos Erês, entidades que se manifestam com alegria, espontaneidade e pureza características da infância. As chamadas “crianças” trazem uma energia leve e acolhedora, mas sua atuação espiritual vai muito além da ideia de brincadeira.

Os Erês são conhecidos por trabalhar com alegria, renovação, esperança e harmonização. Em muitas casas de Umbanda, suas giras e homenagens acontecem especialmente em setembro, período em que também são comuns as tradicionais festas com doces, brinquedos e comidas oferecidas às crianças espirituais.

O dia 27 de setembro é tradicionalmente associado a São Cosme e São Damião e, no Brasil, a data ganhou forte relação com as celebrações das crianças espirituais na Umbanda e com a distribuição de doces. A tradição também dialoga com elementos do sincretismo religioso brasileiro, especialmente com a associação entre os santos católicos e os Ibejis, divindades gêmeas da tradição iorubá relacionadas à infância, à alegria e à dualidade. Por isso, durante o mês, é comum encontrar terreiros realizando festas e giras dedicadas à linha das Crianças, embora as formas de celebração possam variar de acordo com cada terreiro e tradição.

Quem são os Erês?

Dentro da Umbanda, os Erês fazem parte da chamada linha das Crianças, uma falange espiritual associada à inocência, à alegria e à capacidade de enxergar a vida com mais simplicidade. Eles podem se apresentar de maneira brincalhona, falar de forma espontânea e demonstrar uma energia muito próxima do universo infantil.

É importante, porém, não confundir os Erês com crianças desencarnadas. Na compreensão de muitas vertentes da Umbanda, trata-se de entidades espirituais que trabalham nessa vibração infantil, independentemente de terem tido uma existência terrena como crianças.

Suas manifestações podem variar bastante de uma casa para outra. Nomes como Cosme, Damião, Doum, Rosinha, Joãozinho e Mariazinha aparecem em diferentes tradições, mas não existe uma única forma de organização dessa linha em toda a Umbanda.

O que os Erês representam?

A energia dos Erês está ligada à capacidade de recuperar a alegria mesmo depois de momentos difíceis. Eles nos lembram que espiritualidade também pode envolver leveza, espontaneidade e esperança. Entre os principais simbolismos associados a essa linha, estão:

  • Alegria e celebração da vida;
  • Renovação energética;
  • Esperança;
  • Espontaneidade;
  • Simplicidade;
  • Proteção;
  • Criatividade;
  • Capacidade de perdoar e recomeçar.

A aparente simplicidade dessa energia não significa falta de profundidade. Na Umbanda, os Erês podem trazer ensinamentos importantes justamente por meio de uma linguagem direta, afetiva e, muitas vezes, desconcertante.

Sacos de doce personalizados para Cosme e Damião
Participar de uma celebração para os Erês em um terreiro de confiança é uma forma de se aproximar da vibração dessas entidades (Imagem: LuizSouza | Shutterstock)

Conectando-se com a energia dos Erês

Para quem deseja se aproximar dessa vibração, o primeiro passo é cultivar dentro de si algumas das qualidades relacionadas às crianças espirituais: alegria, sinceridade, generosidade e capacidade de encontrar beleza nas pequenas coisas.

Uma maneira simples de fazer isso é reservar alguns minutos do dia para uma oração espontânea, agradecendo pela vida e pedindo proteção e caminhos abertos. Também é possível fazer uma reflexão sobre aquilo que está tirando sua alegria e buscar conscientemente formas mais leves de lidar com essas questões.

Outra possibilidade é participar de uma celebração dedicada aos Erês em um terreiro de confiança. Nesse caso, é importante respeitar as orientações da própria casa, já que cada terreiro possui seus fundamentos, rituais e formas específicas de culto.

Doces, brinquedos e oferendas: é preciso ter cuidado

Os doces são uma das imagens mais conhecidas das celebrações dos Erês. Bolos, balas, frutas e outras guloseimas podem fazer parte das festas realizadas em setembro. Entretanto, não existe uma receita universal de oferenda que possa ser aplicada a todas as casas de Umbanda. Elementos ritualísticos, alimentos, bebidas, cores e formas de entrega podem mudar de acordo com a tradição seguida.

Por isso, para quem não pertence a um terreiro, não é necessário reproduzir rituais encontrados na internet. Uma oração sincera, uma atitude de caridade ou a participação respeitosa em uma celebração podem ser formas muito mais adequadas de se aproximar dessa energia. Também é fundamental evitar deixar doces, objetos ou outros materiais em espaços públicos ou na natureza, contribuindo para a preservação ambiental e para o respeito aos locais utilizados por todos.

Uma espiritualidade que ensina a voltar a sorrir

A mensagem dos Erês pode ser especialmente importante em tempos em que a vida adulta frequentemente nos distancia da espontaneidade. Sua energia convida a recuperar a capacidade de brincar, criar, rir e enxergar possibilidades onde antes parecia existir apenas dificuldade.

Isso não significa ignorar os problemas ou tratar questões sérias com superficialidade. A lição está justamente em não permitir que as dificuldades eliminem completamente nossa capacidade de experimentar alegria.

Em setembro, portanto, a celebração dos Erês pode ser também um convite à reflexão: quando foi a última vez que você permitiu a si mesmo viver algo simplesmente porque aquilo lhe fazia bem? Talvez essa seja uma das grandes mensagens atribuídas às crianças espirituais da Umbanda: a vida pode ser profunda sem deixar de ser leve.

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