Quedas rápidas de energia podem queimar aparelhos? Saiba como evitar prejuízos
A energia acaba por poucos segundos e retorna logo em seguida. Embora pareça uma ocorrência inofensiva, esse tipo de interrupção pode representar risco para eletrodomésticos e aparelhos eletrônicos, especialmente quando acontece repetidas vezes. Segundo Samara Araújo Santiago, docente de Engenharia Elétrica da Unopar Palmas, o problema não está somente na falta de energia, mas nas […]
01/10/2026 20h02, Atualizado há 0 horas
A energia acaba por poucos segundos e retorna logo em seguida. Embora pareça uma ocorrência inofensiva, esse tipo de interrupção pode representar risco para eletrodomésticos e aparelhos eletrônicos, especialmente quando acontece repetidas vezes.
Segundo Samara Araújo Santiago, docente de Engenharia Elétrica da Unopar Palmas, o problema não está somente na falta de energia, mas nas possíveis alterações de tensão que podem ocorrer durante a interrupção e no momento em que o fornecimento é restabelecido.
“Quando a energia retorna, podem ocorrer picos de tensão, quedas de tensão ou oscilações em um curto intervalo. Essas variações submetem os componentes internos dos aparelhos a um esforço maior e podem provocar falhas imediatas ou reduzir sua vida útil”, explica.
Equipamentos que exigem atenção
Equipamentos com placas eletrônicas, como televisores, computadores, roteadores, micro-ondas e máquinas de lavar, estão entre os mais sensíveis. Geladeiras, freezers e aparelhos de ar-condicionado também merecem atenção, porque possuem motores e compressores que podem ser prejudicados por desligamentos e reinicializações sucessivas.
“O compressor precisa de um intervalo para equilibrar a pressão interna antes de voltar a funcionar. Quando a energia cai e retorna rapidamente várias vezes, o equipamento pode tentar reiniciar sem esse tempo necessário, aumentando o risco de superaquecimento e desgaste”, esclarece a docente.
Além das interrupções no fornecimento, tempestades, descargas atmosféricas, falhas na rede elétrica e problemas na instalação interna do imóvel podem provocar oscilações. Por isso, Samara Araújo Santiago destaca que a proteção dos aparelhos deve começar pela própria instalação elétrica.

Como proteger os aparelhos?
Durante períodos de instabilidade, a recomendação é retirar da tomada os equipamentos mais sensíveis. Depois que o fornecimento for restabelecido, é indicado aguardar alguns minutos antes de reconectá-los e evitar ligar vários aparelhos potentes ao mesmo tempo.
A instalação de Dispositivos de Proteção contra Surtos, conhecidos como DPS, no quadro elétrico também ajuda a reduzir os impactos de picos de tensão. O equipamento deve ser dimensionado e instalado por um eletricista qualificado, acompanhado de aterramento adequado e de dispositivos de proteção compatíveis com a instalação.
Para computadores, modems e outros equipamentos que podem perder dados durante um desligamento repentino, o nobreak pode garantir alguns minutos de funcionamento e permitir o encerramento seguro das atividades. Filtros de linha de boa procedência também oferecem proteção complementar, mas não substituem o DPS instalado no quadro elétrico.
“Não basta comprar qualquer dispositivo e conectá-lo à tomada. A proteção precisa ser compatível com a potência dos aparelhos e com as características da instalação. Também é importante evitar adaptadores improvisados, extensões sobrecarregadas e produtos sem certificação”, alerta Samara Araújo Santiago.
Fique atento aos sinais de problemas elétricos
A docente orienta ainda que sinais como tomadas aquecidas, cheiro de queimado, faíscas, disjuntores desarmando com frequência e luzes piscando mesmo sem interrupção no fornecimento devem ser avaliados por um profissional. Esses problemas podem indicar falhas na instalação interna do imóvel.
Caso um equipamento seja danificado por uma falha no fornecimento, o consumidor pode solicitar ressarcimento à distribuidora de energia. Conforme as regras da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o pedido pode ser feito em até cinco anos após a ocorrência do dano. É importante registrar protocolos, guardar documentos do aparelho e reunir informações sobre o dia e o horário do problema.
Por Letícia Zuim Gonzalez