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Veja a importância de fortalecer o assoalho pélvico

Visando manter a saúde do corpo, diversas pessoas frequentam a academia e fazem exercícios para tonificar bíceps, tríceps e abdômen. Porém, os músculos da região da pelve, que também precisa de cuidados, costumam ser esquecidos. Todavia, um assoalho pélvico enfraquecido pode trazer diversas consequências à saúde. “O enfraquecimento do assoalho pélvico pode resultar em perdas […]

10 de maio de 2024

Reportagem de: Edicase Conteúdo

Visando manter a saúde do corpo, diversas pessoas frequentam a academia e fazem exercícios para tonificar bíceps, tríceps e abdômen. Porém, os músculos da região da pelve, que também precisa de cuidados, costumam ser esquecidos. Todavia, um assoalho pélvico enfraquecido pode trazer diversas consequências à saúde.

“O enfraquecimento do assoalho pélvico pode resultar em perdas involuntárias de urina, incontinência fecal, dor, desconforto, problemas intestinais, disfunção sexual e prolapso de órgãos pélvicos, resultando na fragilização das estruturas de suporte dos órgãos na região, o que leva ao deslocamento ou à queda de órgãos como bexiga, útero ou reto”, diz a terapeuta sexual Claudia Petry, membro da SBRASH (Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana).

Segundo Claudia Petry, o assoalho pélvico é um conjunto de músculos e tecidos localizados na região inferior da pelve – entre os ossos do quadril – cuja função é sustentar os órgãos pélvicos (bexiga, útero e reto). “Estes músculos garantem o controle dos esfíncteres urinário e anal; além disso, desempenham um papel importante na estabilidade da pelve e na função sexual”, diz a especialista.

Causas do assoalho pélvico enfraquecido

Existem diversos fatores que podem comprometer as funções do assoalho pélvico. Entre as mulheres, os mais comuns se referem à gravidez e ao parto. “Durante essa fase, os músculos do assoalho pélvico são submetidos a uma grande pressão, o que pode causar enfraquecimento e lesões. Com o passar dos anos, os tecidos da região podem se tornar mais frágeis e perder a sua elasticidade natural, levando a problemas”, explica a terapeuta sexual.

Nos homens, a condição é menos comum, mas isso não significa que eles não possam tê-la, especialmente se estiverem obesos ou realizarem exercícios físicos muito intensos. “O excesso de peso também pode sobrecarregar os músculos do assoalho pélvico, levando ao enfraquecimento e à disfunção. A prática de atividades físicas de alto impacto, como corrida e saltos, pode causar tensão excessiva nos músculos da região, resultando em lesões”, expõe a especialista.

Além desses, procedimentos cirúrgicos na região, como histerectomia e cirurgia de próstata, e hábitos de vida inadequados, como esforço excessivo durante a evacuação e má postura, também estão na lista dos fatores que comprometem a região.

Fortalecendo o assoalho pélvico

A disfunção do assoalho pélvico, geralmente, pode ser tratada sem a necessidade de cirurgia. Porém, apenas um profissional de saúde qualificado deve indicar o tratamento mais adequado. Dentre os mais comuns, segundo a terapeuta sexual, estão:

  • Biofeedback: é um método que utiliza dispositivos para medir a atividade muscular do assoalho pélvico. Ajuda a pessoa a visualizar e entender melhor os movimentos dos músculos, auxiliando no treinamento e fortalecimento adequado;
  • Estimulação elétrica: consiste na utilização de correntes elétricas suaves para estimular os músculos do assoalho pélvico. Ajuda a fortalecer os músculos de forma mais intensa;
  • Terapia comportamental: envolve a identificação e a modificação de hábitos e comportamentos que possam contribuir para o enfraquecimento do assoalho pélvico, como posturas inadequadas ou práticas que sobrecarregam os músculos;
  • Terapia manual: pode ser realizada por fisioterapeutas especializados em assoalho pélvico. Envolve técnicas como massagem, mobilização e liberação miofascial para relaxar e fortalecer os músculos do assoalho pélvico.

“É importante considerar o fortalecimento destes órgãos como parte de uma rotina de cuidados com a saúde, tanto para prevenir problemas futuros quanto para tratar casos de enfraquecimento já existentes”, ressalta Claudia Petry. A fisioterapeuta pélvica Débora Pádua completa: “hoje existem, nos consultórios de fisioterapia pélvica, games para que o fortalecimento não seja tão chato e repetitivo e alguns cones vaginais e sondas para treinar e ser bem mais divertido o processo”.

Mulher deitada fazendo elevação de ponte
Exercício de ponte ajuda a fortalecer a pelve de forma prática e sem aparelhos (Imagem: LightField Studios | Shutterstock)

Exercícios para fortalecer a pélvis em casa

Além dos tratamentos, alguns exercícios físicos podem ser feitos em casa para fortalecer a pélvis sem a necessidade de equipamentos, como:

  • Exercício de ponte: deite-se de costas com os joelhos dobrados e os pés apoiados no chão. Contraia os músculos do assoalho pélvico e, ao mesmo tempo, levante os quadris do chão, formando uma linha reta dos ombros aos joelhos. Mantenha essa posição por alguns segundos e depois abaixe os quadris;
  • Exercício de contração e relaxamento: sente-se confortavelmente e contraia os músculos do assoalho pélvico como se estivesse tentando interromper o fluxo de urina. Mantenha a contração por alguns segundos e depois relaxe completamente. Repita esse processo várias vezes;
  • Exercício de respiração profunda: sente-se confortavelmente, feche os olhos e respire profundamente pelo nariz, enchendo os pulmões. Depois, expire lentamente pela boca, enquanto relaxa os músculos do assoalho pélvico. Repita o processo por 3 vezes.

Segundo Cláudia Petry, os resultados dos exercícios, geralmente, podem ser notados logo nas primeiras semanas. “No entanto, para obter efeitos significativos e duradouros, pode ser necessário um tempo maior, normalmente de alguns meses. É importante lembrar que a consistência e a prática regular dos exercícios são essenciais para alcançar resultados de forma mais satisfatória”, afirma.

Cuidados ao praticar os exercícios

Apesar da eficácia desse tipo de prática, Débora Pádua alerta: “antes de fazer os exercícios, o ideal é ser avaliada para ter certeza de que não existe nenhuma contra indicação […], lembrando que precisamos fazer o fortalecimento com contração e aprender a relaxar ou podemos também ter um excesso de contração e gerar dor na região”.

Ou seja, para fortalecer essa região também é importante conhecer o próprio corpo. “É essencial conhecer e ativar corretamente os músculos do assoalho pélvico, respeitar os limites do corpo, executar os exercícios com a técnica correta, ser consistente e observar sinais de alerta, como dor ou desconforto. Adaptar os exercícios de acordo com as necessidades individuais é fundamental”, diz Cláudia Petry.

Diferença entre fisioterapia pélvica e pompoarismo

A fisioterapia pélvica e o pompoarismo se mostram diferentes, mas estão relacionados por trabalhar a região pélvica; por isso, costumam ser confundidos pelo público. Para esclarecer, as especialistas explicam a finalidade de cada uma. “A fisioterapia pélvica visa à melhora da saúde de forma geral e auxilia a mulher em questões como dor na relação sexual, melhora da continência, disfunções sexuais, disfunções pélvicas e auxílio no parto e pós-parto”, diz Débora Pádua.

Por outro lado, o pompoarismo fortalece e tonifica os músculos do assoalho pélvico, melhorando a consciência corporal e o prazer sexual. “O pompoarismo é realizado por meio de exercícios específicos de contração e relaxamento dos músculos vaginais, utilizando acessórios como as bolinhas tailandesas”, explica Cláudia Petry. Débora Pádua completa: “quem tem disfunções muitas vezes não tem indicação do pompoarismo, por isso uma especialista sempre é indicado para auxiliá-la”.

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