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Amigos homenageiam Henrique Abib cantando composições de sua autoria

Um grupo formado por alguns dos melhores artistas mogianos movimentou, nos últimos dias, o Estúdio Municipal de Áudio e Música (Emam) para a gravação de um CD contendo 11 músicas de autoria do compositor Henrique Abib. A iniciativa, liderada pelo músico Mateus Sartori, busca concretizar um antigo projeto de reunir em um disco somente canções […]

Por O Diário
04/07/2023 15h44, Atualizado há 35 meses

Um grupo formado por alguns dos melhores artistas mogianos movimentou, nos últimos dias, o Estúdio Municipal de Áudio e Música (Emam) para a gravação de um CD contendo 11 músicas de autoria do compositor Henrique Abib. A iniciativa, liderada pelo músico Mateus Sartori, busca concretizar um antigo projeto de reunir em um disco somente canções autorais de Abib, conhecido por suas incursões na noite e nas atividades culturais e musicais da cidade.

O CD será também um presente para o músico, atualmente internado no Hospital Luzia de Pinho Melo, onde busca superar problemas de saúde. 

Além de artistas locais, amigos de Abib, como Paulo Henrique (PH), Waldir Vera, Gui Cardoso, Lívia Barros, Aline Chiaradia, e o próprio Mateus Sartori, entre outros, o disco “Meu Quintal”, terá ainda as participações especiais do violonista santista Bruno Conde e do cantor, violonista e percussionista paulistano, Renato Braz, uma das vozes mais privilegiadas da MPB. Toda a parte instrumental foi produzida e gravada pelos músicos Danilo Silva e Evandro dos Reis.

A história do CD começa no ano passado, quando Abib decidiu colocar em prática um antigo projeto de gravar um disco só com músicas de sua autoria. 

Com a ajuda de Sartori, ele se inscreveu num projeto cultural da Prefeitura de Mogi e foi contemplado com a gravação no Emam. Ele aguardava a finalização do processo, enquanto cuidava do repertório, selecionando as canções de maior significado dentro sua carreira de músico, que sempre caminhou paralela a outras atividades junto a empresas da cidade, como o jornal O Diário, onde, por muitos anos, cuidou da circulação e exerceu outras funções no setor administrativo da publicação.

Com a saúde abalada, Abib teve de ser internado, mas a produção do CD caminhou para que músicos, amigos de longa data, o substituíssem nos vocais.

Com a agenda assegurada no estúdio, coube a Sartori arregimentar os companheiros para que a gravação ocorresse durante um único final de semana. A operação exigiu apoio da tecnologia. Bruno Conde, por exemplo, que mora em Santos, gravou e enviou a base instrumental, com seu violão, para a canção “Tons” que o ex-secretário de Cultura de Mogi interpreta no CD.

Pedrão Abib gravou domingo (2), em Salvador, na Bahia, onde reside, a música “Na Gafieira”, enquanto Renato Braz colocou sua voz nos arranjos de “Cambaio”, nesta terça-feira (4), em São Paulo. 
A internet se encarregou de trazer tudo isso até a cidade, onde os demais participantes do projeto gravaram no Emam, entre sábado (1º) e terça.

“Meu Quintal” será o quarto álbum de Henrique Abib, que também já atuou como parceiro (feat) em duas canções gravadas num CD do músico Paulo Henrique: “Serra do Itapety” e “Um Pé”.

Nas plataformas digitais, como Deezer e Spotify podem ser encontrados o primeiro disco de Abib, “O Filho do Quilombo” (ouça aqui), um EP com quatro músicas, além dos álbuns “O Que Minh’Alma Velha Guarda” e “Teu Nome”.

“Com o ‘Meu Quintal’ não vai ser diferente. A ideia é subir o novo CD para as plataformas musicais, logo que o disco estiver concluído, para que as pessoas tenham acesso facilitado às músicas e suas interpretações”, afirma Sartori

O novo disco
Coube ao cantor Renato Braz interpretar a música de abertura, “Cambaio”, sinônimo de trôpego, onde o autor mostra sua fé na vida e na capacidade de encarar as suas dificuldades (Tá cheio, balaio/Quem disse que caio/Lhe disse besteira/Apesar do peso/Sigo pela pirambeira/Ladeira abaixo, diacho/Quer saber o que eu acho/Dessa lamaceira/Coisa alguma).

Coube a Gui Cardoso cantar “Contrapartida”, em que Abib volta a mostrar-se corajoso diante das intempéries (Na contrapartida/O fio dos punhas/O mundo das coisas banais/Sangro, resisto, insisto e me volto/Pra onde tem o olhar/Vou indo). O mote “vou indo” é repetido por mais duas vezes, final de cada conjunto de versos.

A Aline Chiaradia, cantora sempre elogiada pelo compositor, coube interpretar “Manhãs na Aldeia”, onde ele mistura ecologia com as raízes indígenas dos brasileiros (Vim para evocar o Xamã/Vim para me encontrar/Na chuva, no vento que é para defender/As terras, a mata/Os rios, os entes/Os gentis, os quilombolas/A fauna e a flora deste lugar).

Outra cantora, Valéria Custódio, apresenta “Maria do Luar”, onde Abib evoca sua alma de boêmio, acostumado a varar madrugadas e se extasiar, com poesia, diante do inevitável nascer do dia (Que bom que a lua não me esqueceu/Olha que o dia amanheceu/E ela insistiu em permanecer no céu/Me acompanhando/Maria não). Uma letra marcada pela simplicidade capaz de evocar o amor ausente diante da lua.

Coube a Waldir Vera, cantar as memórias de infância de Abib, retratadas na letra de “Meu Quintal”, música que dá nome ao CD, na qual o autor relembra o passado e as brincadeiras nos fundos da antiga casa onde morava (No meu quintal/Havia um poço profundo/Um pé de limão/Um caramanchão/Tinha varal/E as roupas de um vasto mundo/Que vestiam sonhos/Naqueles meninos).

Para Pedrão Abib, que há tempos trocou o ambiente musical de Mogi pela Bahia, mas que reaparece de vez em quando para rever e tocar com amigos, Henrique entre eles, ficou a interpretação de “Na Gafieira”, onde o autor revela como se sente num desses bailes que Jorge Veiga e Moreira da Silva imortalizaram no clássico “Piston de Gafieira”, aquele que diz que na hora da confusão, algo comum nesses locais, “quem está fora não entra, quem está dentro não sai”. Abib prefere revelar seu comportamento em relação ao ambiente (Sou homem sem eira e nem beira/É o seguinte: é pegar ou largar/Mas só se você for solteira/Mas só se for na gafieira/ Meu coração quer sambar).

Paulo Henrique, o PH, querido companheiro, que levou Abib a participar a seu lado de um de seus CDs, interpreta “Navegador”, onde o autor usa a metáfora para voltar a falar de vida (Na calmaria, consulto as cartas/E os astros na imensidão/O rastro dos dias/A estrela guia/Meu coração/Que é para merecer/Que me abracem no cais/Do bom tempo).

Mais lembranças de infância vêm com “O Maquinista”. Lívia Barros interpreta, bem ao seu estilo, a letra em que o autor conta a história do menino apaixonado por trens, que virou maquinista da antiga Central do Brasil e nunca mais saiu de lá (Levando vagão da vida/E vidas em cada vagão/Chegadas e partidas/ Vidas a cada estação).

Guilherme Bandeira canta Sambaqui (Manda rodar/Esse filme tantas vezes vi/A história é o xis da questão), enquanto Evandro dos Reis, que atuou também como técnico de áudio e gravou todas as percussões do disco, interpreta Temporal (Temporal vem lá/Melhor correr/O meu coração tá no varal/Há dias que não faz sol/O meu peito encharcou/Eu vou recolher/Tem que secar).

Coube a Mateus Sartori, outro grande amigo de Abib, acompanhado pelo violão de Bruno Conde, cantar a canção “Tons”, que fecha o disco. Nela, o autor mistura os tons da música, lembrando que os acordes em menor soam tristes demais, os das cores, em que ele prefere os pastéis, para amenizar o calor; mas, por fim, sucumbe diante de um tom mais importante (Prefiro o tom contido/Ao desmedido ou sem pudor/Contudo o meu preferido/O que me faz mais sentido/ É o tom do amor).

Henrique Abib deverá ser o primeiro a ouvir suas letras interpretadas por tanta gente boa e amiga, seus colegas de música e boemia.

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