Brasil vence Oscar de melhor filme internacional com Ainda Estou Aqui
Em seu discurso, o diretor Walter Salles destacou a vida e a luta de Eunice Paiva após o assassinato de Rubens Paiva pela ditadura militar.
03/03/2025 00h11, Atualizado há 14 meses
Walter Salles discursa no Oscar 2025 | Reprodução TV Globo
É do Brasil!!! Sim, a estatueta é nossa! O Brasil venceu o Oscar de melhor filme internacional, com “Ainda Estou Aqui”. Desbancou “A Garota da Agulha”, da Dinamarca, “Emilia Pérez”, produção da França, “A Semente do Fruto Sagrado”, da Alemanha, e, “Flow”, da Litônia.
Em seu discurso, o diretor Walter Salles destacou a vida e a luta de Eunice Paiva após o assassinato de Rubens Paiva pela ditadura militar. Ele enalteceu ainda a interpretação da atriz Fernanda Torres, que viveu Eunice nas telonas e também foi indicada a melhor atriz pelo papel.
Ainda Estou Aqui também concorreu a melhor filme, aliás, a primeira vez que o Brasil se fez presente nesta categoria. Quem venceu foi “Anora”, o grande vencedor da noite, com cinco prêmios no total.
O cineasta Sean Baker, de “Anora” teve uma noite marcante, já que ele se tornou a primeira pessoa na história a ganhar quatro Oscars pelo mesmo filme. Além da estatueta de melhor filme como produtor da história sobre a relação entre uma stripper e o herdeiro de um oligarca russo, o americano venceu como diretor, como montador e como roteirista (na categoria de roteiro original). O outro prêmio foi o de atriz, com Mikey Madison, que venceu justamente a nossa Fernanda Torres.
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O filme
Ainda Estou Aqui é adaptação do livro autobiográfico de Marcelo Rubens Paiva. Ele narra a trajetória de sua mãe, Eunice Paiva, estrelada por Fernanda Torres, durante a ditadura militar no Brasil.
Ambientada em 1970, a história retrata como a vida de uma mulher comum, casada com um importante político, muda drasticamente após o desaparecimento de seu marido, capturado pelo regime militar. Forçada a abandonar sua rotina de dona de casa, Eunice se transforma em uma ativista dos direitos humanos, lutando pela verdade sobre o paradeiro de seu marido e enfrentando as consequências brutais da repressão.
O filme explora não apenas o drama pessoal de Eunice, mas também o impacto do regime militar na vida de milhares de famílias brasileiras, destacando o papel das mulheres na resistência. Ainda Estou Aqui traz à tona questões de perda, coragem e resiliência, enquanto revisita um dos períodos mais sombrios da história do Brasil.