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Livros de autores mogianos são opções de presentes neste Natal

“Livro é um bom presente”. É com esta frase que o projeto ‘Estante68: Literatura Independente’ divulga uma campanha de Natal. A ideia é fazer com que a população de Mogi compre livros escritos por mogianos neste fim de ano, incentivando a arte local. De quebra, a iniciativa quer levar mais pessoas para dentro de um […]

18 de dezembro de 2021

Reportagem de: O Diário

“Livro é um bom presente”. É com esta frase que o projeto ‘Estante68: Literatura Independente’ divulga uma campanha de Natal. A ideia é fazer com que a população de Mogi compre livros escritos por mogianos neste fim de ano, incentivando a arte local. De quebra, a iniciativa quer levar mais pessoas para dentro de um novo espaço cultural, que toma forma na sede do Cursinho Popular Maio de 68, no centro da cidade.

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O conceito é simples, mas inovador. Autores podem se inscrever gratuitamente para expor e vender seus livros. A casa – que fica na rua Dr. Paulo Frontin, 365 (ao lado da Catedral de Santana) – não leva nada, a não ser a satisfação em promover a leitura.

 “A gente conhece pessoas que são leitoras natas. Em toda oportunidade que podem, pedem livros de presente”, diz Carla Pozo, uma das organizadoras do projeto. É o que ela espera, cada vez de mais gente. “Além da questão do aprendizado, é fonte de lazer e descontração ter contato com diversas linguagens, culturas, amores”.

Mesmo que esteja “muito fresquinha”, tendo sido iniciada no último dia 10, a “estante’ já tem nove obras à disposição do público. O Diário mostra a sinopse e o valor de cada uma delas, para ajudar os leitores na decisão. A expectativa é que, aos poucos, mais autores abracem a causa. “Acreditamos que vão chegar crônicas, literatura científica e outros gêneros”.

Quando fala em aumentar o leque de opções, Carla faz uma analogia interessante. “Muitas pessoas gostam de sair na noite mogiana por causa da nossa riqueza musical. É preciso entender que temos riqueza artística para além da música”.

Segundo ela, está é a “primeira vez” que Mogi tem um endereço que não acrescenta taxas sobre a venda dos livros. “Nem para participar do projeto e nem para vender. O escritor está totalmente isento. É a primeira parceria baseada em um divulgar o trabalho do outro”, afirma Carla.
“É extremamente sem burocracia. Quem tiver vontade de divulgar o trabalho pode deixar o nome, telefone, a quantidade de livros e o valor que está à venda. Não há curadoria. Queremos agregar, e não cabe a nós dizer se o trabalho do outro é bom ou ruim”.

Carla Pozo finaliza falando de um tal “poder mágico do Natal”: “Por meio da leitura, realizar sonhos para os dois lados, tanto para quem compra como para quem vende”. Enquanto os leitores querem uma boa história para ler, os autores querem ser reconhecidos pelo trabalho.

Espaço cultural

O espaço em que os livros estão acomodados, na sede do Cursinho Popular Maio de 68, representa um novo espaço cultural em Mogi das Cruzes. De novembro para cá, três eventos já foram realizados: uma atividade de inauguração do laboratório de ciências, um encontro de rappers de Mogi, Suzano e Itaquaquecetuba e uma mostra com música, artes cênicas, dança, fotografia e cultura LGBTQIA+.

Para chegar até aqui, foi necessário muita resistência, como conta Agatha Bonelli, ex-aluna do cursinho e hoje professora. “A sede inaugurada em 2020 precisava de reforma bem grande. Demorou alguns meses para conseguirmos fazer, e a agora, no final desse ano, começamos a fazer alguns eventos menores de outros grupos interessados, inclusive reuniões com  com Promotoras Legais Populares (PLP), grupo de mulheres, estudos e reuniões”.

Para Agatha, a ‘Estante68’ é símbolo do desejo de “fazer contato com outras pessoas e grupos”. “Queremos tornar esse espaço na Paulo Frontin um centro cultural, já que vários espaços desapareceram recentemente. Esperamos que a literatura sirva de motivação: têm pessoas na cidade com condições parecidas com as nossas que estão escrevendo, publicando coisas, fazendo arte”.

Cursinho gratuito facilita acesso ao Ensino Superior

Em maio de 1968, jovens de diversos países, influenciados pelo movimento estudantil francês, decidiram questionar as estruturas sociais daquele tempo. O que aconteceu há 53 anos continua inspirando outras muitas ações. Uma delas é o Cursinho Popular Maio de 68, que oferta, de maneira 100% gratuita, ensino preparatório para vestibular, facilitando o acesso dos jovens ao ensino superior. Formado por professores voluntários, como Agatha Bonelli, que hoje cursa Letras e ensina literatura, mas foi aluna do projeto em 2017, a iniciativa já ajudou dezenas de alunos. Somente neste ano, que teve aulas online, em razão da pandemia, foram 50 pessoas atendidas. 

O cursinho já funcionou em várias escolas da cidade, inclusive na Fatec. Mas hoje, a partir de doações e de uma verba destinada pelo Ministério Público para projetos sociais, há sede, na rua Dr. Paulo Frontin.  “Fazemos um processo seletivo anual, e as aulas começam em março. Para 2022 pensamos em fazer um formulário socioeconômico e uma carta de intenção”, adianta Agatha. Há chance de retorno presencial, o que proporcionará aos alunos mais imersão nos conteúdos, já que o prédio foi recém-reformado. Mais informações nas redes sociais do projeto. 

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