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Mogi ganha Museu do Padre Attílio e parcerias podem vitaminar polo de memória

O circuito de casarões de memória e cultura de Mogi das Cruzes abriu um pouco mais os braços nas últimas semanas com a abertura do Museu Padre Attílio Berta, instalado no Santuário Mãe do Divino Amor, no bairro do São João. O setor começa a receber injeção de ânimo com atos e reuniões que não […]

Por O Diário
18/06/2023 18h00, Atualizado há 35 meses

O circuito de casarões de memória e cultura de Mogi das Cruzes abriu um pouco mais os braços nas últimas semanas com a abertura do Museu Padre Attílio Berta, instalado no Santuário Mãe do Divino Amor, no bairro do São João. O setor começa a receber injeção de ânimo com atos e reuniões que não passam sem nota aos olhos de quem lamenta a subutilização dos museus municipais e de particulares, como o MIC, das Igrejas do Carmo, e os do Divino e Guiomar Pinheiro Franco. Novidades e reformas são discutidas com a participação da Secretaria Municipal de Cultura e do Instituto Nacional do Patrimônio Histórico (Iphan). A expectativa é pela colheita de resultados na preservação da memória e de registros históricos da Mogi que é a 13ª cidade mais antiga do Brasil.

A novidade desde maio é a coleção de documentos, objetos pessoais e fotografias da primeira mostra do museu dedicado a contar a história do padre italiano Attílio Berta e uma obra que teve participação de integrantes e voluntários do Santuário, construído por iniciativa dele, e da Associação de Discípulas e Discípulos Mãe do Divino Amor e da Comunidade Unidade. Deve-se ao religioso, como lembra Marina Dias, uma das organizadoras do memorial, a força-motriz para o desenvolvimento da rede de proteção à criança em Mogi das Cruzes.

No museu, que teve as peças organizadas por Roberto Cardoso, a expectativa é alternar mostras a cada três meses e promover outras atividades para atrair o público, mas de uma vez. Há, por exemplo, um relicário em obras de artistas mogianos que pertenciam ao religioso, que gostava de arte, do belo.

 “As pessoas que estão conhecendo o Museu, e se reconhecem nas fotografias, ficam muito emocionadas porque essa história é sobre o padre e também sobre elas, sobre a cidade. Fala sobre os momentos vividos pelo padre, resgatando a chegada a Mogi, e a jornada ao lado das crianças e das comunidades de bairros como o Botujuru”, comenta.
O padre Attílio faleceu aos 86 anos em setembro de 2017. O acervo foi preservado no Santuário Maria Mãe do Divino Amor,  onde ele viveu e hoje é presidido pelo padre Sidnei Quenji. Desde a primeira Casa da Criança, mantida nos fundos da Catedral de Santana, no período em que crianças perambulavam pelas praças mogianas cheirando cola de sapateiro, a obra do Instituto Maria Mãe do Divino Amor atendeu milhares de meninos e meninas – que viveram em instituições, ou creches e projetos educacionais em regiões de pobreza da cidade. 

As visitas poderão ser  Santuário Maria, Mãe do Divino Amor,  à rua Antonio Fernandes 90, no Alto da Boa Vista, de segunda à 6 sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h às 16h30.

A organização e abertura do Museu do Padre Attílio fazem parte dos projetos de captação de recursos financeiros para viabilizar a operação do instituto que atualmente mantém duas creches e um projeto social no Conjunto Jefferson, em César de Souza, iniciado por um outro padre, Bernardo Murphy, amigo de Attílio Berta.

Outros endereços

Mogi das Cruzes possui outros endereços que contam a história de pessoas como o empresário Julio Simões – Centro de Memória e Cultura, instalado em Braz Cubas, e a voluntária Guiomar Pinheiro Franco, que está localizado na esquina da Travessa da Lapa.

 

Mostras e planos movimentam setor

Algumas ações são defendidas pela secretária municipal de Cultura, Claudinéli Moreira Ramos para o setor de museus, e valerá seguir o desdobramento de iniciativas que já foram sentidos durante a Festa do Divino Espírito Santo: no Museu Guiomar Pinheiro Franco, uma exposição de cartazes,objetos, vestuário, fotografias e outros registros está aberta no local que, durante meses, permaneceu fechado.

 

As peças da mostra dispostas no interior do casario antigo e de propriedade da família Pinheiro Franco integram o acervo do Museu do Divino, um equipamento criado há alguns anos pela Associação Pró-Divino, mas subutilizado por razões várias.

 

A secretária Claudinéli  afirma que tem apresentado alternativas para os responsáveis pelos dois endereços para uma união dos acervos e alguma parceria. O prédio onde está o Guiomar Pinheiro Franco é alugado à Prefeitura.

 

Claudinéli adiantou que o local deverá ser fechado para um serviço de descupinização. Também, há projeto para logo ser reaberto e, quem sabe, uma parceria com o pessoal do Divino. “Imagine uma agenda de mostras e, inclusive, a busca de recursos para se manter, ali, um pequeno café, um acervo de livros sobre Mogi e a Festa?”, comenta, afirmando que o Escritório de Projetos criado pela pasta está se colocando à disposição para a execução de estratégias que possam vir a disputar editais e, no porvir, garantir os recursos necessários para se tocar um calendário de eventos.

 

Também está em funcionamento o Museu do Expedicionário, que permaneceu desativado em diversas ocasiões.

A Secretaria de Cultura também está participando de encontros com representantes do Museu das Igrejas do Carmo, o MIC, e do Iphan – Instituto do Patrimônio Histórico Nacional, que já encaminhou técnicos para visitas técnicas que buscam equacionar um antigo “senão”: embora seja reconhecidamente um equipamento de cultura de importância para contar a história da cidade e do Brasil, o MIC, que está instalado nas Igrejas do Carmo – um patrimônio nacional, opera com poucas visitas agendadas. Todo o conjunto demanda serviços de manutenção e recuperação de alto valor.

 

 Esses encontros visam  mapear estratégias conjuntas para, entre outras coisas, identificar as patologias do prédio, e atuar na busca por recursos financeiros para as obras e cronogramas que garantam ampliar as visitas, de acordo com a capacidade de recebimento de visitantes. A pasta está focada, ainda, em promover a qualificação de servidores para atuar em corredores como o da educação patrimonial.

 

No passado recente, apesar de haver sido contemplado por um edital de fomento, o local não conseguiu vencer as etapas burocráticas para ter acesso ao dinheiro que serviria para obras emergenciais.

 

Ali, O Diário mostrou, pouco tempo atrás, que os riscos ao patrimônio incluem, além da  falta de recursos financeiros,  um olhar político e social para o lugar. Um problema antigo está na passagem do tráfego pesado (caminhões e ônibus) nas ruas do entorno das igrejas, o que colabora para a desestabilização do prédio que tem no acervo pinturas, imagens, paredes e madeiramento centenário. 

Há muito a ser visto e protegido

Com um acervo próprio de fôlego – Museu Mogiano, Pinacoteca, Biblioteca Municipal, Centro de Cultura e Memória Expedicionários Mogianos, a Secretaria Municipal de Cultura passou a contar com uma profissional especializada em museus. Um dos planos da gestão é ampliar visitas e mostras que movimentem o público nestes endereços.
Um desejo expresso pela secretária de Cultura, a historiadora Claudinéli Moreira Ramos, sobre o uso desse roteiro municipal é deixar esses endereços e serviços o menos fechado possível. 
Além disso, aliar agendas que fortaleçam o acesso do público a esses pontos.
O Centro Cultural de Mogi das Cruzes, por exemplo, sediou a “Arte

Sacra para Ver e Sentir”, realizada pelo Programa MAS Itinerante, do Museu de Arte Sacra de São Paulo
(MAS/SP), com réplicas exatas das originais de nomes como Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, Frei Agostinho da Piedade, Benedito Calixto e Anita Malfatti até a semana passada. No Guiomar Pinheiro Franco, a mostra “Festa do Divino Espírito Santo de Mogi das Cruzes – Professora Amália Thereza Manna de Deus” pode ser conferida diariamente até o dia 29 de julho.

Desde maio, ainda, Centro de Cultura e Memória “Expedicionários Mogianos”, localizado na rua Coronel Souza Franco, 735, está aberto. Para ser reformado, o local recebeu R$ 90.390,32 em recursos do Estado, mais R$3.750,79 de contrapartida municipal. As visitas ocorrem de terça a sábado.

Outras informações sobre esses espaços são atualizadas na página da Cultura: www.cultura.pmmc.com.br 

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