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Passeios noturnos revelam mistérios e lendas de Mogi

Nos últimos dias de 2020 o prefeito de Mogi, Caio Cunha (PODE), fez uma série de lives para anunciar os nomes que estariam à frente das secretarias da cidade. Em 29 de dezembro, Kelen Chacon foi oficializada como responsável pela Cultura. E como O Diário mostrou, desde aquele momento ela deixou clara a preocupação de […]

Por O Diário
16/10/2022 17h40, Atualizado há 44 meses

Nos últimos dias de 2020 o prefeito de Mogi, Caio Cunha (PODE), fez uma série de lives para anunciar os nomes que estariam à frente das secretarias da cidade. Em 29 de dezembro, Kelen Chacon foi oficializada como responsável pela Cultura. E como O Diário mostrou, desde aquele momento ela deixou clara a preocupação de integrar cultura e educação, com foco em salvaguardar os patrimônios do município.Hoje, quase dois anos depois, o projeto ‘Noites de Mistério’ se consagra exatamente neste sentido.

“Ação que visa difundir a história e a cultura popular a partir de visitas monitoradas pelas ruas da cidade no período noturno”. Esta é a definição oficial sobre a iniciativa, mas nada melhor do que dar espaço para a explicação de quem a idealizou, o professor, historiador e diretor de Patrimônio e Arquivo Histórico de Mogi, Glauco Ricciele. 

“O objetivo é basicamente trabalhar as lendas do centro da cidade, as histórias do Centro, em um passeio noturno. São basicamente incursões, aulas, que já eram do meu repertório de professor, mas o diferencial é fazer os percursos a noite. Começamos em agosto do ano passado. Eu e o Ubirajara (Nunes), que é Chefe de Arquivo: ele falando de arquitetura e eu falando das histórias da cidade a partir de uma caminhada”.

O projeto começou em 2021 e de lá para cá dezenas de pessoas já participaram dos passeios pelo Centro Histórico, Cemitério São Salvador e mais recentemente, no Hospital Dr. Arnaldo Pezzuti. “Deu muito certo”, comemora o criador, que reforça ser uma atividade gratuita, necessitando apenas de uma inscrição prévia. O objetivo é “fomentar a educação patrimonial”.

Esta fala é a prova de que ele está alinhado aos projetos da secretaria municipal de Cultura, já que em 29 de dezembro Kelen Chacon disse que estava “na hora de tirar do papel projetos sobre patrimônio e educação patrimonial, coletivos de memória, sobre a identidade da nossa Mogi Das Cruzes”.

Pessoas de todas as idades participam das “Noites de Mistério”, que não focam no terror, como se poderia imaginar, e sim dão espaço e foco total ao aprendizado. Tem famílias, crianças, idosos, estudantes e até pessoas de fora de Mogi. “Às vezes vem o pai a mãe e os filhos, alguns deles com lanterna e bolsa com repelente. Estão indo para a aventura, e o medo fica para trás, para dar lugar a curiosidade e o respeito”, continua Glauco.

De fato, quem participa do projeto parece ignorar o fator supersticioso, de andar em locais como um cemitério durante o período noturno, em razão do conhecimento. “Jogar luz sobre os lugares que são comuns para mogianos, mas que quando são visitados no roteiro passam a contar a história da cidade”, segue ele, que dá exemplos. 

“Sabia que existia um cemitério onde hoje é um bairro, onde hoje tem um prédio, o Edifício Paulo VI? São fatores como esse que demonstram que a história de Mogi foi apagada com o decorrer dos anos. Foi colocado um novo momento em cima de certas páginas viradas, e as pessoas esqueceram, então estamos retomando isso”.

Embora tenha apreço por todos os roteiros, é falando do cemitério que a voz de Glauco ganha um tom mais entusiasmado. Isso porque ele sabe do que fala. Autor do livro ‘150 anos do Cemitério São Salvador: Decesso na Terra das Cruzes’, conhece muitas curiosidades sobre o tema, e por isso cada passeio revela temas diferentes.

“Eu procuro trabalhar a história da arte tumular. Não falo em nome de famílias, mas faço um panorama geral desse tema e da história da morte no Brasil, porque existem os cemitérios e como foram implementados pelo Brasil Império, a saúde pública…”, esclarece.
Durante a caminhada, uma das perguntas que Glauco faz aos participantes é: “quem se lembra dos nomes dos tataravôs?”. Quando poucas – ou geralmente nenhuma – respostas surgem, ele diz que ficam preservados os “grandes nomes de Mogi”, mas que o de muita gente acaba desaparecendo da memória.

O “túmulo do maquinista” é prova disso. “Pessoa humilde, que trabalhava na ferrovia e morreu de acidente de trem, a família fez o túmulo com pedra coque, o carvão, ficando diferente de outros túmulos que tem opulência total”, ensina o professor.

E é assim, andando e conversando em cenários históricos da cidade, à luz do luar, que as pessoas vão tomando gosto e absorvendo a cultura local, ficando mais curiosas e se interessando em pesquisar ainda mais, seja a partir dos materiais complementares disponibilizados pela prefeitura ou então em livros, internet.

A ideia é gerar interesse pelos patrimônios, e por isso o mais novo roteiro dá destaque ao Hospital Arnaldo Pezzuti e também ao cemitério Nossa Senhora do Carmo, “que é do outro lado da estrada e está em condições de abandono”. 

Ao menos um passeio por mês é realizado pelo projeto ‘Noites de Mistério’. O de outubro foi nesta sexta-feira (14), no Cemitério São Salvador. O de novembro, no mesmo endereço, será no dia 18, e o de dezembro, no Centro Histórico, no dia 9. Mais informações estão disponíveis no site da Cultura de Mogi: http://www.cultura.pmmc.com.br/

Outros roteiros

Não é somente à noite que a Prefeitura promove passeios culturais e educativos que jogam luz aos patrimônios locais. Durante o dia são realizados os “Roteiros do Patrimônio”, que “proporcionam experiências vivas com os aspectos constituintes da identidade de Mogi”.
Depois de caminhar pelas ruas do Centro partindo do marco zero da cidade, o próximo passeio será o “Trilhos do Bonde”, que “conta a história do bonde em Mogi das Cruzes, uma linha que foi lançada em 1919, mas teve que ser cancelada devido à pandemia da Gripe Espanhola”.

Este passeio “é guiado e a pé, seguindo o caminho original do bonde, conhecendo curiosidades e histórias da nossa cidade” e as inscrições serão abertas em breve. As próximas edições serão nos dias 23 de outubro, 05 e 13 de novembro, 03 e 18 de dezembro e 21 e 29 de janeiro, das 9 às 11 horas, com saída da estação de trem Mogi das Cruzes. 

 

 

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