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Rabicho vem sambar em Mogi das Cruzes neste domingo

Há dois anos e meio, fechava o Casarão da Mariquinha, casa cultural que funcionava no Largo Bom Jesus, no Centro de Mogi das Cruzes. Há dois anos e meio, portanto, ficava sem chão José Luiz da Silva, o Rabicho, responsável pela administração da casa. Após rápida passagem pela Escola de Samba da Vila Industrial, o […]

Por O Diário
15/08/2021 08h13, Atualizado há 58 meses

Há dois anos e meio, fechava o Casarão da Mariquinha, casa cultural que funcionava no Largo Bom Jesus, no Centro de Mogi das Cruzes. Há dois anos e meio, portanto, ficava sem chão José Luiz da Silva, o Rabicho, responsável pela administração da casa. Após rápida passagem pela Escola de Samba da Vila Industrial, o mogiano alçoou voo com destino ao Rio de Janeiro. Lá, comandou um outro endereço regado à samba. Mas logo veio a pandemia. Agora, dois anos e meio depois, ele está de volta. Ainda que não seja um retorno definitivo, Rabicho vem, ao menos, sambar em Mogi, na roda de samba promovida pelo Bistrô Itapeti, a partir das 13 horas deste domingo (15), a qual participam também Guilherme Bandeira, Evandro dos Reis, Danilo Silva e Vandão.

“A gente deve tocar uns dois ou três sambas do disco novo”, comenta Rabicho, sobre o repertório. O álbum a que ele se refere é ‘Onde Mora o Samba’, que sairá do papel graças a uma campanha de financiamento coletivo. “Vamos tocar também algumas coisas autorais do Evandro e do Guilherme”, continua. E claro, não podem falar os “clássicos”, como Paulinho da Viola, João Nogueira, Dona Ivone Lara…

Se os nomes envolvidos são os listados acima, é claro que o repertório não seria ruim. Vamos então ao ponto: qual a sensação de tocar novamente em solo mogiano? “É muito legal, principalmente porque foi no Bistrô que me despedi. Todas as pessoas, principalmente aquelas ligadas ao Casarão, estavam lá. E agora não será diferente”, avalia Rabicho.

Para fazer um balanço, é preciso olhar para o passado. Quando Rabicho deixou a cidade, em 2019, Mogi vivia um momento crítico culturalmente falando. Além do já citado Casarão da Mariquinha, outro espaço artístico estava fechando: Galpão Arthur Netto, cujos itens sobrevivem, hoje, na nova sede do Teatro Contadores de Mentira, em Suzano. Poucos meses depois disso veio a pandemia, deixando o cenário ainda mais nebuloso.

“Uma coisa emendou na outra. Vivíamos um momento crítico, com o fechamento de espaços importantes. Teve troca de governo local, ainda não está muito claro o que melhorou ou piorou no âmbito da cultura. Além disso, o momento político nacional, juntamente com a pandemia, tornou (o trabalho do artista) insustentável”, opina Rabicho. E a afirmação é importante, já que, entre projetos ainda em sigilo e possíveis parcerias, ele pode, mais uma vez, estacionar de vez em Mogi.

O que se sabe agora é que pelo menos até o fim deste mês de agosto Rabicho segue por aqui, para concluir as gravações de ‘Onde o Samba Mora’, disco que precisou ser reformulado devido à baixa adesão da vaquinha online.

De qualquer maneira, seja a curto, médio ou longo prazo, o sambista comenta o privilégio de poder voltar a trabalhar presencialmente, após tanto tempo tentando fazer a vida girar a partir de lives e encontros online. “Eu diria que é um pódio para receber medalha. É um momento emocionante. Tenho conversado com bastante gente, e a expectativa é grande. Tem muita gente aguardando este domingo. Mas é claro, temos que ter toda a responsabilidade”.

Sim, ainda é necessário o uso do combo máscara e álcool gel, aliado, claro, à prática do distanciamento social. Mas o endereço que recebe a roda (Avenida Coronel Fernão Guedes de Souza, 75) é um “lugar aberto, o que favorece”. Também ajuda o avanço da vacinação contra a Covid-19, que chegou ao público 18+ em Mogi, com direito a vacinaço.

O Diário mostrou, recentemente, outro evento relacionado ao samba. Lívia Barros e o mesmo Evandro dos Reis da roda que se apresentará neste domingo comandaram uma tarde de música no Canto de Cabocla, mas para 20 pessoas apenas. É preciso, afinal, “encontrar um jeito de voltar”, como diz Rabicho, com saudade dos aplausos.

Este retorno, com cuidado, serve como impulso para uma nova fase. Estará exposta, por exemplo, uma pintura de Nerival Rodrigues. O quadro é a capa do novo álbum de Rabicho, que participa também de rodas de samba na capital, ainda neste mês.

Do Rio de Janeiro, principalmente de uma roda de samba fixa em Santa Teresa, mas também de uma composição que escreveu em parceria com o também mogiano Xavier Filho para ser o samba-enredo da Mangueira em 2022, ele traz aprendizados. O principal deles é relacionado aos parceiros. “Fui muito ajudado pelos amigos, pela classe artística, nesse período todo. Muitos dos artistas também tiveram suas vidas interrompidas e contaram com esse apoio”. É isso o que ele faz aqui: mantém abertas as portas de seus amigos.

DANILO SILVA  Formado pela Universidade Livre de Música Tom Jobim (ULM), Danilo é violonista e compositor e integra a Banda Jambra. Se lançou também como cantor solo, e o primeiro single, ‘Butignol’, já está disponível nas principais plataformas digitais.

GUILHERME BANDEIRA  Filho de músicos, ele compôs seus primeiros sambas em 2005 e no ano seguinte foi o 1º colocado no Festival de Marchinhas Carnavalescas de Suzano. Cantor e compositor, faz parte do projeto Casa de Ciata e da Banda Jambra e vem mantendo viva a tradição do samba em Mogi

EVANDRO DOS REIS  Estudou na Universidade Livre de Música, participa da italiana Orchestra Di Piazza Vittorio, e faz sucesso com o disco solo ‘Janelas’, lançado durante a pandemia de Covid-19

VANDÃO  É músico há mais de quarenta anos e já foi diretor de bateria das escolas de samba Unidos da Vila Industrial e Águia de Prata. Participa do projeto Samba do Herbert, e fez parte do Samba do Casarão da Mariquinha, já tendo tocado com os principais artistas da cidade

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