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Sinfônica Jovem de Mogi sobe ao palco do Festival de Inverno de Campos pela sétima vez

Pela sétima vez, o programa do 53º Festival de Inverno de Campos do Jordão convida a Orquestra Sinfônica Jovem de Mogi das Cruzes para um concerto que será realizado neste sábado (8), às 11h. A apresentação será no centro do Parque do Capivari, um dos endereços do encontro de música clássica reconhecido como um dos […]

8 de julho de 2023

Reportagem de: O Diário

Pela sétima vez, o programa do 53º Festival de Inverno de Campos do Jordão convida a Orquestra Sinfônica Jovem de Mogi das Cruzes para um concerto que será realizado neste sábado (8), às 11h. A apresentação será no centro do Parque do Capivari, um dos endereços do encontro de música clássica reconhecido como um dos principais da América Latina. 

Manter-se como uma orquestra sinfônica jovem convidada repetidamente para um evento desse calibre é um reconhecimento ao projeto que, hoje, chega a 10 mil estudantes da rede pública municipal em 21 escolas, segundo afirma o maestro Lélis Gerson. 

Em palco ao ar livre, o mogiano regerá os 55 músicos – jovens e adultos formados na escola de música que permite o acesso de muitos jovens e crianças – e a seus pais, familiares e amigos,  a uma expressão artística desfrutada por um público específico e em fase de renascimento porque também foi pesadamente afetada pelo desmonte da cultura nacional, seguido da pandemia.

Muito já se caminhou após um convite feito em 2000 ao militar do Exército brasileiro e trompetista Lélis Gerson quando ele sequer sonhava em se tornar regente, mas já estava à frente dos músicos na Igreja Assembleia de Deus, que ele frequenta até hoje.

Era o governo do ex-prefeito Junji Abe. O convite feito por Luis Carlos dos Santos foi para montar uma orquestra para um concerto no Theatro Vasques, no aniversário da cidade, na virada do milênio. Desse primeiro ato nasceu, algum tempo depois, a Associação Orquestra Sinfônica de Mogi das Cruzes – que dá frutos de valores incalculáveis – descoberta de talentos, formação de público e o ensino de música na sala de aula.
Foram fases distintas desde a criação, que contou com a participação de maestros como Marcelo Jardim, e notas de referência como títulos amealhados pela Orquestra Sinfônica Jovem de Mogi, presença em diversas cidades brasileiras e na Capital, além da projeção e profissionalização de mogianos que começaram a seguir este caminho após frequentar atividades gratuitas. O projeto foi o esteio para a vida de pessoas como o próprio maestro Lélis, que buscou a formação e especialização como regente enquanto o poder público, em diferentes gestões municipais, seguiu apoiando a música clássica.

À longevidade da entidade deve-se, ainda, a notoriedade conquistada por bandas e grupos mogianos a partir de disputas estaduais e nacionais.
“O projeto de musicalização que realizamos em 21 escolas, atingindo cerca de 10 mil pessoas, ao longo do tempo, foi sustentando as bandas e grupos de escolas como os Cempres”, cita, lembrando que núcleos atenderam pontos diversos da cidade, como o Jardim Nova União, Nova Estação e Taiaçupeba.

Exemplo da descentralização é encontrado no bairro do Taboão, onde, por meio do fomento da LIC (Lei de Incentivo à Cultura) de Mogi das Cruzes, um coletivo de 380 anos, numa parceria com a Agestab (Associação Gestora das Empesas do Taboão) está sendo formado.
Por meio de cursos e da presença de músicos contratados – alguns dos quais, formados no passado, mogianos aprendem a tocar instrumentos como trompete, flauta, percussão, cordas e outros – há nomes formados aqui que se profissionalizaram.
A entidade gera cerca de 60 empregos diretos, entre professores e monitores.

“Nós ficamos muito felizes por encontrar com pessoas, em locais como o shopping, que se apresentam e dizem: participei do projeto e isso mudou a minha vida”, acentua o maestro, afirmando que, muitas vezes, o aluno não encontra na música um mercado profissional, porém, a educação musical influencia hábitos e atitudes e determina escolhas futuras.

Em Campos

A manutenção da Orquestra Sinfônica Jovem – formada por 55 músicos com idades entre 14 e 26 anos (caso dos bolsistas) além de professores, no Festival de Inverno de Campos instala o grupo em um lugar de destaque no segmento nacional. “No programa, estão as melhores orquestras, ao lado de atrações profissionais e internacionais”, destaca Lélis Gerson, para quem, apesar de o ineditismo do convite já ter ficado há tempos, no passado, a cada nova apresentação, a responsabilidade se renova. Isso, segundo explica, porque os organizadores primam pela qualidade e virtuosismo dos times clássicos convidados.

A Sinfônica Jovem busca, a cada ano, renovar a composição da equipe. Inscrições são feitas ao início do período para dar oportunidades, segundo o responsável, a todos os jovens que estão participando dos projetos distribuídos em escolas da cidade. “É uma forma de incentivar novos nomes, que têm a oportunidade de se apresentar em um palco diferenciado”, acrescenta.

Com sede no Ciarte (Centro de Cidadania e Arte), na rua Ricardo Vilela, 69, na Praça Oswaldo Cruz, a associação tem sob a sua responsabilidade, entre outros, o projeto Pequenos Músicos – que teve  contrato renovado pelo prefeito Caio Cunha (PODE).

Novas gerações
Uma das raízes bem adubadas pela organização é a Orquestra Sinfônica Jovem Minha Terra Mogi, que tem na regência o maestro Cleber Felipe – um mogiano que reproduz um feito comum na entidade porque começou como um aprendiz, se encontrou na música e buscou o aperfeiçoamento a ponto de agora estar à frente de outros jovens como ele. Já Lélis Gerson começou na música, à base do “filho de peixe, peixinho é”. Filho de Geraldo Felipe, músico da Aeronáutica e antigo morador da Vila Industrial, ele também se afeiçoou à música e seguiu o pai, só que como músico do Exército. 

Um convite aos mogianos

Como nas seis outras vezes, a Orquestra Sinfônica Jovem de Mogi das Cruzes espera ver mogianos na plateia do Parque Capivari, em Campos do Jordão, a partir das 11h, de hoje (8). Em geral, pais e amigos costumam acompanhar a agenda do grupo e se emocionar quando o maestro Lélis Gerson pergunta: “Tem algum mogiano na plateia?”

Vitrine da música clássica da cidade considerada por outras orquestras e maestros que acompanham a história da Sinfônica Jovem, o grupo terá como Tatiane Reis, como soprano, e preparou o seguinte programa para tocar no Festival de Inverno deste ano:

* Dmitri Shostakovich
Abertura Festiva, Op.96

* Claude Debussy
Petite Suite: Seleção (Orquestração de Henri Büsser)

* Pyotr Ilyich Tchaikovsky
A Bela Adormecida: Suíte, op.66a (Valsa)

* Johan Strauss Jr.
Vozes da Primavera, Op.410

* Pyotr Ilyick Tchaikovski
Capricho Italiano, Op.4

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