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Brasil e EUA divergem sobre medidas para aumentar oferta de fertilizantes no mundo

Brasil e Estados Unidos mostraram divergências, nesta quarta-feira, sobre que medidas podem ser tomadas para aumentar a oferta de fertilizantes para a agricultura mundial e, com isso, evitar uma crise inédita de escassez e alta de preços de alimentos no mundo. Durante uma mesa redonda virtual com o tema ‘Insumos para Sistemas Agroalimentares Sustentáveis’, enquanto […]

16 de março de 2022

Reportagem de: O Diário

Brasil e Estados Unidos mostraram divergências, nesta quarta-feira, sobre que medidas podem ser tomadas para aumentar a oferta de fertilizantes para a agricultura mundial e, com isso, evitar uma crise inédita de escassez e alta de preços de alimentos no mundo. Durante uma mesa redonda virtual com o tema ‘Insumos para Sistemas Agroalimentares Sustentáveis’, enquanto a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, defendia que adubos e fertilizantes sejam excluídos da lista de sanções contra países produtores como a Rússia e a Bielorrússia,  sua contraparte nos EUA, Tom Vilsack, afirmava que a saída é subsidiar esses insumos para os produtores americanos e beneficiar nações aliadas com o aumento da oferta. 

—Temos que excluir os fertilizantes dos regimes de sanções, como [ocorre com] os alimentos. Reprimir o comércio desses insumos afeta a produtividade no campo, aumenta preço de commodities, reduz a oferta e ameaça a segurança alimentar, especialmente de países mais vulneráveis — disse Tereza Cristina. 
A ministra citou a pandemia de Covid-19, que “pôs à prova a capacidade do sistema alimentar global de prover alimentos em quantidade, qualidade e preços acessíveis a todos os habitantes do planeta”. Ela destacou que, com a retomada da atividade econômica, aumentou a demanda global por produtos agropecuários em meio a uma onda inflacionária mundial. Essa situação, acrescentou, foi agravada por sanções à Bielorrússia — o governo daquele país é acusado de violação dos diireitos humanos — no ano passado e, mais recentemente, à Rússia, que entrou em guerra com a Ucrânia.  

— Não podemos punir a economia de um país e colocar em risco a economia mundial. São 800 milhões de pessoas que têm fome no mundo — afirmou. 
O secretário de Agricultura dos EUA não se manifestou sobre a proposta brasileira, que conta com o apoio de outros países sul-americanos. Ele defendeu que as nações do hemisfério trabalhem para garantir um sistema sustentável de alimentos e disse que a guerra na Ucrânia terá impacto não apenas na agricultura, mas na economia como um todo.  

— A guerra é algo que veio para impactar o mundo inteiro e precisamos ter em mente que a cadeia alimentar exige uma complexidade e uma agilidade no transporte que é muito grande — disse. 

Tom Vilsack lembrou que, recentemente, o governo americano anunciou que vai destinar US$ 250 milhões para financiar o aumento de fertilizantes nos EUA. Essa oferta adicional, destacou, servirá não apenas aos produtores locais, mas também para os países aliados. E enfatizou que a guerra na Ucrânia não atinge apenas os custos dos insumos, mas a própria democracia.  

—Os EUA devem trabalhar em conjunto com vocês para reduzir os custos de insumos, as mudanças climáticas e aumentar a eficiência de nossa produção regional. Recentemente anunciamos que estamos tendo mais produção de fertilizantes para nossos agricultores e para os agricultores de nossas alianças. Os EUA podem não precisar, num futuro próximo, de fertilizantes importados de outros países — enfatizou. 

Vilsack afirmou que os EUA querem facilitar uma resposta humanitária na Ucrânia e mitigar os efeitos do conflito. Disse que é preciso conhecer a estrutura da cadeia alimentícia global e desenvolver ferramentas para a produção de commodities. 

—Devemos ser cautelosos para não ter políticas que intervenham de maneira pejorativa no custo das commodities. Devemos ter ferramentas para estimular a agricultura, tarifas claras e acessíveis e incentivas o plantio e o aumento da produção dos nossos produtores agrícolas —afirmou.  

Participaram do evento ministros da Agricultura das Américas, além de dirigentes da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA).

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