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Corinthians/ Mogi disputa a 7° final seguida do Paulista

Buscando mais um título para a casa, o Corinthians/Mogi de Futebol de Amputados enfrenta o São Bento na final do Campeonato Paulista da modalidade, neste sábado (24). A bola rola a partir das 15 horas, na cidade de Sorocaba. Esta é a sétima final consecutiva do ‘Timão de Muletas’ na competição, onde a equipe, sediada […]

Por O Diário
24/06/2023 07h25, Atualizado há 36 meses

Buscando mais um título para a casa, o Corinthians/Mogi de Futebol de Amputados enfrenta o São Bento na final do Campeonato Paulista da modalidade, neste sábado (24). A bola rola a partir das 15 horas, na cidade de Sorocaba. Esta é a sétima final consecutiva do ‘Timão de Muletas’ na competição, onde a equipe, sediada em Mogi das Cruzes, ostenta o pentacampeonato.

A equipe alvinegra utiliza o esporte e a inclusão para abrir novas portas para os integrantes do elenco. Muitas vezes acaba dando uma nova oportunidade para pessoas que perderam um dos membros inferiores, mostrando que a ‘vida continua’. 
Ainda nesse segundo semestre, a equipe deve disputar o Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil, dois dos eventos mais importantes da modalidade. 

Nesta temporada, a equipe apresentou novidades, como a contratação de um jogador internacional – inédito neste meio. O time tem muitas caras novas e busca manter o bom entrosamento.

Para a final deste sábado, o capitão da equipe e artilheiro, Rogerinho R9, afirma que a equipe está confiante.

“Estamos muito motivados. Fizemos um bom campeonato até aqui. Sofremos um tropeço no começo, com uma derrota, mas nos recuperamos rapidamente”, avalia o jogador.

“Seguimos com uma comissão técnica forte e já conseguimos deixar Ourinhos para trás”, conta R9, fazendo referência ao time que conquistou o título no ano passado.
“Sabemos que o São Bento é um time forte, com ex-jogadores do Corinthians inclusive, mas também conseguimos montar um elenco bom”, acrescenta. 
O capitão do Corinthians acumula na carreira 621 gols oficiais, sendo o maior artilheiro do mundo. Sua meta também é ser o artilheiro deste campeonato, onde ele soma 14 gols – uma diferença de 5 em relação ao segundo colocado.
Além da competição, ele enaltece o potencial social do futebol de amputados. Em Mogi, com o Corinthians, a equipe desenvolve um trabalho de inclusão que é referência no Brasil.

“A maioria dos atletas chega após um acidente de moto ou alguma doença, perdendo a perna. Nós temos o objetivo de mostrar para essas pessoas que a vida não acaba após isso. A vida continua e, às vezes, até melhora”, narra.
“O legal é que atletas que passaram pelo nosso projeto em Mogi estão em outros clubes. Há atletas que formaram outras equipes”, finaliza o jogador. É o caso de times como São Bento e Ponte Preta – outra potência-, que contam com ex-jogadores do Timão.

O técnico William de Abreu conta que está satisfeito com o esforço da equipe até aqui.

“Tivemos uma crescente enorme dentro do campeonato. Ganhamos consistência, deixando a equipe mais entrosada, mais forte, totalmente competitiva e mostrando resultado até onde chegamos”, conta. 

William está a frente da equipe desde metade de 2022 e acredita ter visto avanço técnico neste ano. “Mostramos que temos um bom trabalho chegando novamente à final”, comemora. 

Ele chama a atenção para o potencial do futebol de amputados, que na avaliação dele tem tudo para ser uma modalidade paralímpica. Pode parecer fácil, mas para adaptar o jogo a uma perna é preciso muito treino. “É um esporte de alto nível, de alto rendimento e cada vez mais proporcionando tanto a inclusão social e trazendo cada vez mais pessoas, para até mesmo influenciá-las na vida pessoal. Lidamos com atletas que muitas vezes perderam membros por conta de diferentes motivos. Queremos, cada vez mais, mostrar para eles que a vida tem muito a ser aproveitada”, avalia o profissional. 

Temporada

O Corinthians se classificou para a final ao vencer o rival Ourinhos, nos pênaltis, por 4 a 2 no último sábado (17). 
Em 2022, a equipe deixou escapar o título para a mesma equipe, após as ‘‘raposas’’ vencerem por 3 a 0.
No reencontro deste ano, o Mogi veio para uma partida disputada até o último momento. 

O confronto teve até de briga em campo que resultou na suspensão de um dos jogadores rivais.

O jogo aconteceu no Estádio Municipal da cidade de Ourinhos. Apesar de ser território do rival, o Timão contou com o apoio da torcida organizada local.

A Fiel Ourinhos fez festa nas arquibancadas, com direito a fogos na hora da classificação da equipe alvinegra.
O destaque desta temporada para o Timão foi a contratação do uruguaio Franco Medero pelo Corinthians, que veste a camisa 10. O jovem de 20 anos marcou o gol de empate contra o time de Ourinhos.

Nas semifinais, os outros gols da equipe mogiana foram marcados por Serginho, Rogerinho R9 e Kleyton. R9 fez seu 14º gol na competição e é o artilheiro isolado do Paulistão.

Durante toda a temporada da disputa do Paulistão, o Corinthians Mogi perdeu apenas o primeiro jogo por 2 a 0 contra os Ourinhos. Não demorou muito para voltar a abrir o placar, como de costume, com vitórias expressivas, como a de 13 a 1 contra o Caieiras.

O Campeonato Paulista de futebol de amputados teve sua primeira edição disputada em 2004. A segunda só ocorreu em 2011. Desde então, a competição tem acontecido anualmente.

O Corinthians Mogi possui parceria com a Prefeitura de Mogi das Cruzes e treina durante a semana no Parque da Cidade, no bairro Parque Santana. 

 

“O futebol já era a minha vida”

O atleta do Corinthians/Mogi, Kleyton Martins, encontrou no futebol de amputados uma forma de continuar vivendo uma das paixões de sua vida.

Na cidade de Cajamar, no interior de São Paulo, ele era jogador de futsal quando, aos 18 anos, em 2007, sofreu um acidente de moto e precisou amputar um pé. Quase 10 anos depois, enquanto pesquisava sobre o paradesporto, conheceu o trabalho do Corinthians/Mogi. Logo agendou uma visita para conhecer o trabalho do time e hoje é um dos membros atuantes mais antigos do clube, representando a equipe desde 2017. Ele viaja todas as semanas para Mogi das Cruzes para treinar com o elenco.

“O futebol já era minha vida”, conta ele, lembrando de como conheceu a modalidade. “Um dia, no trabalho, estava pesquisando, pois queria praticar algum esporte e encontrei o trabalho do Corinthians”, lembra. “Quem não conhece, não sabe que nosso futebol é de alto nível. Quem não conhece acha que é um jogo um pouco lento. Nós vemos que as pessoas ficam surpresas com a velocidade, com os dribles”, explica. “Hoje vejo que a divulgação do futebol de amputados aumentou, o que é bom para todos nós”, analisa.

Revela que, assim como os companheiros, está ansioso para o jogo de sábado, com esperança de “se Deus quiser, trazer mais um título”. 

“A ideia é continuar nessa crescente. Começamos o campeonato perdendo devido a uma falha, mas depois disso só crescemos. Estamos confiantes. É um time novo. Temos muitos atletas novos. Confiamos bastante no trabalho da comissão técnica”, finaliza o jogador. 

A modalidade

No campo, a determinação e a paixão se unem à superação. O futebol de amputados está ganhando destaque ao redor do mundo, com jogadores que desafiam as adversidades físicas e mostram que o verdadeiro talento não tem limites.
O futebol de amputados é disputado por jogadores que têm um membro inferior a menos. Segue regras muito similares ao futebol convencional. Cada equipe é composta por sete jogadores. O goleiro não pode sair da área e os laterais são cobrados com o pé. 

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