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MP vai investigar se pacificação de torcidas de São Paulo foi por ordem de facção

As direções das principais torcidas organizadas de clubes de São Paulo divulgaram comunicados aos seus associados proibindo a violência entre torcedores no estado. Notas com esse teor foram compartilhadas por grupos uniformizados de Palmeiras, São Paulo, Santos e Ponte Preta. As principais organizadas do Corinthians não se pronunciaram a respeito do assunto. As orientações aos […]

Por O Diário
16/02/2023 18h00, Atualizado há 41 meses

As direções das principais torcidas organizadas de clubes de São Paulo divulgaram comunicados aos seus associados proibindo a violência entre torcedores no estado. Notas com esse teor foram compartilhadas por grupos uniformizados de Palmeiras, São Paulo, Santos e Ponte Preta. As principais organizadas do Corinthians não se pronunciaram a respeito do assunto.

As orientações aos torcedores se assemelham e preveem punições e até expulsão de quem vier a se envolver em brigas. “Não vamos tolerar a participação de qualquer um de nossos associados em brigas ou atos de violência, sob pena de punição”, escreveu a uniformizada palmeirense. “Não serão tolerados atos de violência ou covardia entre os integrantes das torcidas. Acabaram as brigas, sendo passível de punição e exclusão do quadros de associado”, diz a torcida são-paulina.

As ordens das agremiações surgem menos de uma semana depois de torcedores do Palmeiras terem atacado um ônibus com corintianos que retornavam de um jogo do clube em São Bernardo do Campo. No episódio, ocorrido no viaduto Grande São Paulo, ao menos cinco torcedores foram hospitalizados e o veículo foi depredado.

Áudios nas redes sociais

Oficialmente, as torcidas alegam que a decisão de proibir a violência surgiu de reuniões internas entre os diretores e líderes das subsedes das agremiações. Áudios que circulam desde quarta-feira nas redes sociais e em grupos de mensagens, porém, atribuem a medida a uma ordem que teria sido dada por integrantes da maior organização criminosa de São Paulo.

Os órgãos de segurança negam essa informação. O Ministério Público informou, em nota, que a versão “está sendo apurada no inquérito policial que investiga o confronto ocorrido entre torcedores do Corinthians e Palmeiras”. “Por ora, não há confirmação oficial do que foi veiculado”, diz a promotoria.

A Polícia Civil também negou que haja relação entre as orientações das torcidas e facções criminosas. O governo estadual informou, por meio da Secretaria de Segurança Pública, que foi realizada reunião na terça-feira com representantes de torcidas organizadas para tratar das estratégias de policiamento para a partida entre Corinthians e Palmeiras, marcada para ocorrer hoje, na Neo Química Arena. “Ficou estabelecido em reunião o reforço do policiamento territorial com foco nos locais de aglomeração (…) para evitar que confrontos entre torcidas aconteçam”, diz o texto.

Apesar de as torcidas e as autoridades negarem a existência da suposta ordem de uma facção criminosa, o GLOBO ouviu de torcedores que essa versão está bem difundida entre pessoas ligadas às uniformizadas. Em mensagens trocadas entre ontem e hoje, a versão mais replicada é a de que os criminosos teriam se irritado com o confronto entre palmeirenses e corintianos, ocasião na qual um integrante da própria facção teria se ferido. Segundo os áudios compartilhados nas redes, o grupo criminoso teria ameaçado lideranças das torcidas para que estas evitassem novas brigas.

No confronto entre torcedores de Palmeiras e Corinthians ocorrido na última semana, na zona sul da capital, o ônibus que transportava a uniformizada corintiana foi atacado com pedras e barras de ferro. Instrumentos usados pela torcida foram roubados pelos rivais, que chegaram a publicar fotos celebrando o ataque nas redes sociais.

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