Alternância dos dias frios e quentes impacta na saúde de quem tem problemas respiratórios
Menos rigoroso até o momento, o inverno deste ano teve início no dia 21 de junho. Se comparadas com as do inverno no ano passado, quando os termômetros chegaram a marcar menos de 0ºC em Mogi das Cruzes, as temperaturas estão mais elevadas, com mínimas que ficam, em média, perto dos 13ºC. Até o término […]
23/07/2022 07h20, Atualizado há 49 meses
Menos rigoroso até o momento, o inverno deste ano teve início no dia 21 de junho. Se comparadas com as do inverno no ano passado, quando os termômetros chegaram a marcar menos de 0ºC em Mogi das Cruzes, as temperaturas estão mais elevadas, com mínimas que ficam, em média, perto dos 13ºC. Até o término da estação, que acontece no dia 22 de setembro, o cenário pode mudar, mas, mesmo com essas temperaturas, as doenças respiratórias passam a ser uma preocupação nesta época do ano.
O cardiologista e pneumologista Olavo Rodrigues Ribeiro explica que mesmo em dias que não são tão frios, outros fatores devem ser levados em consideração. Um deles é a umidade do ar, que está baixa. Por isso, mesmo que a temperatura esteja até mais alta do que foi no outono, alguns cuidados precisam ser tomados.
“Ainda não podemos dizer que é um inverno quente, porque teremos outros meses na estação. Ainda é cedo para dizermos se o impacto na saúde será maior ou menos, mas nós sabemos que a umidade do ar pode ser prejudicial se ficar abaixo dos 30%. O ar seco entra pelas narinas ou pela boca e resseca o nariz, a garganta, a laringe, os brônquios e isso ocasiona principalmente aquela tosse seca prolongada, além da exacerbação de crises de asma, bronquite, rinite e sinusite”, explica o médico.
Para quem já sofre com essas doenças, a situação piora nessas condições. E o mesmo acontece para os fumantes que têm a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), que antes era chama de enfisema pulmonar. Nesta época do ano, esses tabagistas crônicos tendem a sofrer muitas infecções e acabam tendo problemas como pneumonia, insuficiência respiratória e, muitas vezes, precisam de internação em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Além do ar seco, o ar frio também pode ser bastante prejudicial aos pulmões.
Muito disso porque no Brasil estamos habituados a um clima tropical, com invernos mais amenos do que é visto no hemisfério norte.
“Aqui, nós não temos as estações do ano tão bem definidas e, então, nosso pulmão não é adaptado para viver em temperaturas muito baixas. Para aqueles que têm respiração bucal – por conta de rinites crônicas, desvio de septo ou por outros problemas – esse clima pode ser bastante prejudicial”, alerta Ribeiro.
O profissional explica que, além de cheirar, o nariz tem outra função de fundamental importância: a de aquecer o ar que respiramos. Os cornetos nasais são quem desempenham essa função e, quando as pessoas respiram somente pela boca, porque o nariz está entupido, não existe outro sistema de aquecimento do ar.
Em uma manhã em que a temperatura está em 8ºC, por exemplo, o ar entra no nariz desta maneira, mas chega aos brônquios em 36ºC, graças ao sistema de aquecimento. Quando se respira pela boca, isso não acontece e, então, as consequências do frio são mais severas para os respiradores bucais.
Essas doenças de inverno causadas pelo ar frio e a baixa umidade são, então, mais comuns entre pessoas que já sofrem de alguma comorbidade. Mas, a estação pode ainda trazer outros problemas de saúde
(Leia mais abaixo).
Prevenção, o melhor remédio
Desde o início do inverno, os casos de Covid-19 em Mogi das Cruzes têm apresentado um grande aumento no número de registros. A estação começou no dia 21 de junho e, segundo o levantamento semanal da Prefeitura, desde o dia 20 de junho ao dia 17 de julho 6.738 pessoas testaram positivo para a doença na cidade. A gripe também é uma doença mais comum nesta época do ano e, por isso, a imunização contra as duas doenças se faz tão necessária.
“Isso tem muita relação com os ambientes fechados. No verão, costumamos deixar todas as janelas abertas, com o ar circulando. Quando esfria um pouco, em todos os lugares, as janelas costumam ficar fechadas, seja no transporte público ou no trabalho. Então, uma pessoa respira o ar da outra e ocorre uma maior transmissão das doenças virais, como é o caso da influenza e também da Covid-19, principalmente da Ômicron, que é altamente transmissível”, explica o pneumologista e cardiologista Olavo Ribeiro Rodrigues.
O profissional faz um comparativo com o período que antecedeu o frio que fez este ano durante o outono, quando a transmissão do novo coronavírus ainda era considerada baixa, com cerca de 30 mil casos diários no Brasil. Depois, com a chegada das temperaturas mais baixas esse número saltou para cerca de 70 mil testes positivos por dia.
“Por mais que essa cepa seja mais transmissível, ela é menos letal. Se durante a pandemia chegamos a ver cerca de 3 mil mortes por dia no Brasil, hoje esse número caiu muito e está em cerca de 240. Mas, isso também tem muito a ver com o avanço da imunização, que chegou a números altos. Por isso, tomar as doses de reforço é muito importante”, ressalta o médico.
Em Mogi, de acordo com os dados divulgados pela Prefeitura, 390.707 pessoas tomaram a primeira dose, enquanto a segunda dose foi aplicada 369.902 vezes e a dose adicional outras 331.725. Já as doses únicas foram 11.321. Os números foram computados até o dia 15 de julho.
Desde o dia 27 de junho, a Campanha de Vacinação contra a Gripe foi ampliada e passou a atender todos os públicos, a partir de seis meses de idade. A imunização se faz ainda mais importante nesta época do ano. A aplicação acontece nos Postos de Saúde e unidades da Estratégia Saúde da Família. O atendimento ocorre em livre demanda de segunda a sexta-feira, das 9 às 16 horas.
Além da vacinação, é importante tomar outros cuidados para tentar evitar as doenças de inverno. O pneumologista e cardiologista Olavo Ribeiro Rodrigues dá algumas dicas:
– Continuar tomando as medidas de proteção, como o uso de máscaras e álcool em gel;
– Agasalhar-se bem nos dias frios;
– Evitar aglomerações
– Estar com as vacinas em dia;
– Pessoas que têm asma, rinite alérgica e bronquite devem fazer inalação nas unidades de saúde para que as crises não piorem;
– Tabagistas devem tentar, ao menos, reduzir o fumo nesta época;
– Umedecer os ambientes com vaporizadores ou até mesmo com toalhas molhadas.