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Apesar de apelo e protestos, Estrada das Varinhas segue sem segurança

“Lutemos como um leão, em respeito à memória das vítimas e dos seus familiares”, declarou Fabio da Silva. O mototaxista foi um dos líderes da manifestação ocorrida no último dia 8, em nome das vítimas de acidentes fatais na rodovia Engenheiro Candido do Rego Chaves (SP-039), a conhecida Estradas das Varinhas, em Jundiapeba. O ato, […]

15 de julho de 2023

Reportagem de: O Diário

“Lutemos como um leão, em respeito à memória das vítimas e dos seus familiares”, declarou Fabio da Silva. O mototaxista foi um dos líderes da manifestação ocorrida no último dia 8, em nome das vítimas de acidentes fatais na rodovia Engenheiro Candido do Rego Chaves (SP-039), a conhecida Estradas das Varinhas, em Jundiapeba. O ato, que reivindicava melhorias na segurança da via, teve como ponto principal a colocação de cruzes e placas com os nomes de falecidos em acidentes, como protesto, material que foi retirado pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER), segundo afirmou Fabio. 

Parando para conversar com os primeiros vendedores e moradores do centro de Jundiapeba, na avenida Presidente Altino Arantes – via que dá acesso à Varinhas -, é fácil de encontrar depoimentos receosos e preocupados com a situação da estrada e dos motoristas que por ela passam. “Quando a gente sobe para os lados de Quatinga, principalmente aos sábados e domingos, encontramos muitos ciclistas e, às vezes, temos até que passar pela contramão para dar vaga para eles”, contou o agricultor José Felix Filho, que transita pela rodovia com frequência para transportar verduras e legumes.

Sem a devida fiscalização, se tornou rotina os carros sendo conduzidos em alta velocidade em uma região que recebe muitos caminhões e veículos pesados que precisam dividir a via com as bicicletas e outros veículos menores. 
“Não tem ciclovia, é fácil de alguém ser atropelado. Só vejo as pessoas passarem por lá correndo e se bater carro com carro, vemos o que já aconteceu que é todo mundo morrer”, disse Renato, pedreiro que preferiu não ter o sobrenome divulgado. 

No caso de Leonardo Bezerra dos Santos, um ano após tombar o caminhão na estrada das Varinhas, o vendedor de hortaliças conta que dirige quase todos os dias com o receio de um novo acidente na via que recebeu o apelido de ‘Estrada da Morte’. 

O nome chamativo foi dado em razão dos acidentes frequentes e fatais que estão sendo registrados no endereço que, por pouco, também não tirou a vida do jovem. “Foi só um susto, mas hoje eu dirijo ainda mais atento quando vejo os carros se aproximando”, relatou. 

Os comentários refletem as queixas mais ouvidas pela reportagem de O Diário, o apelo pela implantação de um radar fixo e de ciclofaixa, auxiliando na segurança de motoristas e ciclistas.

Outras medidas também entram na listra das reivindicações da população que tem manifestado insatisfação com a segurança na ‘Estrada da Morte’. 

A duplicação da via em trechos específicos para a possibilidade de ultrapassagens com segurança, a inserção de um radar fixo, uma pista de caminhada atrás do guard rail, melhorias na iluminação com lâmpadas de LED, a construção de mureta no meio da pista e de acostamento, policiamento rodoviário educativo e com a realização do testes de bafômetro, instalação de placas de sinalização e faixas de pedestres em trechos mais críticos, tudo se soma aos pedidos destinados ao órgão administrador da rodovia, o DER.

“A vida das pessoas tem que ser mais importante”, apelou o mototaxista que já nesta sexta-feira (14), precisou buscar os itens da manifestação que foram retidador pelo DER ainda no início da semana. “Aqui a coisa é tão difícil e tão perigosa que, às vezes, morrem de duas pessoas de uma vez só. Já morreu o pai com o próprio filho queimado no carro e se foi discorrer sobre isso aqui há situações de muitas perdas”, conclui.

Abaixo-assinado 

Listando as reivindicações da população para que a rodovia passe a ter melhores condições de segurança, um abaixo-assinado recebe adesões de moradores, trabalhadores e parentes de vítimas fatais de acidentes ocorridos na Estrada das Varinhas. Os pedidos especificam medidas a serem implantadas no trecho que interliga a região entre Jundiapeba até Taiaçubeba. 

Apesar das constantes cobranças, que não são recentes, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) afirma que a pista se encontra “devidamente sinalizada e em condições adequadas de trafegabilidade”, caindo em contradição com relatos registrados nesta reportagem. 

O DER informou que está finalizando o edital de licitação para a instalação de radares nesta e em outras rodovias do Estado, sem previsões para o prosseguimento de um dos tópicos pedidos pelos munícipes.

Por fim, ressalta o compromisso que cada motorista deve ter, em respeito à vida, para que sejam evitados os acidentes. “Cabe reforçar que o respeito às leis, como dirigir dentro da velocidade determinada na via e respeitar a sinalização é vital para um trânsito mais seguro”, diz a nota. 

Enquanto novas medidas não são tomadas para que se desenhe uma rodovia com menor número de acidentes, moradores continuam lutando pelos direitos e melhores condições da estrada. Uma das ações é a coleta  de adesões ao abaixo-assinado até que seja alcançada a meta de 5 mil pessoas solicitando a mesma coisa: segurança. (M.A.)

 

Um longa espera por  segurança e melhorias

Com 18 quilômetros, a SP-39, a rodovia Engenheiro Cândido do Rêgo Chaves,  a Estrada das Varinhas interliga os três distritos de Jundiapeba, Quatinga e Taiaçupeba. 

Uma busca de notícias sobre acidentes e providências tomadas após os graves registros mostra que reuniões, moções e outras manifestações já aconeceram, sem os resultados esperados por moradores, trabalhadores e familiares das vítimas.

Nesta semana, a  Prefeitura de Mogi das Cruzes ressaltou que mantém contato permanente com o Departamento de Estradas de Rodagem a respeito das condições das vias estaduais administradas pelo órgão.
Para o governo municipal, este relacionamento próximo vem trazendo benefícios para a população do município, com intervenções e obras de recuperação de vias.

A administração revela que será realizada nova reunião com os técnicos do DER e que as condições de segurança da rodovia serão abordadas para a discussão de ações que possam ser adotadas.

O problema é que esses passos não resultam no aumento da fiscalização e medidas protetivas, como a reativação do radar, parado há mais de dois anos. Promessas foram feitas no ano passado, quando o missionário europeu Peter Vitek foi mais uma vítima fatal da violência e da insegurança do acesso – ele estava voltando de um passeio, quando foi atropelado – assim como um outro missionários, que estava com ele. 

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