Após auge da pandemia, famílias preparam reencontro no Natal
O novo coronavírus separou famílias, seja pelo isolamento social ou pelo distanciamento emocional. Fato é que, por causa da Covid-19, o último Natal, em 2020, fugiu do habitual. O 25 de dezembro serve para celebrar a vida, ficar entre os entes queridos e, para alguns, ‘juntar gente’. Mas, por prevenção, nas fases agudas da pandemia, […]
24/12/2021 10h13, Atualizado há 56 meses
O novo coronavírus separou famílias, seja pelo isolamento social ou pelo distanciamento emocional. Fato é que, por causa da Covid-19, o último Natal, em 2020, fugiu do habitual. O 25 de dezembro serve para celebrar a vida, ficar entre os entes queridos e, para alguns, ‘juntar gente’. Mas, por prevenção, nas fases agudas da pandemia, os abraços e as ceias natalinas com muitas cadeiras acabaram ficando para depois.
Neste ano, após meses de avanço da vacinação, muitas famílias voltam a planejar as comemorações das festas de fim de ano de maneira presencial. Os cuidados, porém, devem ser mantidos, ainda mais em um momento onde se discute a chegada da variante Ômicron. A notícia boa é que aos poucos, o clima do Natal está voltando, mesmo que em grupos menores e sem ‘aquela festança’. Especialistas recomendam cautela, mas apontam que o país vive momento melhor que em 2020.
O Natal da família de Antônio Fernando Ariza de Souza, de 86 anos, e sua esposa Ana, 76, está voltando aos poucos. Ambos julgaram melhor passar a ceia reservados, sem chamar a família toda.
Diferente do ano passado, desta vez farão a ceia com a filha Ana Silvia, que é professora de psicologia em Mogi. “Neste ano, vamos passar a virada juntos, mas mantendo os cuidados, como o uso de máscaras”, comenta ela.
Até 2019, o Natal era bem mais tradicional, com visita nas casas de famílias.
“Conversamos muito sobre isso, sobre esse cenário que vivemos. Meus pais entendem que ainda não é hora de deixar de se cuidar. A escolha deles é esperar, não querem viajar ou antecipar reencontros”, comenta ela.
Quem está ansiosa para reunir a família é a moradora de Mogi que preferiu se identificar apenas como dona Rutte, de 80 anos, que conta já ter ido até o Mercado Municipal de Mogi para comprar os ingredientes necessários da ceia. Ela conta que se trata de uma “tradição que se passa, desde a avó” dela e que ela transmite agora aos netos.
Ela, porém, conta que ficou preocupada com o movimento elevado de pessoas no Mercadão. “Poderiam ainda estar tirando a temperatura das pessoas antes da entrada”, disse. Ela está vacinada com a dose de reforço, assim como seus dois filhos e os netos mais velhos.
“Ainda não será aquela festa enorme. Só com quem já está vacinado, mas está melhor que no ano passado”, explica.
Em 2020, o Natal foi mais solitário. Como é viúva e quis evitar o contato direto com os filhos, que trabalham em São Paulo, ela passou a ceia sozinha. Os encontros ficaram mesmo apenas por telefonemas. “Felizmente, estamos vacinados”, comenta.
O almoço do dia 25 será uma macarronada, aproveitando as carnes da ceia. “Típico de vó”, finaliza ela.
Algumas famílias têm considerado fazer teste de Covid previamente para dar mais segurança. Especialistas dizem que se entre os convidados houver pessoas que se expuseram, viajando, por exemplo, a medida compensa, para não colocar em risco os demais. Uma dica importante é encontrar-se com quem também é cuidadoso para evitar o contágio do vírus.
Prevenção ainda é o melhor remédio
Se é verdade que a imunização adicionou a dose de esperança que o ano passado ficou devendo, o surgimento de novas variantes do coronavírus, como a Ômicron, e a epidemia de Influenza inspiram atenção. A boa notícia é que há possibilidade de reduzir bastante os riscos respeitando quatro pilares de proteção: vacinação, distanciamento, ventilação e uso de máscaras.
“Em comparação ao mesmo período do ano passado, hoje vivemos um melhor cenário em relação à transmissão do coronavírus. Mesmo assim, se for possível fazer confraternizações em núcleos menores, não associados a aglomerações, é o mais indicado. E de preferência em locais arejados, abertos, ou se fechados, com as janelas abertas. Apesar do momento positivo da pandemia, ela ainda não acabou, e a cobertura vacinal ainda não está acima dos 80%. Ainda mais com nova variante”, diz o infectologista Julio Croda, pesquisador da Fiocruz.
Com as novas variantes da Covid-19 circulando no País, a preocupação aumenta e os cuidados devem ser mantidos. O ano passado foi de incerteza. A Organização Mundial da Saúde (OMS), havia dito que a “aposta mais segura” seria não realizar as reuniões familiares tão tradicionais àquela época.
O melhor presente para o encontro natalino de família este ano é estar imunizado. Com convidados que já convivem normalmente e estão vacinados, não existe, a princípio, contraindicação para a comemoração. “Obviamente, se alguém estranho ao ambiente for convidado, aí vale inclusive pedir o comprovante de vacinação” diz o infectologista Jamal Suleiman, do Instituto Emílio Ribas, em São Paulo. (Com informações da Agência O Globo).
Dicas Extras
Tarefa difícil para muitas famílias, uma maneira eficaz de controlar a transmissão de vírus respiratórios em encontros de Natal é reduzir o número de participantes. Alguns especialistas chegam a determinar uma quantidade específica de pessoas para manter o risco baixo: até dez.
“Estatisticamente, se você se reúne com mais de dez pessoas, haverá maior proximidade, as pessoas vão falar mais alto e aumenta a chance de algum dos convidados estar com gripe (ou Covid) incubada” afirma Celso Granato, diretor clínico do Grupo Fleury.
Não é preciso, porém, desistir da ceia sob o risco de infecção por vírus respiratórios. Granato explica que guardar uma distância de 1,5 metro na hora de comer já seria suficiente para amenizar bem o risco. Fora dos momentos em que se aproveita das comidas e bebidas, a máscara ainda é fundamental.