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Após o adeus a Fumio Horii, amigos destacam contribuição a Mogi

Parentes, amigos e autoridades dão o último adeus a Fumio Horii, “o Rei do Caulim”, um dos empresários mais respeitados e bem-sucedidos de Mogi das Cruzes. Ele foi sepultado na tarde de hoje. Tinha 87 anos, deixa a mulher, filhos e netos. O corpo foi sepultado, por volta das 16h30, no túmulo da família, no Cemitério […]

Por O Diário
17/05/2021 11h40, Atualizado há 61 meses

Parentes, amigos e autoridades dão o último adeus a Fumio Horii, “o Rei do Caulim”, um dos empresários mais respeitados e bem-sucedidos de Mogi das Cruzes. Ele foi sepultado na tarde de hoje. Tinha 87 anos, deixa a mulher, filhos e netos.

O corpo foi sepultado, por volta das 16h30, no túmulo da família, no Cemitério São Salvador, após ter sido velado no templo Hompa Hongwanji de Mogi, construído por Horii – lembrado por sempre apoiar projetos da comunidade japoensa de Mogi e São Paulo. Foram seguidos os protocolos de prevenção ao coronavírus, como uso de máscara e distribuição de alcool em gel. Dezenas de veículos acompanharam o cortejo funeral.

Entre os familiares e amigos próximos, no sepultamento, estava o companehiro de infância, Mitiro Nagao, que destacou a boa vontade de Horii. “Só posso dizer que ele foi uma pessoa fantástica que contribuiu muito para a cidade. Era um grande empreendedor que só pensava em melhorar esse município. Era uma pessoa que enxergava para frente. ele gostava muito das pessoas, apesar de ser reservado. Se encontrasse uma pessoa que precisasse, ele realmente ajudava”.

Nagao também era um dos companheiros das partidas do golfe, esporte que Horii tanto admirava: “Ele era o meu grande companheiro de golfe, jogávamos muito. Eu estava com ele um dia antes de ser internado”, lamentou o amigo.

 

Familiares e amigos  deixaram o templo, por volta de 15h20, com destino ao Cemitério São Salvador. A Polícia acompanhou o cortejo que saiu da Estrada das Varinhas, em Jundiapeba, com destino ao São Salvador.

O templo recebeu  coroas de flores.  Algumas autoridades estiveram presentes, como o prefeito de Suzano Rodrigo Ashiuchi (PL).Entre outros, pela manhã, passaram o deputado federal Marco Bertaiolli, e o ex-deputado Valdemar Costa Neto, o Boy.

O presidente do Bunkyo, Frank Tuda, durante a cerimônia, se manifestou em nome da entidade “Hoje dizemos adeus para uma pessoa muito importante para todos nós. Sua marca jamais será apagada, ele  sempre será o rei do Caulim. Contribuiu de maneira significativa para a comunidade nipo brasileira mogiana e brasileira. Um orgulho verdadeiro para todos nós” disse o presidente “, destacou

“Visionário” e “caridoso”, que apoio diversos projetos sociais; veja o que personalidades dizem sobre Horii.

Fumio Horii foi internado inicialmente em um apartamento do Sírio-Libanês, um dos melhores hospitais de São Paulo. E, à medida que seu estado de saúde foi piorando, os médicos do hospital foram ampliando o atendimento, primeiro com uma máscara de gás, e depois sendo conduzido para a Unidade de Terapia Intensiva, onde foi intubado, em razão das dificuldades cada vez maiores pra respirar, em razão do comprometimento de seus pulmões pelo avanço da Covid-19.

Para complicar ainda mais o seu estado de saúde, Horii sofreu um infarto durante o período de internação para tratamento da Covid-19, o que colaborou decisivamente para agravar as suas condições físicas e de recuperação. Após o problema, sua situação ficou cada vez pior.

Pessoas que trabalhavam com ele contaram que ele já havia recebido as duas doses da vacina contra o coronavírus, mas foi contaminado antes do período de imunidade

Horii deixa a esposa Selma, duas filhas – Míriam e Mali – e três filhos – Issao, que reside em Mogi e cuida da mineração da família; Mauro, atualmente no Mato Grosso do Sul, assim como Kasuto, que é prefeito de uma cidade naquele estado, onde a família mantém área de mineração.Deixa também oito netos.

Legado e trajetória

Nascido em 23 de dezembro de 1933, numa província de Fukushima, no Japão, ele estava com 3 anos quando a família de sete membros partiu do porto de Kobe, no Japão, na manhã de 16 de janeiro de 1937, no navio Montevideo-Maru, com destino ao porto de Santos, no Brasil, onde cbegou em 28 de fevereiro daquele mesmo ano.

Em março de 1937, a família foi parar na Fazenda São Martinho, em Ribeirão Preto, para o cultivo de café. Ficou por lá até janeiro  de 1940, quando Fumio, então com 6 anos, veio para Santo André, na região do ABC, onde ele aprendeu as primeiras letras.

Com 18 anos, em abril de 1952, a família adquiriu uma fazenda no bairro de Varinhas, conhecida como Colônia Daruma, e ele, já independente, começou a plantar batata, repolho, cenoura etc. Quatro anos depois, sua mãe Yoshimi faleceu, vítima de câncer de mama. Estava com 53 anos. Sua mãe sempre teve um sonho: construir uma casa no alto de um morro existente no interior da propriedade.

Já casado, ainda vivendo em Varinhas, nove anos mais tarde ele decidiu trocar a casa de adobe por outra melhor. Lembrando-se do desejo da mãe, ele decidiu construir a sua casa no alto do morro. E ao perfurar um poço para obter água, encontrou uma terra de cor branca. Ao mandar examinar, descobriu  que se tratava de caulim, um mineral muito valioso à época, em que era usado, principalmente, para clareamento de papel.

Começava ali, quase por acaso, um negócio que, graças à sua visão empreendedora, o transformou numa das maiores fortunas de Mogi das Cruzes. Novos investimentos vieram com o passar do tempo. Ele  decidiu construir um hotel do tipo resort junto à represa de Taiaçupeba, na região de Varinhas.

O empreendimento hoje está sendo explorado pelo Club Med, que o transformou em referência para eventos sociais e empresariais. Horii também investe na área imobiliária com um grande loteamento no início da rodovia Mogi-Bertioga, na Vila Moraes. Estava preparando a ocupação de uma enorme área adquirida por ele entre Braz Cubas e Jundiapeba, entre a linha férrea e o Rio Tietê. Um shopping center estava entre seus planos para o local.

Pouco afeito às atividades sociais na cidade, Horii tinha fama de centralizador em seus negócios, que agora deverão ser tocados pelos filhos, seus herdeiros diretos. Pouco afeito a entrevistas, o apreciador do golfe era conhecido entre integrantes da colônia por suas atividades filantrópicas, especialmente ligadas às religiões de origem oriental, às quais não gostava de dar publicidade. Poucos meses antes de morrer, se comprometeu com o bispo diocesano dom Pedro Stringhini, a construir uma igreja católica na área entre Braz Cubas e Jundiapeba.

LEIA TAMBÉM: Uma história de sucesso que começa no fundo de um poço

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