As mudanças no cemitério
A abertura de mais túmulos nos corredores do Cemitério da Saudade terá continuidade para atender ao aumento da demanda surgida pela pandemia da Covid-19, e a antiga e deplorável escassez de sepulturas em Mogi das Cruzes. Antes mesmo do aumento do número de sepultamentos, no ano passado, os cemitérios mogianos já vinham sofrendo redimensionamentos internos […]
10/06/2021 19h09, Atualizado há 62 meses
A abertura de mais túmulos nos corredores do Cemitério da Saudade terá continuidade para atender ao aumento da demanda surgida pela pandemia da Covid-19, e a antiga e deplorável escassez de sepulturas em Mogi das Cruzes.
Antes mesmo do aumento do número de sepultamentos, no ano passado, os cemitérios mogianos já vinham sofrendo redimensionamentos internos para atender à matemática do crescimento populacional.
Abrir um novo cemitério municipal é algo cada vez mais distante. A saída, já prevista em estudos e discussões anteriores, é a entrega desse serviço à iniciativa privada, que assumirá os encargos financeiros e legais de um empreendimento deste porte. Um cemitério exige um acertado projeto e localização para obter o licenciamento ambiental.
Até a pandemia, soluções caseiras foram tomadas, como a redução do tempo máximo exigido para o uso dos túmulos municipais – o que, por si, já tinha um peso político.
A vida tem mudado, mas o culto e respeito aos mortos é matéria que envolve fortes valores emocionais e familiares.
Pode parecer que, com a pandemia, diante da urgência pela preservação da vida, esse assunto tenha ficado para um segundo plano, no olhar do cidadão e da sociedade para a maneira como a administração pública trata de algo tão caro.
Desde o ano passado, no entanto, a cada nova publicação sobre as covas abertas nos corredores, e a necessidade de se passar por cima dos túmulos para fazer os sepultamentos – já que as visitas estão limitadas, a reação de desaprovação é imediata. Assim se nota diante da repercussão, nas redes sociais e órgãos de imprensa, da fotografia feita pela professora de artes, Eladia Natali Lima, no domingo.
Ao acompanhar um enterro, Eladia se comoveu com o total de túmulos que torna a circulação no interior do cemitério ainda mais engessada.
Embora o ano administrativo seja tão complexo, a questão dos cemitérios é prioritária.
Uma comunidade que desrespeita seus antepassados, suas tradições e história enfraquece e fragiliza a experiência do presente e a construção do futuro. Mais do que nunca, é preciso se lembrar disso.
O melhor caminho é apostar na iniciativa privada? Que assim seja feito, com base que não prejudique a maior parte da população porque, bem sabemos, os preços dos serviços funerários não são acessíveis a todos.