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‘BicicleAto’ leva centenas de ciclistas às ruas por segurança no trânsito

O frio e a chuva na manhã deste domingo (4) não desanimaram centenas de ciclistas de Mogi das Cruzes que foram às ruas se manifestar por mais segurança no trânsito. O ato também homenageou e pediu justiça pelo atropelamento do ciclista Alessandro Palazzi, de 40 anos, em 6 de junho. Ele teve a perna direita […]

Por O Diário
04/07/2021 12h07, Atualizado há 61 meses

O frio e a chuva na manhã deste domingo (4) não desanimaram centenas de ciclistas de Mogi das Cruzes que foram às ruas se manifestar por mais segurança no trânsito. O ato também homenageou e pediu justiça pelo atropelamento do ciclista Alessandro Palazzi, de 40 anos, em 6 de junho. Ele teve a perna direita amputada e segue internado.

A concentração foi às 9h em frente ao Ginásio Hugo Ramos, no bairro do Mogilar. Cerca de 500 ciclistas, de ao menos quatro grupos da cidade, se reuniram com apitos, cartazes e faixas com a mensagem de que #NãoFoiAcidente.

Ubirajara Nunes, um dos representantes do Coletivo MTB Mogi, lembrou que o movimento não é somente pela causa do Alessandro. Ele foi homenageado porque a situação vivenciada por ele poderia ter vitimado um dos outros ciclistas que andam pela cidade.

“A homenagem é mais do que merecida. Chegou o momento em que a gente precisa parar de sonhar e transformar em realidade tudo aquilo que a gente deseja. Com mais ciclovia, ciclofaixa, investimento, campanhas de conscientização e paz no trânsito. A gente está aqui para isso”, ressaltou.

O ciclista Kenni Ricardo Carvalhos, de 40 anos, levou os filhos Vinicius, de 5 anos, e Guilherme, de 9, para o ato. Ele ressaltou a importância de que eles, que também andam de bicicleta pela cidade, saibam do que aconteceu e que eles devem se manifestar contra. Ele disse que os filhos já lidam com o desrespeito de pessoas que param o carro ou caminham nas ciclovias da cidade.

“A ciclovia da Adhemar de Barros é mais perigosa do que andar na rua. Faltam corredores específicos para ônibus na cidade e a gente tem diversas vias com espaço também para a ciclovia e a cidade não faz. Ontem, em frente à estação de Braz Cubas, um motorista estava com o carro”

Um dos organizadores do BicicleAto, Jair Pedrosa, lembrou que a categoria está aumentando as solicitações por mais estrutura na cidade. No “Maio Amarelo”, mês com ações de conscientização sobre a segurança no trânsito, os ciclistas fizeram uma carta aberta à Câmara e à Prefeitura com uma série de solicitações. Entre elas, a instalação de novas ciclovias, bicicletários e campanhas educativas de trânsito, que influenciam diretamente na segurança dos pedestres.

“Agora que a prefeitura está começando a cuidar melhor [das ciclovias], as poucas que existem. Mas tem caso em que elas não ligam nada a lugar nenhum, então a gente pede também que sejam feitas interligações e que a cidade tenha um Plano Cicloviário”, pontuou Jair.

O grupo deixou o Ginásio pela avenida Cívica e parou na avenida Yoshiteru Onishi, onde aconteceu o acidente. No local, eles deitaram as bicicletas na avenida e ficaram na calçada. Uma faixa grande foi estendida na frente ressaltando que não foi acidente.

O percurso de cerca de cinco quilômentros ainda incluia a passagem pelo Fórum, Câmara, Prefeitura e retorno ao Ginásio, onde aconteceria a dispersão. 

Homenagem

Por meio de uma chamada de vídeo, Alessandro acompanhou a manifestação. Os familiares dele estavam com camiseta branca e uma foto do ciclista. Muito emocionada, a mãe não conseguiu falar com a imprensa. Já o pai, Nilson Souza, destacou que o ato foi importante para lembrar que há diversos casos de acidentes todos os dias e que é necessário conscientização. Ele lembrou o atropelamento de mãe e filha no bairro Cidade Kemel, em Ferraz, em que a mãe morreu e o motorista fugiu do local.

“O cara deixa o local e continua dirigindo, antes mesmo de a vítima sair do hospital. Se a justiça não for para cima, um caso desses pode acontecer de novo. É preciso saber diferenciar acidentes e atropelamentos brutais”.

Ainda segundo o pai, Alessandro está começando a levantar agora e deve passar por uma cirurgia na coluna entre terça e quarta-feira da semana que vem. A equipe médica esperava controlar uma infecção no local da amputação, mas um vascular já liberou que o procedimento fosse realizado.

O advogado da Alessandro, José Beraldo, diz que um ciclista que testemunhou o acidente depôs nesta semana à polícia e apresentou os dados de um aplicativo que mostra que o motorista teria acelerado após atingir Alessandro e a bicicleta. “Isso tem que ir ao tribunal do júri, porque teve dolo eventual. Não foi um simples acidente de trânsito”, disse.

O advogado Juliano Melo Duarte, que faz a defesa de Henrique Lisboa Reis, suspeito de atropelar Alessandro e fugir do local, informou que todas as informações necessárias já foram prestadas e neste momento a família do Henrique também está muito abalada e se reserva no direito de aguardar a conclusão das investigações.

A Prefeitura

Em nota, a Prefeitura de Mogi informou que a cidade conta com 32,38 quilômetros de vias cicláveis, o que inclui ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas existentes em diversas regiões, como os distritos de Jundiapeba, Braz Cubas e César de Souza, a Vila Industrial e a região central. O índice é o maior de toda a região do Alto Tietê.

“Existe ainda a previsão para a implantação de mais 30 quilômetros de ciclovias, dentro dos projetos de desenvolvimento da região leste da cidade. A Secretaria Municipal de Transportes mantém um contato permanente com os grupos representativos dos ciclistas do município para discutir melhorias que possam ser adotadas na malha viária de Mogi das Cruzes”, destacou o texto. 

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